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O fator aluguel

Locação pode ser alternativa para quem necessita de maior mobilidade e foco estratégico para o futuro. Especialistas alertam que é preciso avaliar financeiramente os prós e os contras


postado em 13/04/2019 05:06

(foto: Planejar Soluções Integradas/Divulgação )
(foto: Planejar Soluções Integradas/Divulgação )

Comprar ou alugar um imóvel, eis a questão. Muitas dúvidas podem surgir na hora de analisar qual a forma mais assertiva de adquirir um imóvel. Há numerosos aspectos que devem ser observados antes de fechar o negócio, que, geralmente, envolve elevado recurso financeiro. De acordo com Ricardo Maila, administrador e fundador da Plano Consultoria, não há uma resposta simples e objetiva. “É preciso avaliar financeiramente todos os prós e contras; além de avaliar se estaria adequado ao seu orçamento, independentemente do caminho”, diz. Porém, devido a uma mudança na economia e no estilo de vida, o aluguel vem ganhando destaque nas grandes cidades brasileiras, segundo o administrador.


Para Ricardo Maila, muitas vezes, na decisão de compra em vez de alugar, pesa o emocional de ter uma casa para chamar de sua. Além disso, as pessoas fixam na ideia o fato de a parcela do financiamento ser talvez próxima ao aluguel. “Mas a continha é muito mais complexa que isso. E, quem a faz com calma, por muitas vezes, verá que o aluguel é uma boa alternativa.” Por isso, além das finanças, é importante entender em qual momento da carreira e da vida a pessoa está. “Muitas vezes, será necessário mudar de bairro ou cidade; assim como perder algum tempo com problemas e obras na casa; nesses casos, o aluguel também dará vantagem.”


A liberdade e a flexibilidade do aluguel podem ser uma das justificativas para a procura desse investimento, constantemente visto como vilão no mercado imobiliário. Se o morador mora sozinho, é possível dividir o espaço com outra pessoa, assim, o valor do aluguel pode cair pela metade e influenciar diretamente na economia da renda. Outro ponto é a flexibilidade de mudança em caso de troca de emprego, evitando gastos elevados de transporte, além do tempo de locomoção. Às vezes, na ansiedade de adquirir o imóvel próprio, o cliente acaba financiando e pagando o triplo do valor.

ESTABILIDADE FINANCEIRA Flávia Vieira, vice-presidente das Administradoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), explica que é necessário fazer uma adequação do imóvel pretendido com a realidade em que o morador vive. O aluguel entra como importante facilitador para quem quer conquistar estabilidade financeira em início de carreira. “É importante checar todos os custos que o imóvel pode trazer”, pondera. Ela conta que há uma mudança de paradigmas com a desmitificação de que o aluguel é um ‘fantasma’ e que a locação é um peso nas contas no fim do mês.


Ricardo Maila explica que as novas gerações não valorizam tanto a propriedade de bens; entendem que a flexibilidade do aluguel é importante para o dinamismo da vida deles. “Ter um imóvel é ter um casamento para as partes boas e ruins”, exemplifica. Já as gerações mais antigas sofreram crises econômicas e perderam por vezes a referência do valor do dinheiro. Desse modo, se agarraram na propriedade de imóveis. “São gerações com experiências diferentes, porém em mudança. Na minha consultoria, tenho clientes com mais de 75 anos se desfazendo de imóveis para ter mais renda e qualidade de vida”, comenta.
Para o administrador, quem quer fazer um bom negócio deve procurar bem, assim já terá andado metade do caminho. “Deve avaliar a idade do imóvel, possíveis dívidas ocultas, problemas estruturais, a parte documental e os custos com IPTU”, salienta. Além disso, é preciso avaliar o quão desejado ele seria no futuro pelas suas facilidades, como tamanho, localização, leiaute e, especialmente, o preço.

INVESTIDORES
Para uma dinâmica de vida em grandes cidades, a localização é o grande fator de valorização, liquidez ou depreciação. “É importante ter referências de valores. E tão importante quanto na negociação. Tenha paciência, as oportunidades nunca acabam”, garante.


Flávia Vieira diz que morar de aluguel pode ser uma alternativa viável para jovens que buscam crescimento pessoal. “É uma situação que vem mudando. Muitas pessoas, os jovens, principalmente, já não estão focadas na necessidade de comprar um imóvel, porque encontram no aluguel uma mobilidade muito grande, pois não há mais aqueles empregos eternos, como antigamente”, frisa.


Segundo ela, essa tendência vem atraindo cada vez mais investidores para o mercado da compra de imóveis para, posteriormente, alugar esses empreendimentos. “É um nicho de mercado. Para investidores, é um ótimo ponto econômico. O retorno de aluguel sob o investimento pode trazer uma renda extra”, salienta a vice-presidente.


Para quem pensa em comprar para alugar, é importante levar em conta aspectos como valorização em longo prazo, uma vez que o logradouro pode se desenvolver e atrair muitos investimentos imobiliários e comerciais e, com isso, tornará a residência mais valorizada. “Para o investidor, é uma excelente opção verificar localizações pela rentabilidade mensal”, finaliza Flávia Vieira.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

 

Faça as contas

Partindo de um exemplo prático e simples, em que a pessoa tem R$ 300 mil na mão e a escolha de dois caminhos, aluguel ou compra, projetando por 10 anos

- Aluguel: Aplicar R$ 300 mil por 10 anos na renda fixa (10% ao ano e conservador),
tem R$ 706 mil líquidos (após Imposto de Renda)
- Custo com aluguel nesse período: R$ 1,5 mil/mês, sendo reajustado em 3% ao ano:
R$ 204 mil ao longo de 10 anos
- Saldo: R$ 706 mil menos R$ 204 mil = R$ 502 mil
- Compra: Usando os R$ 300 mil na compra, atualizado por 4% ao ano, a valorização do imóvel por 10 anos e realizada a venda, teria R$ 396 mil
- Saldo a favor do aluguel: R$ 106 mil


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