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Estado de Minas

Aposentadoria doída

Adílson anunciou ontem o fim de sua carreira dentro das quatro linhas. O volante tem cardiomiopatia, doença que o impede de continuar jogando. Mas ele permanecerá no Atlético


postado em 13/07/2019 04:08

O lateral-direito Patric abraça Adílson quando o volante se emociona ao falar da filha que está para nascer(foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
O lateral-direito Patric abraça Adílson quando o volante se emociona ao falar da filha que está para nascer (foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


Habituados a uma vida intensa de glamour e com muita badalação, os jogadores de futebol também vivem situações complicadas e de pura emoção. O volante Adílson passou ontem pelo momento mais difícil em mais de uma década de carreira ao, surpreendentemente, anunciar de forma precoce sua aposentadoria dos gramados por sério problema cardíaco que o impede de continuar atuando profissionalmente. De acordo com os médicos do Atlético, o jogador teve detectada uma cardiomiopatia, doença considerada hereditária, apontada depois de uma série de exames feitos no período de intertemporada.

A derrota para o Cruzeiro por 3 a 0, no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, acabou ficando em segundo plano. O discurso de pouco menos de cinco minutos de Adílson foi acompanhado pelo grupo de jogadores do Galo. Ao falar do nascimento da filha, Manoela, previsto para este mês, o jogador não conteve a emoção e chorou – foi abraçado pelo lateral-direito Patric. Ao lado do volante, estavam presentes o diretor de futebol Rui Costa, o médico ortopedista Rodrigo Lasmar e o cardiologista Haroldo Aleixo, que o auxiliou nos últimos dias.

Amparado pela diretoria, Adílson seguirá no clube em função ainda não determinada. O contrato do volante foi renovado recentemente até dezembro de 2020. Ele se colocou à disposição para ajudar no que for necessário no Galo: “Quero tranquilizar todos, minha família, amigos. Não tive nenhum tipo de reação física nesse processo. Estava bem e me preparando para o clássico, mas a questão é assintomática, mais técnica. Mas minha vida vai seguir no dia a dia do clube, que manifestou vontade de eu permanecer, colaborando da melhor forma possível. Só tenho a agradecer”.

Ele sabe que será difícil administrar a situação daqui para a frente, mas diz que vai se apoiar nos companheiros no dia a dia: “Achei que seria mais fácil falar alguma coisa. Minha família está sofrendo, todos estão sofrendo. Respeitem todo esse processo como vocês têm me respeitado até hoje. Agradeço todo esse respeito. A vida vai seguir, com filha chegando. Vou estar aqui junto dessa rapaziada, que eu tenho como irmãos e acredito muito neles. Eles são a última chance que tenho de ganhar um troféu grande. Ainda tenho essa chance e confio muito neles. Vou estar aqui nesse processo, ganhando ou perdendo”.

Adílson fez dois gols pelo Atlético e estava prestes a completar 100 jogos – incluindo dois que fez na Florida Cup do ano passado, quando o Galo mandou a campo uma formação Sub-23. Seu único título pelo alvinegro foi o Campeonato Mineiro de 2017, sob o comando do técnico Roger Machado. Ele foi contratado meses antes, depois de passagem de cinco anos pelo futebol russo. O jogador foi revelado pelo Grêmio em 2007, tendo como maior feito o vice-campeonato da Copa Libertadores naquele ano.

Segundo o diretor de futebol Rui Costa, a vontade de permanecer no clube foi demonstrada pelo próprio jogador: “A questão contratual do Adílson é secundária. A determinação do presidente é de que o lado pessoal seja o mais importante. Ele estará conosco por opção dele e por pedido nosso. Vai experimentar situações que possam deixá-lo conosco. Ele pode seguir na comissão técnica, estar no meu lugar, mas o importante é seguir conosco”.

Apoio rival Logo que anunciou o fim de carreira, Adílson recebeu homenagem do arquirrival, Cruzeiro, nas redes sociais. “O Cruzeiro lamenta e manifesta a sua solidariedade ao atleta Adílson, do @atletico, que hoje encerrou de forma precoce a sua carreira! #ForçaAdilson”. O volante, por coincidência, teve a primeira chance nos profissionais do Grêmio com Mano Menezes, técnico celeste.

O goleiro Fábio também falou sobre o drama do jogador: “Parar de jogar futebol é sempre difícil, ainda mais de forma inesperada como é o caso dele. Todos no Cruzeiro ficaram tristes e torcemos para que ele possa ter fé acima de tudo, que possa superar as adversidades e aproveitar bastante a família, que é o bem mais precioso que temos. Amizade é sempre importante, respeito ao companheiro também, mesmo que seja de outra equipe”. (Com Paulo Galvão)


PALAVRA DE ESPECIALISTA
Doença hereditária
“É uma doença herdada hereditariamente e se manifesta ao longo da vida, podendo ser mais cedo ou mais tarde. Em alguns casos, a doença nem é expressada. Há uma formação de fibras musculares de forma inadequada, então o coração começa a produzir e hipertrofiar em alguns segmentos, de forma heterogênea. Essa hipertrofia da doença, não do atleta, é potencialmente geradora de arritmia no esforço. Como bomba, é um coração absolutamente normal”.


OUTROS CASOS DE JOGADORES QUE TIVERAM PROBLEMAS CARDÍACOS

Washington
Com boas passagens por Fluminense e Athletico, o atacante passou por cirurgia para desobstruir uma artéria nos tempos de Fenerbahce (TUR). O jogador passou por cateterismo e angioplastia em 2002, mas persistiu atuando e até foi artilheiro do Brasileiro em 2004, com 34 gols, recorde até então. Ganhou o apelido de “Coração Valente”.

Fabrício Carvalho
A exemplo de Washington, o jogador voltou aos gramados em 2007, pelo Goiás, três anos após ter detectada uma arritmia cardíaca no período em que defendeu o São Caetano (tinha 31 anos na época)

Éverton Costa
O atacante que passou por Santos e Vasco anunciou o fim da carreira em 2014, aos 28 anos, depois do jogo contra o Resende pela Copa do Brasil, quando defendia o time do Rio. Ele passou por cirurgia para colocar marca-passo.

Renato Abreu
O armador passou por cirurgia para corrigir uma taquicardia no ventrículo direito  em 2012, quando estava no Flamengo. Ainda jogou a temporada seguinte pelo Santos antes de se aposentar

Casillas
Campeão mundial em 2010 com a Espanha, o goleiro de 38 anos teve diagnosticado um infarto do miocárdio depois de se sentir mal num treino do Porto. Ele fez um cateterismo cardíaco e não deve mais atuar na temporada

Fabrici Muamba
Revelado pelo Arsenal, o então volante se aposentou precocemente ao ter mal súbito numa partida pelo Bolton, em 2012. Depois do colapso, ele anunciou que deixaria o futebol

Diogo Mucuri
O volante se sentiu mal durante um treino na Toca da Raposa II. Ele foi socorrido pela equipe médica do Cruzeiro e encaminhado ao hospital. Mucuri não pôde continuar na profissão e deixou os gramados aos 20 anos.

Serginho
O zagueiro do São Caetano teve um mal súbito e caiu em campo em partida contra o São Paulo, em 2004. Socorrido no gramado, ele morreu uma hora depois no hospital. A causa da morte foi uma hipertrofia miocárdica.

Marc-Vivien Foé
O volante de 28 anos teve colapso cardíaco e morreu em campo na vitória de Camarões sobre a Colômbia, pela semifinal da Copa das Confederações de 2003. Posteriormente, foi revelado que Foé sofria de cardiomiopatia hipertrófica

Miklós Fehér
O atacante húngaro teve um mal súbito enquanto defendia o Benfica na partida contra o Vitória de Guimarães, em 2004. Relatório médico apontou cardiomiopatia hipertrófica, relacionado com o músculo do coração, como causa da morte do jogador de 24 anos.


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