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Estado de Minas NA DÚVIDA, OLHE PARA CIMA

'Trem de satélites' passa pelo céu de BH hoje, mas tempo pode atrapalhar

Na noite desta sexta (28), fila de satélites lançados pela SpaceX ficará visível no meio do céu pela primeira vez na capital. No entanto, há alerta de chuva


28/01/2022 12:57 - atualizado 28/01/2022 13:49

Trem de satélites da SpaceX
Formação é semelhante à imagem capturada em 2019, em Leiden, na Holanda (foto: Marco Langbroek, Leiden, the Netherlands/AFP)

Está prevista para o início da noite desta sexta-feira (28/1) a passagem de mais um “trem de satélites” da SpaceX sobre o céu de Belo Horizonte. O lançamento, que pode ser visto a olho nu, gera expectativa em várias cidades mineiras e de outros estados. Mas, na capital e outras regiões, a previsão do tempo indica que o clima pode atrapalhar desta vez. 

O chamado projeto Starlink, da empresa do bilionário sul-africano Elon Musk, começou em 2019 com o lançamento de 60 satélites. O objetivo é criar uma “constelação” deles, capaz de levar internet a lugares remotos da Terra. A SpaceX chegou a pedir autorização para o lançamento de mais 30 mil. 

O trem de satélites é chamado assim porque o lançamento forma uma fila no céu. Não é a primeira vez que a formação será observada no Brasil. Em Belo Horizonte, duas ocasiões ganharam destaque, em 2020 e no ano passado. No entanto, segundo o astrônomo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Renato Las Casas, desta vez será diferente.

 


“Já passou várias vezes, mas nenhuma vez ele (trem) passou como vai passar hoje. Vai ser exatamente em cima (no meio do céu). Ele vai começar no horizonte Sudeste, passar por cima das nossas cabeças, e se pôr no horizonte Noroeste”, explica. 

Las Casas Diz que será possível ver os satélites em todo o estado, mas a linha não estará centralizada em todos os municípios. A passagem do “trem” também poderá ser observada nos demais estados do Sudeste, assim como em Goiás e na Bahia. 

“(A travessia) começa exatamente às 19h25 e vai até quase 19h30. Isso se a pessoa estiver em um lugar alto, que dê para ver o horizonte a Sudeste e a Noroeste. Se estiver em um lugar mais baixo, tem que esperar um pouco mais e eles vão sumir um pouco antes”, explica o professor.

Ele acrescenta que só é possível visualizar os satélites pouco depois do nascer e do pôr do sol porque os objetos precisam ser iluminados pelo astro para serem vistos e, durante o dia, a luz na atmosfera impede a visão do satélite. 

Dicas 

Renato Las Casas dá algumas orientações para quem quiser apreciar a curiosidade da melhor maneira possível. A primeira, é começar a observação pelo menos uns 15 minutos antes do horário previsto, para que os olhos se acostumem ao céu, com a dilatação das pupilas.

“Eles estarão como um pontinho de luz muito pequeno. Para quem tiver um binóculo também é legal. O modelo 7x50 é ideal para observar. O telescópio não é ideal”, afirma. 

Usar aplicativos de bússola ou de observação do céu também pode ser útil. Las Casas indica o Stellarium, que funciona tanto no celular quanto em computadores.

Também existe o site Find Starlink, cujo criador permanece anônimo, que mostra a localização dos satélites da SpaceX. 

Pode chover

Quem quiser observar os satélites hoje à noite, além de se preparar, terá que contar com a sorte para que a previsão de chuvas isoladas, que persistiu durante toda a semana, mas sem precipitação na capital, não se cumpra nesta sexta em Belo Horizonte. Já em outras regiões do estado, a chance de chuva é ainda maior.

“Há condição para pancadas isoladas há vários dias, mas não estão acontecendo”, lembra a meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

“Para hoje à noite, a previsão é de céu nublado mais para o Sul e Zona da Mata. Aqui (na Grande BH) é de céu parcialmente nublado, com possibilidade de pancadas de chuva. Pode acontecer à noite ou na madrugada”, explica. 



No fim da manhã, a Defesa Civil de Belo Horizonte já divulgou um alerta de possibilidade de pancadas de chuva, com volume de 20 a 30 milímetros, válido até as 8h de sábado (29/1). 

Em outras regiões, pode ser que os satélites não sejam vistos, segundo Anete. “A frente fria está chegando ao sul de São Paulo. Mas, o problema é a pré-frontal, que começa a organizar o transporte de umidade, liberando as nuvens. A chance de fechar à noite existe. São Paulo não vai ver, nem Sul de Minas e Zona da Mata, a capital do Rio. Estamos longe dessas áreas”, comenta. 

“A primeira coisa que tem que fazer para ser astrônomo é aprender a conviver com isso sabe? Não deixar as situações frustrarem”, acrescenta Renato Las Casas sobre a instabilidade do clima. Na dúvida, não deixe de olhar para cima. 

Bonito, mas…

O especialista avalia que a passagem do trem de satélites hoje em BH, de uma ponta a outra do céu, será “inesquecível”, mas acredita que, a longo prazo, a constelação da SpaceX pode causar alguns problemas para a astronomia. 

“Por enquanto a gente acha bacana. Mas, se as coisas caminharem como estão, daqui a uns 10 ou 20 anos, a poluição do céu por satélites vai ser algo que incomodará muito. Já temos notícias de alguns trabalhos que tiveram que ser interrompidos. Tudo na astronomia é a luz. A gente faz a medida de determinado astro, constelação, entra uma luz e contamina tudo”, explica. 

Ele continua. “O Elon Musk já foi visto por todo mundo como um cara idealista, um bem-feitor da humanidade. Já tem algum tempo que o pessoal tem questionado o idealismo dele. Um dos motivos é essa constelação Starlink. Durante o projeto, ele falava que a refletividade desses satélites seria muito menor que a que temos observado. Essa que temos observado é intolerável. Com 1,9 mil satélites, por volta, já tem dado problema. Imagina quando tiverem 30 mil? E libera caminho para outras firmas colocarem 10 mil, 30 mil”, analisa.

A SpaceX anunciou que reduziria a refletividade dos satélites. Na semana passada, o site Gizmodo, dos Estados Unidospublicou uma matéria informando que, apesar da iniciativa, satélites do Starlink ainda aparecem como “feixes de luz” durante algumas observações, principalmente no crepúsculo. 

Além disso, em dezembro do ano passado, a China acusou os Estados Unidos de “ameaça grave” à segurança aos astronautas do país afirmando que a estação espacial Tiangong teve que executar "controles preventivos para evitar colisões" durante dois "encontros próximos" com os satélites Starlink da SpaceX em julho e outubro, de acordo com um documento enviado por Pequim este mês à agência espacial da Organização das Nações Unidas (ONU). 


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