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O carro e o jovem

O processo de interação entre o jovem e o automóvel tem enfrentado alguma lentidão, menos por falta de interesse e mais em razão de limitações financeiras


postado em 01/12/2018 05:05

A GM anunciou a descontinuação do Chevrolet Cruze, assim como outros modelos, no mercado americano(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
A GM anunciou a descontinuação do Chevrolet Cruze, assim como outros modelos, no mercado americano (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

 

 

Uma vertente entre analistas de mercado vem, nos últimos tempos, colocando em xeque o desejo natural e verdadeiro de utilizar o automóvel como meio de locomoção tanto em cidades quanto para viajar. Há quem “decrete” que esse meio de deslocamento já iniciou o seu declínio e, dentro de uma a duas décadas, já não atrairá em nada os mais jovens. Apesar de nem no exterior existir consenso, isso tem sido comentado também no Brasil depois que estatísticas apontaram uma queda na emissão de novas carteiras de habilitação.


Entretanto, há muito “achismo” sobre esse tema. Uma empresa de pesquisa presencial, a Spry, partiu para entender a fundo esse assunto por meio de um trabalho denominado Mobilidade através das gerações. Foram 1.798 entrevistas em 11 capitais brasileiras. Público-alvo dividido, seguindo critério de idade, em quatro gerações: BM (Baby Boomers), 56 anos ou mais, e as gerações X (36 a 55 anos), Y (26 a 35 anos) e Z (25 anos ou menos).


A pesquisa é longa e inclui diversas formas de as pessoas se deslocarem dentro das cidades: a pé, de bicicleta, carro particular, moto particular, táxi/aplicativo, ônibus e metrô/trem. Perfil dos entrevistados seguiu, em linhas gerais, a segmentação de gênero, escolaridade e renda das estatísticas do IBGE. Mas 60% dos participantes não possuíam carro.


Vantagens de cada meio de transporte estão relacionadas ao estilo de vida e ambiente nos quais estão inseridos os entrevistados. Não existe consenso sobre como será o futuro do automóvel, independentemente das gerações. As quatro (BM, X, Y e Z) somente concordam em um ponto: ele não se tornará um bem esquecido (apenas 3% citaram essa resposta).
Em entrevista exclusiva à coluna, o diretor da Spry Pedro Facchini ressaltou que o automóvel representará 66% das preferências de deslocamento dos brasileiros no futuro por meio de posse ou compartilhamento (diferentes aplicativos, inclusive de caronas, e até taxis). Outras conclusões:


“Só 5% das pessoas responderam que por motivos ambientais deixariam hoje de adquirir um veículo; a maioria parou de comprar carros apenas pelos custos envolvidos e a queda de renda; um dos maiores empecilhos para a geração Z tem sido o processo de habilitação, bem mais longo e caro do que costumava ser há 30 ou 40 anos. Isso vem obrigando os mais jovens a adiar a obtenção da CNH. Quando conseguem a carteira, ainda têm a opção de apelar para os carros dos pais ou familiares”, explica.


A pesquisa apontou claramente: 90% da geração Z pretende se habilitar e adquirir um automóvel à semelhança das três gerações mais velhas. Porém, de certo, será pela praticidade e conforto ao se deslocar. Não citam tanto entre os motivos o status como ocorria, muitas vezes, 50 anos atrás.


De fato, o processo de interação entre o jovem e o automóvel tem enfrentado alguma lentidão, menos por falta de interesse e mais em razão de limitações financeiras. Bem ao contrário do que se costuma apregoar, de que a juventude está “desligada” do automóvel. Nada como uma boa pesquisa para apontar falsas verdades hoje cristalizadas.

 

alta roda

 

 

HYUNDAI E CAOA chegarão a um acordo até o final deste ano nas operações de importação. Não serão contratos renováveis a cada dois anos, como querem os sul-coreanos, nem por 10 anos como exige o grupo brasileiro. Algo como três ou quatro anos é o mais provável. Hyundai pretende construir fábrica de motor e câmbio na Argentina para intercambiar com o Brasil.

SEDÃS estão mesmo em queda livre nos EUA. Depois da Ford, GM anunciou a descontinuação de vários modelos, inclusive do Cruze, na América do Norte. A empresa decidiu cortar investimentos em motores convencionais e até híbridos, focando em elétricos, o que envolve riscos que ela julga calculados. Na América do Sul, Cruze e outros continuam nos planos.

APESAR de continuar sob suspeita e também ter sido demitido, no início da semana, do cargo de executivo da Mitsubishi (Nissan tem participação controladora nesta marca e não a Aliança com a Renault), o franco-brasileiro Carlos Ghosn ainda não pôde dar sua versão pública dos fatos. Agência japonesa NHK, sem revelar fontes, informou que ele negou  as acusações da Promotoria.

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