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Estado de Minas JOGOS OLÍMPICOS DE TÓQUIO

Onze paratletas de Uberlândia garantem vaga nas Paralimpíadas de Tóquio

Uberlândia é a cidade mineira com o maior número de paratletas na delegação brasileira que vai para Tóquio


08/07/2021 18:32 - atualizado 08/07/2021 19:52

Uberlândia é a cidade mineira com mais representantes na delegação brasileira que vai para a Paralimpíada de Tóquio(foto: Kazuhiro Nogi/AFP )
Uberlândia é a cidade mineira com mais representantes na delegação brasileira que vai para a Paralimpíada de Tóquio (foto: Kazuhiro Nogi/AFP )
Com 11 paratletas convocados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Uberlândia é a cidade mineira que mais enviará representantes para a Paralimpíada de Tóquio'2021, que começa em agosto. Ao todo, 36 paratletas representam Minas Gerais na competição.
Lara Lima (halterofilismo), Mateus Carvalho (bocha) e Rodrigo Parreira (atletismo), paratletas de associações parceiras da Fundação Uberlandense de Turismo, Esporte e Lazer (FUTEL), garantiram a vaga na última terça-feira (6/7).

Eles se juntam aos outro oito paratletas que também representam Uberlândia e já estavam classificados para os Jogos de Tóquio – Jovanna Morais Costa, Oscar Carvalho, Vander Fagundes, João Pedro Brutus de Oliveira, Laila Suzigan Abate, Gustavo Carneiro Silva, Raphael Oliveira de Moraes e Alberto Martins da Costa.
 
Confira as cidades mineiras com paratletas convocados:
  • Uberlândia - 11
  • Belo Horizonte - 9
  • Coronel Fabriciano e Montes Claros - 2
  • Bocaiúva, Uberaba, Unaí, Ituiutaba, Jesuânia, Santa Luzia, Canapólis, Juiz de Fora, Medina, Capinópolis, Formiga e Ponte Nova - 1
 
A competição acontecerá entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro. 
 
Essa é a edição da Paralimpíada com a maior delegação já enviada pelo Brasil, com 253 paratletas. O presidente do CPB, Mizael Conrado, ao lado do vice-presidente da entidade, Yohansson Nascimento, e do diretor técnico Alberto Martins, apresentaram a delegação nessa semana.
 
“Foi muito trabalho, muito esforço, suor, muita superação. Vivemos um momento sem precedentes na história. Estávamos todos preparados há um ano, quando surgiu a pandemia e o sonho dos atletas foi adiado. A pandemia ainda continua, porém, esperamos que esteja rumando para o seu final e que os Jogos Paralímpicos sejam uma grande alavanca e representem uma recuperação dos nossos povos, já que o esporte significa resiliência e autoestima”, declarou Conrado, bicampeão paralímpico de futebol de cinco (Atenas 2004 e Pequim 2008).
 
Na última edição dos jogos, que ocorreram no Rio de Janeiro, em 2016, no quadro geral de medalhas o Brasil ficou no oitavo lugar, com 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze, totalizando 72 conquistas.

Lara Lima, paratleta do halterofilismo vai representar o Brasil em Tóquio(foto: foto: Prefeitura de Uberlândia/Reprodução)
Lara Lima, paratleta do halterofilismo vai representar o Brasil em Tóquio (foto: foto: Prefeitura de Uberlândia/Reprodução)

 

Trilhando o sonho

Lara Lima, hoje com 18 anos, tinha 10 quando começou a realizar práticas esportivas. Na época dos primeiros momentos de interesse pelo esporte, ela foi incentivada por uma psicóloga.
 
“Ela disse que conhecia um lugar que havia uma menina que viajava e tinha medalhas, aí eu quis saber mais a fundo”, conta Lara.
 
A paratleta do halterofilismo pegou o cartão do lugar e resolveu ligar para se informar melhor sobre o assunto. Antes mesmo de completar 11 anos, ela já treinava. E dali em diante, nunca mais parou.

Lara ocupa o oitavo lugar no ranking mundial de halterofilismo na categoria Até 41 kg. Com essa posição ela conseguiu garantir sua vaga para Tóquio.
 
Ao longo da carreira, a halterofilista tem diversas conquistas importantes. As mais recentes foram na Copa do Mundo de Halterofilismo da Geórgia, em maio, onde obteve duas medalhas: uma de ouro, na categoria Até 41 kg – Júnior, e uma bronze, na faixa adulta.
 
Nessa mesma edição, bateu o recorde das Américas na categoria Júnior ao levantar incríveis 90kg.
 
Determinada e objetiva, Lara conta que se você sabe o que realmente quer para a sua vida e quando se faz por amor, o caminho se torna menos complicado.
 
“Nada e nenhuma pressão vai te fazer desistir, e quando algo vir e você pensar que não vai dar conta, é só imaginar o que você quer ter no futuro e quem você quer ser”, afirma.

A sensação para Lara é a melhor que há para sentir. De acordo com ela, não é apenas uma convocação, é toda uma vida. “A honra de poder representar o país na competição mais importante do mundo é muito bom e traz enorme responsabilidade, tudo se mistura”, explica.
 
Dedicação, foco e ansiedade existem, mas a competidora é acompanhada até hoje por um psicólogo para que nada atrapalhe seu caminho. Ela garante que irá realizar um ótimo trabalho e trazer um bom resultado para o Brasil.
 
Mesmo com todo esse preparo, a pandemia causada pelo novo coronavírus impactou a vida de Lara, assim como de milhares de atletas. 
 
“O ciclo paralímpico dura quatro anos, e é claro que começamos a nos preparar para este evento muito antes. Com a pandemia, o ciclo que duraria quatro anos, acabou virando cinco e, com isso, as incertezas acabaram dificultando muito o início”, diz Lara.
 
O cuidado psicológico precisou ser maior, mas ela é categórica: “As expectativas estão altas de melhorar minha marca pessoal, e quem sabe trazer uma medalha para o Brasil, seria um sonho”.

Mateus Carvalho é um dos classificados para os Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2021(foto: Associação Nacional de Desporto para Deficientes/Divulgação)
Mateus Carvalho é um dos classificados para os Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2021 (foto: Associação Nacional de Desporto para Deficientes/Divulgação)

Da natação para a bocha

Para Mateus Carvalho, paratleta da bocha, mas que iniciou no esporte pela natação, tudo começou em 2006, quando disputou sua primeira competição, aos 13 anos.
 
Desde pequeno, Carvalho tinha intimidade com a água por realizar hidroterapias. Próximo a 2002, filiou-se em uma instituição para pessoas com deficiência (PCD) e foi lá que conheceu sua primeira professora. Ela fazia um trabalho voluntário no local.
 
Depois de uma certa insistência, o paratleta foi convencido a participar de uma competição de natação que aconteceria na cidade. Foi aí que Carvalho começou a treinar mais duro e se envolveu no esporte de alto rendimento.
 
“Fiquei na natação até 2012, ano que iniciei na bocha”, explica.

Em 2010, durante uma edição das paralimpíadas escolares, uma amiga que estava trabalhando como classificadora funcional levou Mateus para conhecer a bocha.
 
O primeiro contato não despertou muito interesse.
 
Só dois anos depois, bem desmotivado com a natação por não conseguir ter um rendimento bom e com alergia ao cloro, o paratleta decidiu abandonar as piscinas. Ele não queria deixar a vida de atleta, competir fazia parte de quem ele era.
 
Um tempo depois, ele retomou o contato com a amiga que havia lhe apresentado o esporte. Dessa vez, o olho brilhou e o interesse foi maior.
 
“Desde a minha primeira convocação para a Seleção Brasileira de bocha, em 2015, sempre sinto uma emoção imensa em representar o país”, comenta o paratleta.
 
Carvalho já levou ouro nos pares em Defi Sportif Atergo Montreal, em 2015, nos Jogos Paralímpicos Universitários, em 2018, no Parapan, em 2019, e na Copa América, também em 2019.

Cair, persistir e nunca desistir, poderia ser um mantra para todo atleta, mas competir é para poucos. Em 2016, Mateus era um dos cotados para os Jogos do Rio. E ficou de fora.
 
“Acredito que essa frustração que passei, me ensinou muito. Hoje estou mais preparado para tal missão”, completa Carvalho.
 
Para ele, a pressão faz parte da vida de atleta. E, com o passar do tempo, as pessoas aprendem a lidar com certas questões. O maior desafio é a auto cobrança, e nesse ponto ele procura evoluir.
 
As expectativas para os Jogos de Tóquio são altas, e o paratleta da bocha busca desempenhar o melhor trabalho já feito por ele. “Divertir com a competição e aprender mais sobre a bocha é algo que tenho como objetivo a cada competição”, explica.

Rodrigo Parreira (centro), foi prata no Rio em 2016.(foto: foto: Arquivo Pessoal/Redes Sociais/Reprodução)
Rodrigo Parreira (centro), foi prata no Rio em 2016. (foto: foto: Arquivo Pessoal/Redes Sociais/Reprodução)
 

Início no esporte como diversão 

Rodrigo Parreira tinha só 5 anos quando se interessou pelo esporte. Ele via aquilo como uma diversão, igual toda criança quando começa a se envolver em práticas esportivas.
 
Tudo mudou em 2013. Sempre que a mãe pedia para ele ir ao mercado ou à padaria, ele ia correndo. Surpreendida pela rapidez do garoto, ela o incentivou a começar algum esporte.

A oportunidade surgiu quando mãe e filho viram na televisão que haveria uma seletiva para atletas paralímpicos no município.
 
Parreira e sua mãe foram até o local informado e ele tentou se encaixar em várias modalidades, como futebol, basquete e até lançamento de dardo. Porém, foi no atletismo que se encontrou.
 
“Agora é de onde tiro meu sustento, da minha esposa e meu filho”, comenta o esportista.
 
Os treinos são fortes para Rodrigo Parreira. A pressão é grande, é treino atrás de treino, dores, cobrança e autocobrança. Erguer a cabeça e olhar para o passado para entender como chegou até esse momento é importante para ele.
 
Desistir nunca foi uma opção. O nervosismo é algo que faz parte, a responsabilidade de levar o nome do seu país é muito importante. “O menino que não iria andar e iria depender da mãe para tudo está indo a caminho da sua segunda paralimpíada, dessa vez, para fazer história”, afirma Parreira.
 
Poder representar o Brasil em Tóquio para Parreira é gratificante. Ele levou a medalha de prata no salto em distância e a de bronze nos 100m rasos em 2016. Segundo ele, a sensação é dividida em duas: uma parte pela conquista da classificação, e a outra que será cumprida na cidade japonesa.
 
“Vou para esse evento com o coração cheio de gratidão, me preparo para quebrar o recorde mundial e alcançar o lugar mais alto no pódio. Tenho me dedicado nessa expectativa, focado nisso. Sei que sou capaz”, comenta.

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