A morte da influenciadora mineira Marcela França, aos 43 anos, em decorrência de um câncer de colo do útero, reacende um alerta importante de saúde pública: a prevenção por meio da vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano). Marcela era defensora da imunização e usava suas redes sociais para conscientizar mulheres sobre a importância do cuidado preventivo.


O HPV é um vírus sexualmente transmissível e está diretamente relacionado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero. De acordo com o infectologista Guenael Freire, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, que integra a Dasa, a infecção persistente por alguns subtipos do vírus é o principal fator de risco para a doença.

“Praticamente todos os casos de câncer de colo do útero estão associados à infecção pelo HPV, especialmente pelos tipos 16 e 18, que são considerados de alto risco. Na maioria das vezes, o organismo elimina o vírus espontaneamente, mas, quando a infecção persiste por anos, pode provocar alterações nas células do colo do útero que evoluem para câncer”, explica o especialista.


Segundo ele, a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. A vacina contra o HPV age estimulando o sistema imune a produzir resposta contra os tipos mais agressivos do vírus, impedindo que ele infecte as células e cause lesões.


“A vacina não contém vírus vivo e não causa a doença. Ela induz o organismo a criar uma memória imunológica. Assim, caso a pessoa tenha contato com o HPV no futuro, o corpo já estará preparado para neutralizá-lo antes que ele provoque alterações celulares”, afirma Guenael Freire.


A imunização é recomendada principalmente para meninas e meninos antes do início da vida sexual, faixa etária em que a resposta imunológica é mais robusta. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina gratuitamente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Em clínicas privadas, a vacinação pode ser realizada também por adultos, conforme avaliação médica.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


“O ideal é vacinar antes da exposição ao vírus, mas mesmo quem já iniciou a vida sexual pode se beneficiar da imunização. Além da vacina, é fundamental manter o acompanhamento ginecológico regular e realizar o exame preventivo, que permite identificar lesões precoces”, reforça o infectologista.
O câncer de colo do útero é um dos tipos mais comuns entre mulheres no Brasil, mas é altamente prevenível. A combinação entre vacinação e rastreamento adequado pode reduzir significativamente os casos e as mortes pela doença.

compartilhe