Apneia do sono atinge um em cada quatro homens de 30 a 40 anos
Mesmo com a alta incidência, volume de exames entre jovens adultos é até 65% menor que as demais faixa etárias; oximetria noturna pode identificar a condição
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A apneia obstrutiva do sono, tradicionalmente associada ao envelhecimento, já se manifesta entre adultos jovens — especialmente homens antes dos 40 anos. Dados da healthtech Biologix mostram que, na população masculina entre 30 e 40 anos, quase um quarto dos indivíduos avaliados apresenta apneia moderada ou grave.
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Entre as mulheres da mesma faixa etária, a proporção é significativamente menor, permanecendo abaixo de 10%. A diferença entre os gêneros se mantém ao longo da vida adulta, mas diminui progressivamente a partir dos 50 anos, quando a incidência da apneia entre mulheres passa a crescer de forma consistente.
Embora esteja associada a impactos como sonolência diurna, queda de produtividade e aumento do risco cardiovascular, a apneia do sono ainda é menos investigada entre jovens. O volume de testes entre pessoas de 30 a 40 anos é cerca de 20% menor do que entre aquelas acima dos 40, diferença que chega a aproximadamente 65% na faixa de 20 a 30 anos.
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Para o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor médico da Biologix, essa assimetria ajuda a explicar por que a apneia do sono permanece subdiagnosticada nesse grupo. “Sem acesso ou indicação para o exame, a apneia segue fora do radar. O que os dados mostram é que muitos casos só passam a ser identificados quando a investigação começa — e isso costuma acontecer tarde.”
Nesse contexto, estudos têm avançado na validação de métodos mais acessíveis para o diagnóstico da apneia do sono fora do ambiente hospitalar. Uma pesquisa clínica com 478 pacientes, baseada em exames de polissonografia domiciliar, mostrou que a oximetria noturna de alta resolução identifica a apneia do sono com 90% de precisão, em seus diferentes graus.
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“A ampliação do acesso a exames domiciliares e o uso de tecnologias validadas cientificamente permitem identificar a apneia do sono em fases mais precoces, inclusive em pessoas fora do perfil clássico da doença”, afirma Talita Salles, cofundadora da Biologix. “Isso pode antecipar intervenções e minimizar impactos de longo prazo sobre a saúde da população economicamente ativa.”