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Estado de Minas

Apaixonadamente rivais

Se o clássico divide o estado em preto e azul, o mesmo acontece com casais de atleticanos e cruzeirenses, que até evitam assistir ao jogo juntos. Mas, no final, tudo acaba bem


postado em 04/08/2019 04:07

 Daniel lembra, com bom humor, que nunca mais levou sua namorada, Maria Emília, para assistir ao clássico com ele e seus amigos depois da final do Mineiro de 2018.
Daniel lembra, com bom humor, que nunca mais levou sua namorada, Maria Emília, para assistir ao clássico com ele e seus amigos depois da final do Mineiro de 2018. "Meus amigos pediram para ela não voltar." A cruzeirense comemorou o título em meio a 15 atleticanos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

 

Se o amor é cego, como diz o poeta, ele não se importa também com o clube de futebol preferido da cara-metade. Ou não deveria, apesar de que, quando se trata de atleticanos e cruzeirenses, há necessidade de se fazer algumas concessões para que o relacionamento siga em frente. Entre eles está não ver clássicos juntos, como farão hoje alguns casais, a partir das 19h, quando Galo e Raposa escreverão mais um capítulo da quase centenária história do duelo.


“Em dia de clássico a gente nem conversa. No máximo damos um boa-noite”, diz a cruzeirense Maria Emília de Abreu Chaves, que há três anos namora o atleticano Daniel Matos Soares de Oliveira. Desde o início do romance, ele abriram exceção na final do Campeonato Mineiro de 2018: ela foi para a casa do namorado, sendo a única celeste entre 15 alvinegros. “Gritei Cruzeiro no meio deles”, rememora, satisfeita, a fisioterapeuta. “Nunca mais ocorreu (de assistirem clássico juntos), até porque meus amigos pediram para ela não voltar”, diz o empresário, com bom humor.


O mesmo ocorre com o vendedor técnico Geovane Couto, de 26 anos, e a coordenadora de trade marketing Marcela Roquete, de 29. Casados há um ano e meio e juntos desde 2010, eles já se habituaram a ver o clássico em locais diferentes. “Os nervos ficam à flor da pele e optamos por não assistir juntos ao jogo. A Marcela não sabe perder. Já era para ela ter se acostumado, mas parece que não”, brinca Geovane, que é sócio-torcedor do Cruzeiro e costuma ir a todos os jogos da equipe.


A rivalidade é tanta dentro de casa que eles já até terminaram o relacionamento por causa do clássico. Marcela afirma que a convivência gradativamente foi ficando mais harmoniosa quando um começou a entender o outro. “Antigamente, no início do namoro, dava alguns problemas porque eu sou fanática com o Galo e ele é muito cruzeirense. Dava aquele choque. E eu não aceito perder e costumo apelar um pouco. Com o tempo, aprendemos que não podemos provocar um ao outro. Já até combinamos.”

PROGNÓSTICO

 

Para o jogo de hoje, a confiança de atleticanos e cruzeirenses segue a toda. Pelo lado alvinegro, o motivo é o melhor momento do Galo, que acaba de confirmar classificação às quartas de final da Copa Sul-Americana batendo o Botafogo duas vezes. Já os cruzeirenses lembram que em clássicos as forças costumam se equiparar, independentemente de fase ou desfalques – o técnico Mano Menezes poderá poupar alguns titulares pensando no jogo com o Internacional, quarta-feira, pelas semifinais da Copa do Brasil, que se tornou prioridade depois da eliminação na Copa Libertadores, pelo River Plate.
“Apesar da eliminação, estou confiante, pois precisamos da vitória para reagir no Brasileiro. O Atlético já ajudou a levantar o Cruzeiro em outras ocasiões e isso vai ocorrer novamente”, afirma Maria Emília. “Sairemos vencedores, pois, além de o Cruzeiro ter desfalques e estar mal, o jogo será no Independência, onde o Galo é muito forte”, declara Daniel.


Geovane também se mostra bem otimista em vencer o Galo no Independência: “Clássico é clássico. Acredito que venceremos com time misto no Horto por 1 a 0, como o Mano gosta, para chegar na quarta-feira com moral. O Cruzeiro é muito grande, mas vive o pior momento da história com essa crise financeira. Mas temos grande expectativa de levar a Copa do Brasil novamente e reorganizar o caixa”.


Marcela diz que a discussão em torno do clássico ficará somente até o apito do árbitro: “Tenho certeza de que o Galo vai ganhar. Costumamos até tentar acertar o placar. Eu, como esposa boazinha, sempre falo que o Cruzeiro vai fazer um gol, mas vamos vencer por 2 a 1. A rivalidade fica somente até o fim do jogo. Depois, tudo volta ao normal”. Independentemente do resultado, eles concordam tratar-se apenas de futebol. A partir de segunda-feira, a rotina é retomada e amor e respeito continuam, às vezes até mais fortes. “Isso é o mais importante”, argumenta Maria Emília.


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