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Depois de seis anos de jejum de troféus, Brasil conquista a competição com a vitória sobre o Peru. Em tarde inspirada, Gabriel Jesus e Éverton comandam o 3 a 1 no Maracanã


postado em 08/07/2019 04:06

Daniel Alves ergue o troféu de campeão: festa no Maracanã, coroando a trajetória invicta da Seleção Brasileira na competição(foto: CARL DE SOUZA/AFP)
Daniel Alves ergue o troféu de campeão: festa no Maracanã, coroando a trajetória invicta da Seleção Brasileira na competição (foto: CARL DE SOUZA/AFP)
 
 
Rio de Janeiro – O Brasil tem nove sinfonias na história da Copa América. A nona partitura foi escrita ontem por um treinador que tem sobrenome parecido com o de um compositor alemão famoso – Adenor Leonardo Bachi – com um futebol desafinado ao longo das seis apresentações, mas suficientemente ajustado para derrotar o Peru por 3 a 1 com um jogador a menos desde os 24 minutos do segundo tempo no Maracanã e arrancar gritos de “o campeão voltou” da plateia de 69.906 torcedores presentes no ex-maior do mundo, com direito à maior renda da história do país: R$ 38.769.850. E confirmou-se ainda a hegemonia em casa, com cinco títulos em cinco edições: 1919, 1922, 1949, 1989 e 2019.

O spalla de Tite no último concerto do nono título curiosamente veste a camisa 9. Aos 22 anos, Gabriel Fernando de Jesus fez de tudo um pouco no primeiro título da Seleção sem Neymar desde que o jogador foi cortado da Copa América por causa de uma lesão no tornozelo. Da tribuna de honra, o camisa 10 viu Jesus operar milagres.

No primeiro tempo, incorporou aquele Mané Garrincha dos velhos tempos de Maracanã, humilhou dois marcadores e cruzou na medida para Éverton “Cebolinha” abrir o placar. O drible desconcertante implodiu o sistema defensivo da Seleção do Peru, bem mais organizado do que na derrota por 5 a 0 na Arena Corinthians, pela última rodada da fase de grupos.

Pilhado, Gabriel Jesus não quis saber de perder dividida. Acertou uma solada em Yotún e recebeu cartão amarelo. Enquanto isso, do outro lado, Paolo Guerrero desafiava o brasileiro a uma prova dos nove. Flores cruzou a bola para a área e ela tocou no braço do zagueiro Thiago Silva. O árbitro chileno Roberto Tobar revisou o lance com o auxílio do VAR, mas manteve a decisão original. Guerrero bateu no canto esquerdo e deslocou Alisson. O primeiro gol sofrido pela Seleção impediu o time de Tite de igualar o recorde do Uruguai (1917 e 1987) e da Colômbia (2001), campeões do torneio continental sem sofrer gol.

Jesus topou o desafio de Guerrero e voltou à cena no último lance da etapa inicial. Roberto Firmino agiu como carregador de piano. Roubou a bola e acionou o versátil Arthur. O volante deu assistência para o camisa 9 na meia lua e aí foi a vez de Jesus incorporar o Fenômeno. Com a tranquilidade de Ronaldo, arrematou no canto direito do carrasco Gallese. Lembram-se dele? O goleiro do Peru havia defendido pênalti cobrado pelo camisa 9 nos 5 a 0 do Itaquerão.

O questionado camisa 9 de Tite, reinventado como ponta-direita, era o nome do jogo. Depois de passar em branco nos cinco jogos do Mundial da Rússia e em quatro partidas desta Copa América no tempo normal, o menino Jesus finalmente atingia a maioridade. Depois de assumir a responsabilidade contra a Argentina, fazia o mesmo contra o Peru no estádio em que ele se sente bem. Em 2016, conquistou a inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio’2016 brilhando na semifinal contra Honduras.

Mas Bachi injetou adrenalina demais no spalla. Gabriel Jesus recebeu cartão vermelho ao cometer falta dura em Tapia. Saiu de campo gesticulando que o árbitro estava “roubando” o Brasil e pode ser punido severamente pela Conmebol para o início das Eliminatórias da Copa’2022. Quando caiu em si, desabou a chorar nos degraus do vestiário. Sentiu o peso do erro.

ENDIABRADO Para sorte dele, Tite acionou um pombo para devolver a paz a Jesus. Endiabrado, Éverton “Cebolinha” não quis saber se o Brasil estava com 10 jogadores e resolveu peitar a defesa do Peru. Depois de o adversário atentar o Brasil com um chute de Flores à direita de Alisson, o atacante do Grêmio sofreu pênalti. Richarlison colocou a bola na marca da cal e aguardou o juiz revisar o lance. O jogador do Everton, da Inglaterra, bateu com segurança e derrubou o mito Gallese. O goleiro havia defendido cobranças de Gabriel Jesus, Luis Suárez e Vargas.

A nona sinfonia de Adenor Leonardo Bachi estava consumada. Crucificado em duas competições oficiais, Jesus escapou do terceiro calvário. Ao som de “o campeão voltou”, Daniel Alves, eleito o melhor jogador da Copa América, ergue a taça. Coadjuvantes do capitão e camisa 13 – número da sorte do velho lobo Zagallo –, Alisson e Éverton ganharam, respectivamente, os prêmios de melhor goleiro e artilheiro.


FICHA TÉCNICA
BRASIL 3 X 1 PERU 
Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Arthur e Coutinho (Militão 32 do 2º); Éverton (Allan 48 do 2º), Gabriel Jesus e Firmino (Richarlison 30 do 2º)
Técnico: Tite
Peru: Gallese; Advíncula, Zambrano, Abraham, Trauco; Tapia (González 38 do 2º), Carrillo (Andy Polo 41 do 2º), Ballón, Yotún (Ruidiaz 32 do 2º), Flores; Guerrero
Técnico: Ricardo Gareca
Final da Copa América
Estádio: Maracanã
Gols: Éverton 14, Guerrero 44, Gabriel Jesus 48 do 1º; Richarlison 45 do 2º
Árbitro: Roberto Tobar-CHI
Assistentes: Christian Schiemann e Claudio Rios-CHI
VAR: Julio Bascuña-CHI
Cartão amarelo: Gabriel Jesus, Thiago Silva, Tapia, Zambrano, Richarlison, Advíncula
Cartão vermelho: Gabriel Jesus
Pagantes: 58.584
Renda: R$ 38.769.850



ANÁLISE DA NOTÍCIA
Futebol de resultado
Um ano e um dia depois da eliminação contra a Bélgica nas quartas de final do Mundial da Rússia, o título alivia, mas não tira o peso daquele fracasso. O futebol da Seleção piorou na Copa América. O título chega com empate diante da Venezuela, classificação nos pênaltis contra o Paraguai, triunfo sofrido contra uma desmantelada Argentina, que só jogou bem contra o Brasil e o Chile nesta Copa América e sustos, muitos sustos frente ao Peru. Se há algo positivo, é a conquista do título sem Neymar. Gabriel Jesus deu sinais de amadurecimento. Roberto Firmino, como sempre, jogou para o time. Éverton “Cebolinha” é a descoberta do torneio, e Alex Sandro pavimentou o caminho para ser o dono da camisa 6 no Catar em 2022. A outra certeza é que temos goleiro. Se não fosse Alisson contra o Paraguai e a Argentina...



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