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Fernando Calmon

Não dá para ganhar sempre, nem perder sempre. Há de existir um equilíbrio%u201D


postado em 23/03/2019 05:10

Equilíbrio alcançado

O programa IncentivAuto do governo de São Paulo para estimular a produção de veículos no estado pode parecer que se trata de uma guerra fiscal, mas não é. Afinal, além das contrapartidas obrigatórias, a intenção foi apenas se aproximar – não superá-las – das condições já oferecidas por outros estados. Até o momento, infraestrutura de transporte e logística, mão de obra especializada e grande parque de fornecedores em São Paulo haviam sido suficientes para dispensar a renúncia de impostos.
Na grande maioria dos países, investimentos da indústria automobilística são altamente disputados. Quando marcas japonesas se instalaram nos EUA há mais de 30 anos, estados do Centro e do Sul do país ofereceram vantagens financeiras fabulosas. Isso ajudou a desequilibrar a concorrência com as três grandes de Detroit (GM, Chrysler e Ford). Foi um dos motivos para as duas primeiras quebrarem financeiramente, na crise bancária de 2008/2009.
No Brasil, o cenário se repetiu. Nos anos 1970, sem o investimento do governo de Minas Gerais a Fiat nunca teria vindo. Outros exemplos: GM, em Gravataí (RS), Ford, em Camaçari (BA) e FCA, em Goiana (PE). Estado do Rio de Janeiro também atraiu PSA Peugeot Citroën, Nissan e VW Caminhões. Goiás, a CAOA Hyundai e Mitsubishi. Paraná, a Volvo Caminhões, Renault e VW. Em todos os casos, incluíram-se robustos incentivos fiscais.
A GM foi a primeira a se enquadrar nas novas regras no programa paulista. Este exige criar um mínimo de 400 empregos diretos e 800 indiretos (pode parecer pouco, mas não é, porque automação da produção tornou-se irreversível no mundo todo), e em troca entra um desconto de 2,5% do ICMS para cada R$ 1 bilhão investido. Como a empresa desembolsará R$ 10 bilhões, terá direito ao crédito máximo de 25% de ICMS.
Outros estados oferecem ou ofereceram descontos de até 100% do ICMS. Era o que tinham disponível para atrair empresas e mudar seu raquitismo econômico.
Sem dúvida, a marca americana agiu rapidamente, incluindo todos os envolvidos: concessionárias (menos um ponto percentual da margem líquida de venda), fornecedores (concordaram com reduções de preços e/ou sua manutenção pelos próximos dois anos) e o sindicato de São José dos Campos (SP) abriu mão de parte de vantagens salariais.
O governo paulista ficou por último nessa pretensa guerra fiscal, mas mostrou uma posição pragmática. Se nada fizesse, investimentos não viriam e muito menos os impostos. Quem piscaria primeiro, olho no olho? Assim é no mundo todo: de pouco adianta espernear.
São Paulo, no entanto, abusou no capítulo dos impostos não compensados sobre veículos vendidos ao exterior. Exportar impostos é uma brincadeira que só existe aqui. Agora, promete equacionar o problema, como o Paraná já o fez.
Outro fato importante, Brasil e México concordaram em estabelecer livre comércio de veículos, sem taxas ou cotas, a partir deste mês. Mexicanos aceitaram aumentar o conteúdo de peças locais para 40% e vão incluir caminhões no acordo. Fabricantes aqui instalados temem perder investimentos – além do que já perderam. Mas o jogo é assim mesmo: não dá para ganhar sempre, nem perder sempre. Há de existir um equilíbrio.

alta roda

DOR DE CABEÇA com nova versão do sistema operacional Android 9 Pie para smartphones. Aplicativo Android Auto passa a não se comunicar com as centrais multimídia, mesmo as mais modernas, como a Ford Sync 3. Não é possível usar nem Waze e nem Google Maps. Recomendável procurar concessionárias para atualização ou desinstalar o Android Auto.

BMW SÉRIE 3, sétima geração, oferece mais espaço interno, em especial no banco traseiro, sem perder o mínimo de esportividade. Externamente, conservou a tradição da grade do radiador (ligeiramente maior) e a elegância do desenho (evoluído) das colunas traseiras. Mantém pneus que rodam vazios por 80 quilômetros, mas há estepe temporário: menos 155 litros no porta-malas.

MOTOR continua sendo o ponto alto do Série 3, agora com 258cv e 40,8kgfm, sendo este mais bem distribuído. O sedã ficou 60kg mais leve; acelera até 100km/h em 5,8s. Sistema a bordo de inteligência artificial aprende com hábitos do motorista. Tela multimídia de 10,25 polegadas e total de sete câmeras (externas e interna). Preços de R$ 219.950 (330i Sport) a R$ 269.950 (330i M Sport).

NOVO Chevrolet Camaro teve preço anunciado este mês. Cupê por R$ 315 mil, cerca de 5% mais caro que o Mustang. Principais destaques são suavidade do motor, apesar do torque brutal de 62,9kgfm, e câmbio automático de 10 marchas. Rodas de 20 polegadas (pneus run flat) são bastante sensíveis a buracos. Visibilidade periférica exige adaptação cuidadosa do motorista.


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