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Estado de Minas CHEVROLET TRACKER LT 1.0 TURBO AT6

Sem intimidade com o frentista

Testamos o novo SUV compacto da Chevrolet, equipado com motor 1.0 turbo, que, além do bom desempenho, tem baixo consumo de combustível. Mas o acabamento deixa a desejar


29/08/2020 04:00 - atualizado 28/08/2020 22:52


(foto: Fotos: Jorge Lopes/EM/D.A Press)
(foto: Fotos: Jorge Lopes/EM/D.A Press)

Primeiro modelo lançado em meio à pandemia do coronavírus no Brasil, no fim de março, a nova geração do Chevrolet Tracker vem fazendo uma boa trajetória, especialmente para um ano tão conturbado. No acumulado até julho, o SUV compacto já tinha vendido mais do que em todo o ano de 2019, quando amargou uma décima colocação no segmento. Se mantiver seu ritmo de vendas, o modelo tem tudo para disputar entre os três utilitários-esportivos compactos mais vendidos do país. Depois de avaliarmos a motorização 1.2 turbo, chegou a vez de testarmos a versão LT 1.0 turbo, a mais em conta, equipada com câmbio automático. Desde o lançamento, a versão ficou R$ 6 mil mais cara.

Diferente da geração anterior, importada do México, o novo Tracker é fabricado no Brasil. O projeto é chinês e usa a plataforma GEM, a mesma dos novos Onix e Onix Plus, que tiveram nota máxima nos testes de colisão do Latin NCAP. Mas é preciso deixar claro que o bom desempenho em segurança do Tracker ainda não foi confirmado. O design do SUV é musculoso, com vincos bem marcados em toda a carroceria e caixas de roda encorpadas. Já os para-choques, principalmente o traseiro, não ficam em evidência, destacando outros elementos. As rodas de 16 polegadas não marcam muita presença nessa versão de entrada. O vidro traseiro é estreito, o que, junto a larga coluna C, compromete a visibilidade traseira.
 
O modelo tem formas musculosas, com vincos em toda a carroceria. A traseira tem desenho equilibrado, com lanternas horizontalizadas, e vidro muito estreito, que compromete a visibilidade
O modelo tem formas musculosas, com vincos em toda a carroceria. A traseira tem desenho equilibrado, com lanternas horizontalizadas, e vidro muito estreito, que compromete a visibilidade
 
 
O estilo do interior é “limpo”, tendo como destaque apenas a tela flutuante de oito polegadas do sistema multimídia. Ainda assim, o acabamento é excessivamente espartano, com muito plástico duro. Até que existe material emborrachado no painel e nas portas, principalmente nas partes que ficam em contato com os ocupantes, mas um carro que beira os R$ 100 mil merecia mais cuidado. Enquanto os tapetes acarpetados enriquecem um pouco o aspecto, o revestimento do teto já aparenta má qualidade. Os bancos revestidos em tecido dão um ar despojado ao interior. O quadro de instrumentos tem tela central de 3,5 polegadas com um gráfico bastante pobre, mas já ajuda ao trazer informações como velocímetro digital e computador de bordo.

O espaço interno é bom para um compacto. O motorista encontra em seu assento regulagem de altura e, no volante, ajustes em altura e distância. O banco traseiro oferece conforto a até dois passageiros, que contam com iluminação, duas tomadas USB e porta-trecos. O porta-malas também não é dos mais espaçosos. Piora a situação o vão do compartimento de bagagem ser estreito, comprometendo a colocação de objetos volumosos. Ao menos o espaço tem iluminação e abriga o estepe de uso temporário. Se for necessário encher o veículo de tralhas, o encosto do banco rebate fracionado, formando uma superfície plana.
 
Modelo tem acabamento excessivamente espartano, com muito plástico duro, e algumas partes emborrachadas
Modelo tem acabamento excessivamente espartano, com muito plástico duro, e algumas partes emborrachadas
 

RODANDO 

O ponto forte do Tracker é o conjunto mecânico. O motor 1.0 turbo entrega muito torque em baixa rotação, resultando em um veículo sempre disposto a reagir rapidamente ao estímulo do acelerador, seja na cidade ou na estrada. Para melhorar, o consumo de combustível é baixo, coisa rara hoje em dia! O câmbio automático de seis marchas tem relações bem escalonadas e uma gestão eficiente, que realiza trocas no momento certo. O único senão é o mecanismo de troca de marchas manual, realizada por um botão na alavanca, que não te convida a “trabalhar”. Mesmo sem ter configurações sofisticadas, as suspensões entregam boa relação entre conforto e estabilidade. A direção tem assistência elétrica progressiva, com pesos adequados para cada situação.

CONTEÚDO 

A estratégia do Tracker continua sendo oferecer um bom nível de equipamentos já na versão de entrada, trabalhando com menos pacotes, com destaque para airbags frontais, laterais e de cortina, controles de tração e estabilidade, chave presencial e sistema multimídia com tela de oito polegadas e internet Wi-Fi. A versão LT ainda tem de série lanterna de neblina, luzes de rodagem diurna, regulagem elétrica dos faróis, assistente de partida em rampa, retrovisores com ajustes elétricos e sensores traseiros de estacionamento. Achou pouco? Por R$ 100 mil poderia ter mais, mas, comparado aos concorrentes, esse é um dos pacotes mais generosos disponíveis nessa faixa de preço.

CONCORRENTES  

Do ponto de vista mecânico, o concorrente direto do Tracker LT é o Volkswagen T-Cross 200 TSI AT6, que também traz motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas. A versão é mais cara (R$ 99.090) e ainda fica devendo chave presencial e câmera de ré. Seu sistema multimídia tem tela de 10 polegadas, mas nada de Wi-Fi. Sistema de frenagem pós-colisão e shift paddles são seus destaques.
 
Para um SUV compacto, o porta-malas de 393 litros de capacidade não é dos maiores, e ainda é estreito
Para um SUV compacto, o porta-malas de 393 litros de capacidade não é dos maiores, e ainda é estreito
 

O Jeep Renegade Sport 1.8 AT6 (R$ 94.890) também tem pacote inferior ao Tracker, com apenas dois airbags e multimídia com tela de cinco polegadas pra lá de básico. Ainda falta ao modelo sensores de estacionamento. De exclusivo, o Renegade tem freio de estacionamento elétrico e rodas de 17 polegadas. Já o Hyundai Creta Smart Plus 1.6 AT6 (R$ 91.590) também fica devendo ao trazer apenas airbags frontais. Ele também não tem chave presencial, mas compensa um pouco ao trazer ar-condicionado digital, assentos parcialmente forrados em couro, rodas de 17 polegadas e faróis com acendimento automático.
 
 
O motor 1.0 turbo é a cereja do bolo, pois garante boa performance tanto no trânsito urbano quanto na estrada
O motor 1.0 turbo é a cereja do bolo, pois garante boa performance tanto no trânsito urbano quanto na estrada

 
 
 
FICHA TÉCNICA

»  MOTOR
Dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12 válvulas, 999cm³ de cilindrada, flex, turbo, que desenvolve potência máxima de 116cv (com gasolina e etanol) a 5.500rpm e torques máximos de 16,3kgfm (g) e 16,8kgfm (e) a 2.000rpm

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio automático de seis velocidades, com opção de trocas manuais

» SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente tipo McPherson, com barra estabilizadora; e traseira, semi-independente, com eixo de torção/ de liga leve de 7 x 16 polegadas/215/60 R16

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva

» FREIOS
Com discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e EBD

» CAPACIDADES
Do tanque, 44 litros; porta-malas, 393; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 410 quilos

» DIMENSÕES
Comprimento, 4,27m; largura, 1,79m; altura, 1,62m; distância entre-eixos, 2,57m

4 PESO
1.228 quilos

»  DESEMPENHO
Velocidade máxima, 185km/h(e)
Aceleração até 100km/h, 10,9 segundos(e)

»  CONSUMO (*)
Cidade – 11,9km/l (g) / 8,2km/l (e)
Estrada – 13,7km/l (g) / 9,6km/l (e)

Dados dos fabricantes
(*) Dados do Inmetro
(g) gasolina (e) etanol


EQUIPAMENTOS

4 DE SÉRIE: Airbags frontais, laterais e de cortina; alarme; controle eletrônico de estabilidade e tração; Isofix; lanterna de neblina; luz de condução diurna; regulagem de altura dos faróis; freios com ABS, sistema de distribuição de frenagem e assistência de frenagem de urgência; rack de teto; rodas de alumínio de 16 polegadas; spoiler traseiro; ar-condicionado; assistente de partida em aclive; câmera de ré; chave com sensor de aproximação; volante com regulagem em altura e distância; computador de bordo; console central com descansa-braço; controlador de limite de velocidade; controlador de velocidade de cruzeiro; controles do rádio e telefone no volante; desembaçador do vidro traseiro; retrovisores elétricos; painel de instrumentos com tela de 3,5 polegadas; sensor de estacionamento traseiro; para-sóis com espelho e cobertura; travas e vidros elétricos; bancos forrados em tecido; banco do motorista com regulagem de altura; banco traseiro bipartido e rebatível; sistema multimídia; e antena de teto.

»  OPCIONAIS: Pintura metálica (R$ 1.600).

» Quanto custa?
O Chevrolet Tracker LT 1.0 AT tem preço sugerido de R$ 95.890. Com o opcional listado, a unidade testada custa R$ 97.490.

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