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Estado de Minas FUTEBOL MINEIRO

Coronavírus: Governos não se entendem sobre o retorno do futebol

Presidente Bolsonaro pede à CBF que autorize a volta do futebol aos gramados, opinião compartilhada pelo governador Zema. Mas o prefeito Kalil disse que em BH por enquanto não


postado em 01/05/2020 04:00 / atualizado em 30/04/2020 23:03

Enquanto políticos e dirigentes discutem se o futebol retorna ou não aos gramados, o Mineirão permanece de portas fechadas(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Enquanto políticos e dirigentes discutem se o futebol retorna ou não aos gramados, o Mineirão permanece de portas fechadas (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

 

 Apesar de a CBF ter iniciado um leve movimento, a pedido até mesmo do presidente Jair Bolsonaro, para a retomada do futebol no Brasil, em meio à pandemia do novo coronavírus, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, garantiu que não permitirá jogos na cidade em período curto de tempo. Enquanto isso, o presidente da Federação Mineira de Futebol, Adriano Aro, e o governador de Minas, Romeu Zema, se reuniram para definir protocolo de segurança que permitirá a volta aos gramados.

 

Em entrevista ao programa SportsCenter, da ESPN Brasil, o prefeito e ex-presidente do Atlético disse que está amparado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como responsável por definir os rumos da gestão municipal. Questionado sobre a possibilidade de BH voltar a receber jogos de futebol, ele foi taxativo e disse que não permitirá tão cedo a prática do esporte na cidade.

 

“Aqui em BH, para voltar com o futebol, a FMF terá que conversar com o prefeito, que é quem manda na cidade e proibiu eventos. Aqui não vai abrir, a não ser que a Justiça mande. O prefeito não vai abrir, aqui não tem futebol. De acordo com o STF, quem manda na cidade é o prefeito. Se eles quiserem jogar na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, aí tudo bem. Aqui em BH ninguém vai jogar”, reforçou o chefe do Executivo municipal.

 

Ontem, o presidente da FMF, Adriano Aro, se reuniu com o governador Romeu Zema, para discutir plano de retomada no futebol no estado. Questionado sobre o assunto, Kalil manteve o posicionamento e até aproveitou para criticar os que defendem o relaxamento do distanciamento social, com a flexibilização para reabertura do comércio nas cidades.

 

“Falar em voltar alguma coisa agora, como o futebol, que envolve muita gente, pelo menos 200 pessoas em uma partida, além de mais 11 caras que vão se estapear dentro de campo, é um descolamento total da realidade. Ninguém sabe o que é corpo em saco plástico. Pensar em futebol, agora, é coisa de débil mental”, afirmou o prefeito.

 

A reação do prefeito Kalil veio logo após a divulgação do encontro entre o governador de Minas, Romeu Zema, e o presidente da Federação Mineira de Futebol, Adriano Aro, que anunciou a parceria para a criação de um protocolo de segurança que visa ao retorno do futebol no estado. Os clubes que participam dos Módulos I (Primeira Divisão) e II (Segunda Divisão) do Campeonato Mineiro também vão integrar comissão que vai trabalhar na formatação do plano de retomada.

 

“A Federação Mineira vem trabalhando em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde para formatarmos um protocolo de segurança que permita de fato o retorno do futebol em Minas. Ficou definido que o próximo passo é a criação de uma comissão que envolva também os clubes que participam dos campeonatos para que, em consenso, possamos fechar um modelo único de protocolo de segurança”, explicou.

 

O presidente da FMF disse ainda que o protocolo seguirá as recomendações dos órgãos de saúde do estado e também do Ministério da Saúde, além da administração municipal. Ele afirmou que o governador considera imprescindível a aprovação e a participação do Ministério da Saúde e dos municípios na retomada do futebol. “O governador se mostrou favorável ao retorno, desde que obedecidas as condições mínimas de segurança, o que vai no sentido de aguardar a manifestação dos órgãos de saúde federal e municipal”, frisou.

 

PRESIDENTE Em entrevista a rádio Guaíba, de Porto Alegre, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a volta do futebol aos gramados, pois, segundo ele, “as chances de os jogadores jovens morrerem de COVID-19 é infinitamente pequena”. Sem citar nenhum estudo científico, o presidente disse que o Ministério da Saúde e a Anvisa devem emitir parecer favorável ao retorno das partidas sem a presença de torcida. Mais uma vez ele usou o argumento de que os jogadores precisam trabalhar para sustentar suas famílias e “como são jovens e fortes, correm risco menor de serem acometidos pela doença”. Bolsonaro acrescentou que não será ele que decidirá pelo retorno do futebol aos estádios, mas informou que tem o parecer favorável do Ministério da Saúde e da CBF.

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