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Estado de Minas

Tarde de quatro heróis

Mesmo sem apresentar bom futebol e até passando sufoco diante do Uberlândia, Cruzeiro volta a vencer na reestreia de Moreno e retorna ao G-4. Fábio salva em pênalti no fim


postado em 02/03/2020 04:00 / atualizado em 01/03/2020 23:26

Moreno comemora o 2 a 1 com Arthur, que assegurou o triunfo celeste após jejum de quatro jogos(foto: fotos: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Moreno comemora o 2 a 1 com Arthur, que assegurou o triunfo celeste após jejum de quatro jogos (foto: fotos: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)




Juntos. Todos juntos. Arquibancada, campo e bastidores. A sintonia fina que o Cruzeiro tem de encontrar, obrigatoriamente, começa com um Campeonato Mineiro bem disputado, se possível, na briga pelo título, como sempre foi. Ontem, pela sétima rodada, no Mineirão, diante do Uberlândia, a Raposa, liderada pelo 'estreante' Marcelo Moreno, teve dia de vitória no sufoco: 2 a 1, depois de sair na frente, sofrer  o empate, vibrar de novo com a vantagem e se assustar com um pênalti desperdiçado pelo adversário. Foi o fim do jejum de quatro jogos sem vencer e a volta ao G-4. Mas o futebol está longe de convencer. E houve vaias.

Quando a bola rolou, o destino parecia ser outro. Aos 8min, Marcelo Moreno, na terceira passagem pelo clube depois de cinco anos, quase surpreendeu o goleiro Rafael, que por pouco não teve a bola roubada. Aos 11min, o boliviano driblou um defensor e deu assistência perfeita para Pedro Bicalho: 1 a 0. Até então, o Cruzeiro tinha atuação burocrática, dominava, mas com excesso de faltas para matar as jogadas e sem facilidade para armar.

A formação de três volantes adotada pelo técnico Adilson Batista deu resultado. Ao insistir que o trio Filipe Machado, Jadsom e Pedro Bicalho se apresentasse na área quando possível, o resultado foi o gol. Em desvantagem, o Uberlândia acabou cedendo mais espaço para o time celeste, que criou boas chances e teve dois gols anulados por impedimento. Ao mesmo tempo, em duas desatenções de João Lucas, muito vaiado pela torcida, o time do Triângulo conseguiu ameaçar o gol de Fábio. Mas faltava pontaria.

O jogo celeste ficou concentrado pela esquerda. Porém, a articulação entre meio campo e ataque não fluía. Às vezes, a única saída era a bola alçada na área. O duelo acabou ficando amarrado, fraco tecnicamente, com erros de passes dos dois lados.

A chuva desanimava ainda mais. E a torcida cruzeirense não parecia tão inflamada, se manifestando em momentos pontuais. O lance de maior perigo só ocorreu aos 40min,  com Fábio cedendo escanteio. O Uberlândia, além de apostar em chutes de fora da área, encontrava espaço na defesa celeste, mas falhava no último passe.
 
 
Com assistência de Moreno, Pedro Bicalho abriu o caminho da vitória no Mineirão
Com assistência de Moreno, Pedro Bicalho abriu o caminho da vitória no Mineirão
 
PRESSÃO 

No segundo tempo, o Uberlândia adiantou o time, pressionava o Cruzeiro, que tentava explorar o contra-ataque. Marcelo Moreno, mais do que finalizar, participou bem puxando o contragolpe e distribuindo o jogo no ataque.

Mas o jogo virou rapidamente. Aos 12min, a ousadia do time visitante deu resultado. Fábio Alves cobrou escanteio e Jhulliam subiu sozinho para marcar de cabeça. E por pouco o Uberlândia não virou. Já a Raposa, voltou a errar, falhando na articulação e facilitando o desarme adversário. Sem jogadas pelas laterais, a bola não chegava em Marcelo Moreno para finalizar.

No fim, aos 43min, o zagueiro Arthur resolveu: escorou de cabeça bola de escanteio. O time azul, porém, ainda se assustaria com pênalti cometido por Valdir em Wandinho nos descontos, defendido por Fábio em fraca cobrança de Diogo Peixoto. Foi a 29ª defesa do goleiro em penalidades, se juntando a Moreno, Pedro Bicalho e Arthur como os heróis da tarde.
 
 
Já nos descontos, goleiro cruzeirense defendeu sua 29ª penalidade
Já nos descontos, goleiro cruzeirense defendeu sua 29ª penalidade
 
Pedro Bicalho festejava o gol que abriu a vitória: “É um momento inexplicável, porque no ano passado estava assistindo da arquibancada. Hoje estou jogando ao lado de craques como Marcelo Moreno e a experiência do Leo”.
  
Mesmo admitindo uma partida abaixo do esperado, Adilson Batista exaltou o resultado e pediu paciência aos torcedores ao apostar em evolução. “Enaltecer a entrega, o empenho, reagir com os erros, ter discernimento para corrigir com trabalho. Dia 7 serão dois meses no clube. Tem de ter calma, vão errar, não tenho data de quando tudo funcionará. Estou confiante no que vejo no dia a dia. Peço a compreensão para o time chegar no momento de ter a cara do Cruzeiro".
 
 
 

Fala, cruzeirense

o novo cruzeiro inspira confiança?

 
 
(foto: fotos: Juarez Rodrigues/EM/D.A PRESS)
(foto: fotos: Juarez Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Cristiano Duarte
44 anos, 
vigilante
 
“Não há reforços. Ainda que 
a chegada do Moreno seja animadora, precisamos de 
mais jogadores. Sou um cruzeirense realista. Portanto, não acredito que o time consiga voltar para a Série A em 2021. Pela qualidade nos jogos do Cruzeiro até agora, não é animador”
 





Rinaldo Dornelas
58 anos, representante comercial

“Time jovem, de menino, é o maior receio. Mas temos a experiência de Robinho, Moreno, Leo, Edílson e Fábio para mesclar e alcançar os objetivos. Aposto no apetite dos meninos em aparecer, com o sonho de abrir as portas do futebol. A experiência virá com o tempo. O Campeonato Mineiro é laboratório”
 
 
 
Wagner Ulhoa
53 anos, diretor de operações

“Receoso com a formação do time, mas confiante no comando do Adilson Batista, na diretoria para resolver os problemas extracampo e vamos subir para a Série A. O Mineiro é preparação, não é obrigação ganhar. Preparar para não ter susto na Série B. Mas precisamos de três reforços. A Série B é diferente, tem mais força e pegada” 
 
 
 
Lúcio Medeiros
46 anos, engenheiro mecânico

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