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Estado de Minas

Divórcio à vista

Se a relação entre Neymar e PSG já não ia muito bem, a chegada de Leonardo à direção do time francês parece que vai acelerar o rompimento, três anos antes do término do contrato


postado em 10/07/2019 04:08

Neymar deveria ter se apresentado ao time francês segunda-feira, mas alega ter avisado há mais tempo que se atrasaria. Imprensa espanhola especula a volta ao Barcelona(foto: Anne-Christine POUJOULAT/AFP - 21/4/19)
Neymar deveria ter se apresentado ao time francês segunda-feira, mas alega ter avisado há mais tempo que se atrasaria. Imprensa espanhola especula a volta ao Barcelona (foto: Anne-Christine POUJOULAT/AFP - 21/4/19)


Paris – “Está claro para todo mundo que ele quer ir embora”, afirmou o diretor esportivo do Paris Saint-Germain, Leonardo, ao jornal Le Parisien, ontem. O divórcio parece consumado entre PSG e Neymar, após as duas piores temporadas da carreira do brasileiro, marcadas por lesões, fracassos esportivos e uma difícil adaptação ao Campeonato Francês.

A imprensa esportiva espanhola se delicia com a ausência de Neymar na volta aos treinos do PSG, marcada para segunda-feira, em meio à novela sobre uma possível volta do atacante para Barcelona. “Ele desafia o xeque”, escreveu o diário Marca, referindo-se aos donos cataris do clube francês. Já o Sport cita uma “Guerra total Neymar-PSG” e o Mundo Deportivo a “Guerra PSG-Ney”. Segundo o Marca, “a atitude de Neymar” é “uma declaração de guerra ao PSG para obter sua saída do clube e sua transferência ao Barcelona, desejo que o brasileiro nunca escondeu”.

Mas por que Neymar quer ir embora quando ainda restam três anos de contrato com um salário mirabolante, estimado em 30 milhões de euros anuais? Primeiramente, devido ao fato de que estas foram suas duas piores temporadas na carreira após sofrer seguidas lesões no pé que o privaram de disputar os jogos mais importantes. Ao deixar o Barça para atuar no PSG, Neymar queria sair da sombra de Messi para ganhar a Bola de Ouro. Agora, nunca esteve tão longe desse objetivo, depois de nova temporada decepcionante que se encerrou com mais uma lesão e a ausência na Copa América, vencida pelo Brasil sem ele.

Estaria Neymar cansado do Campeonato Francês e de suas partidas fisicamente exigentes? Em fevereiro, seu pai, que também é seu empresário, desabafou na TV francesa, reclamando de árbitros “que não apitam as faltas”. “Não é o campeonato que é um problema, é a arbitragem que precisa proteger o jogador de futebol”, criticou.

Sem sua estrela, o PSG foi eliminado duas vezes seguidas nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Apesar dos investimentos colossais feitos para trazer Neymar e Kylian Mbappé em 2017 (222 e 180 milhões de euros respectivamente), o projeto parisiense de domínio europeu não parece evoluir, pelo contrário, parece andar para trás desde que o clube chegou às quartas de final da Champions, em 2015 e 2016.

Nesta temporada, a eliminação em casa nas oitavas de final diante de um enfraquecido Manchester United (3 a 1) foi o golpe de misericórdia. Ausente nessa partida por contusão, Neymar recebeu suspensão de três partidas na competição por criticar a arbitragem, punição que lhe fará perder metade da fase de grupos da Liga dos Campeões em setembro/outubro.

Seria a marca Neymar grande demais para o PSG? O ex-atacante Ronaldo já havia afirmado em janeiro de 2018 que a saída do Barcelona para jogar no clube parisiense era “um passo para trás” no plano esportivo. “Eu jogava no Barça, mas eu saí para jogar na Inter de Milão quando o Campeonato Italiano era muito mais competitivo”, argumentou o Fenômeno.

O clube francês sempre teve dificuldades para lidar com Neymar, estrela de alcance mundial. A fragilidade do relacionamento entre o PSG e o jogador ficou visível já na primeira temporada, após a grave lesão no pé, que o atacante preferiu tratar no Brasil – a cirurgia foi feita em Belo Horizonte com o médico da Seleção Brasileira e do Atlético, Rodrigo Lasmar –, de olho na Copa do Mundo que se aproximava.

Mudança de tom Mas o PSG decidiu mudar seu discurso. Para relançar o clube no cenário internacional, os dirigentes cataris chamaram de volta Leonardo para reassumir a direção esportiva, cargo no qual o ex-jogador brilhou entre 2011 e 2013 em Paris. E Leonardo já mostrou a nova mentalidade do clube em entrevista ao Le Parisien: “Não precisamos de jogadores que estariam fazendo um favor ao clube ao ficar aqui (...) Não conheço um clube que ganhou em longo prazo com um jogador maior do que a entidade. Para que um clube possa avançar, é preciso ter controle sobre tudo, inclusive sobre os jogadores mais importantes”.

Leonardo também lembrou que o PSG não tem proposta por Neymar, somente contatos muito superficiais com o Barça. Qualquer que seja o clube, este precisará lidar também com os problemas fora de campo de Neymar, que responde a uma acusação de estupro no Brasil. O atacante nega as acusações.


ENQUANTO ISSO...
...Bartomeu não confirma negociação
Ao ser questionado ontem sobre a situação de Neymar em relação ao Barcelona, Josep Maria Bartomeu, presidente do clube catalão, assegurou não ter havido evolução. “Tudo segue igual”, disse o dirigente, que já havia negado rumores de que o vice-presidente Jordi Mestre teria deixado o cargo no Barça por não concordar com um possível retorno do brasileiro. “A saída de Mestre não tem nada a ver com Neymar. Houve discrepâncias com a área esportiva e que, junto de outros motivos, levaram à sua saída. Eu o agradeço muito (...) Sabemos que Neymar quer sair do PSG, mas também sabemos que o PSG não quer que ele saia”, afirmou Bartomeu.


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