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Estado de Minas

Tapinha não garante liderança

SUV compacto passou por reestilização recente, mas faltou corrigir pequenos problemas que atrapalham o manuseio do veículo. Mas o modelo também evoluiu em alguns aspectos


postado em 02/03/2019 05:10

Visual do utilitário-esportivo urbano pouco mudou depois do facelift(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Visual do utilitário-esportivo urbano pouco mudou depois do facelift (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)



A perda do reinado entre os SUVs compactos no apagar das luzes de 2018, ano em que passou por sua primeira reestilização, não manchou a trajetória de respeito que o Honda HR-V trilhou desde seu lançamento, no início de 2015. Porém, é inegável a necessidade de dar a volta por cima, já que se trata do produto de maior volume da marca do Civic. Os concorrentes também brotam do chão a cada dia, e se no último ano quem deu a rasteira para faturar a liderança foi o Hyundai Creta, pelo menos até o fechamento de janeiro quem ameaça o utilitário-esportivo da Honda é um velho conhecido, o Jeep Renegade.


E a estratégia adotada pelos japoneses é bem parecida com a da marca americana: mudar quase nada. Assim, a partir da reestilização de novembro do ano passado, a dianteira passou a ostentar um enorme aplique cromado acima da grade, que se funde com os faróis, que ganharam projetores. O para-choque dianteiro tem novo desenho, trazendo agora faróis de neblina circulares no lugar dos antigos ovais. A traseira tem lanternas de LED e lentes escurecidas, como na antiga versão de topo Touring. Tudo bem que gosto é relativo, e até aqui nem vamos analisar o novo visual do HR-V, mas essas rodinhas novas...

DENTRO Testamos o SUV na versão topo de linha EXL (a Honda não confirma, mas é bem provável que o antigo pacote mais equipado Touring retorne trazendo sob o capô o mesmo motor 1.5 turbo do Civic, vamos esperar), que traz acabamento cuidadoso: bancos em couro, painéis de porta com apliques em couro, tapetes acarpetados e plástico de toque macio em parte do painel. Também evidencia o cuidado nesse projeto o sistema Magic Seat, que permite várias configurações dos bancos, indo muito além do simples rebatimento, abrindo também a possibilidade de levar objetos mais altos levantando apenas os assentos do banco traseiro. São soluções práticas assim que transformam o veículo num verdadeiro aliado do motorista no dia a dia e o mantém fiel à marca.


Se por um lado o motorista encontra uma boa posição para dirigir, com ajustes de volante e do banco, o modelo simplesmente não oferece velocímetro digital (de visualização mais fácil e marcação precisa). Sem contar que o display do painel de instrumentos é pequeno e tem um gráfico excessivamente simples. Apesar do facelift, a Honda não solucionou o problema de ergonomia no espaço que abriga as tomadas USB e 12v no console central, que exige contorcionismo para ser acessada. O espaço no banco traseiro é bom, e o HR-V é um dos modelos que melhor acomodam o passageiro central. Há segurança básica – cinto de segurança de três pontos, apoio de cabeça e Isofix – para todos. O porta-malas é espaçoso e ainda guarda o estepe de uso temporário.

RODANDO O conjunto mecânico abrange motor 1.8 flex e câmbio automático tipo CVT, que, segundo a Honda, foi recalibrado para reduzir o consumo de combustível. Na prática mal se vê a mudança. O desempenho é bom, porém sem brilho, com evolução linear típica da transmissão continuamente variável. Em algumas situações, o motorista sente falta de uma resposta mais vigorosa. Nesses casos, não basta nem optar pelo modo esportivo do câmbio, que mantém as rotações elevadas, mas pelas trocas manuais (são 7 marchas virtuais) por aletas, que o deixam mais no controle do veículo. O ruim é que o consumo de combustível fica bastante elevado. As suspensões ganharam novos amortecedores, com stop hidráulico, obtendo ganho em conforto. Já a direção elétrica é leve nas manobras e firme em velocidade elevada.

CONCORRENTES Entre as versões de topo dos principais concorrentes, a do HR-V é a mais cara e menos equipada. Airbags frontais, laterais e de cortina, controles de tração e estabilidade, sistema multimídia, ar-condicionado digital, bancos em couro e assistente de partida em rampa são itens comuns a todos. Porém, o SUV da Honda é o único entre eles a não trazer a prática chave presencial para partida do motor e destravamento das portas.


O Ford EcoSport Titanium se destaca pelo teto solar, detector de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. O Hyundai Creta Prestige tem ar-condicionado para o banco traseiro, além de ventilação no banco do motorista. O Jeep Renegade Limited traz rodas de 19 polegadas, ar-condicionado de dupla zona e multimídia com tela de 8,4 polegadas. O Nissan Kicks SL Pack Tech tem alerta de colisão com sistema de frenagem e detector de objetos em movimento.


Parece que a Honda desperdiçou uma chance de melhorar o produto. O “tapa” discreto no visual (não necessariamente para melhor) e a não correção de algumas mancadas que ficam evidentes no manuseio do veículo nos parecem pouco para garantir a liderança do segmento ao HR-V. Preço elevado e pacote de equipamentos inferior aos concorrentes diretos também não ajudam muito. O conjunto mecânico sem brilho tampouco é um apelo de vendas. Muito mais que um modelo cheio de aspectos positivos, este SUV se destaca mais por não ser ruim em nenhum aspecto.


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