Shirley Pacelli

– Não quero nem saber, não me conte. Lalalalalala...
Quase desesperado, Filipe Paulo Rhodes, sócio na empresa Lalubema, que desenvolve aplicativos e soluções mobile, se vê seguido – até na hora do almoço – por mentes brilhantes com ideias inovadoras. Isso começou a ser mais comum no ano passado, quando houve um crescimento estrondoso dos aplicativos e empreendedores de toda parte que vislumbram uma maneira de ganhar dinheiro fácil, a exemplo dos criadores do Angry Birds ou do Instagram.
Apesar do 1,76 bilhão de downloads ocorridos só na última semana de 2012, não é bem assim que a banda toca. Ganhar dinheiro no mercado de varejo é, até o momento, um caso de sorte e estratégia. “Toda semana batem três pessoas à minha porta pedindo para desenvolver de graça e, quando o produto deslanchar, virarmos sócios. As ideias, às vezes, são maravilhosas, mas o investimento tem que ser muito alto, por vezes de até R$ 400 mil ”, conta Filipe Rhodes. Em contrapartida, ele vê cifrões na área corporativa. Afinal, os empresários já têm seu público-alvo de colaboradores e clientes e estão decididos a investir em soluções de mobilidade.
A equipe da Lalubema é grande, tem 15 pessoas. Além dos desenvolvedores, há ilustradores e revisores. Dos nove aplicativos que tem no mercado, os que fizeram mais sucesso foram os das áreas de educação e religião, que totalizaram cerca de 50 mil downloads. Um dos desafios para obter sucesso no mercado, para Filipe, é atender as exigências dos consumidores. “Para o cliente baixar um aplicativo, não gostar e deletar é muito fácil e rápido”, afirma.
COMUNIDADE
Para discutir as perspectivas desse nicho, surgiu, em 2010, o Google Developer Group Belo Horizonte (GDGBH). São cerca de 500 inscritos, mas há, em média, 80 participantes ativos. Renato Mangini, que atualmente trabalha na Google, foi o criador da comunidade. Com a saída dele, o holandês Jacob van den Berg e Leonardo de Barros assumiram a liderança do grupo. Jacob trabalha como analista de sistemas desde 1997 e chegou ao Brasil em 2008. Segundo ele, infelizmente, os brasileiros estão atrasados quando o assunto é solução mobile. Falta mão de obra qualificada e até disponibilidade dos profissionais para dedicar-se à troca de informações em comunidades. Otimista, Berg acredita que daqui a cinco, seis anos o mercado de desktops será totalmente afetado pelo sucesso dos dispositivos móveis. “Não se vende só um aplicativo, mas um serviço que facilita a vida das pessoas”, diz. Apesar disso, ele reconhece que é preciso fazer um planejamento amplo para lucrar com a aplicação.
Já dizia a sabedoria popular que se conselho fosse bom, ninguém dava; vendia. Mas vá lá, é sempre bom pegar umas dicas com pessoas experientes no ramo quando se adentra um novo território. Assim, o Informátic@ conversou com outros desenvolvedores mobile de Belo Horizonte e conta os desafios e as vantagens desse mercado. Descubra ainda como serviços web nas redes sociais podem ser bons aliados da educação.
