Leucemia: quais sinais não devem ser ignorados?
Cansaço extremo, infecções recorrentes e manchas roxas no corpo podem ser sintomas da doença, que deve atingir mais de 12 mil brasileiros por ano até 2028
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Fadiga intensa e infecções que melhoram e voltam sem explicação clara. Esses foram os primeiros sinais percebidos por Letícia Freitas, de 24 anos, antes de receber o diagnóstico de leucemia. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados mais de 12 mil novos casos da doença no Brasil por ano, entre 2026 e 2028.
“Comecei a me sentir mal por volta de maio de 2019. Tinha infecções recorrentes, principalmente na boca. Eu ia ao médico, tomava remédio, melhorava e logo surgia outro problema", relembra Letícia. O cansaço foi se intensificando com o tempo. “Cheguei ao ponto de ficar exausta depois do banho e precisar me deitar antes mesmo de me vestir”, conta.
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A história de Letícia ilustra um dos principais desafios no enfrentamento da leucemia: reconhecer precocemente sinais que muitas vezes são confundidos com outras condições clínicas. A doença afeta as células do sangue produzidas na medula óssea e pode se manifestar de formas variadas.
O que observar?
De acordo com a hematologista da Rede Mater Dei de Saúde, Anna Kariny Martins Lima, os sintomas merecem atenção especial quando persistem ou aparecem de forma combinada. “Os principais sinais de alerta incluem fadiga persistente, palidez, febre sem causa aparente, infecções frequentes ou de difícil resolução, sangramentos gengivais ou nasais, manchas roxas pelo corpo sem trauma significativo, perda de peso inexplicada, suor noturno e aumento de linfonodos”, explica.
Diante desses sintomas, a orientação é procurar avaliação médica para investigação adequada.
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Diagnóstico precoce muda o prognóstico
Na maioria dos casos, o caminho até o diagnóstico começa com um exame simples. “O hemograma pode mostrar alterações nas células do sangue e levantar a suspeita inicial”, afirma a médica.
Caso existam indícios, são indicados exames complementares, como mielograma e biópsia de medula óssea, que confirmam o diagnóstico e identificam o tipo específico da leucemia.
"O diagnóstico precoce é fundamental, especialmente nas leucemias agudas, pois permite iniciar o tratamento rapidamente, aumentando as chances de remissão e cura", ressalta a hematologista. No caso de Letícia, foi a insistência da mãe que levou à realização dos exames que confirmaram a doença.
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Tratamento e rede integrada
“O diagnóstico foi um baque enorme. Parecia cena de filme, quando a voz de todo mundo fica distante e nada parece real. Eu recebi a notícia pela minha mãe e imagino o quanto foi difícil para ela”, relata.
Letícia passou por sessões de quimioterapia e, posteriormente, foi submetida a transplante de medula óssea com acompanhamento da mesma equipe de hematologistas que conduziu todo o tratamento.
Segundo a Anna Kariny, o procedimento é indicado em situações específicas. “O transplante costuma ser recomendado nos casos de maior risco de recaída ou quando a doença não responde adequadamente ao tratamento inicial. A decisão é sempre individualizada e discutida em equipe multidisciplinar”, explica.
“Receber a notícia de que você vai precisar de um transplante assusta. Mas ele foi minha salvação. Foi uma carta na manga que me devolveu a tranquilidade”, afirma Letícia. O irmão foi 100% compatível e realizou a doação.
Para a especialista, o caso reforça a importância de uma estrutura integrada. “A integração entre as equipes é determinante para oferecer segurança, agilidade e excelência no tratamento.”
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Hoje, Letícia segue em recuperação. “A vida pós-transplante é desafiadora, mas linda”, diz.