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STJD SUSPENDE ITAIR

Vice-presidente do Cruzeiro é afastado por 90 dias e multado por ignorar proibição de ir ao estádio após ofender FMF. Pressionada, diretoria pede reunião extraordinária em julho


postado em 20/06/2019 04:12

Wagner Pires de Sá e Itair Machado sob fogo cruzado: dirigentes negam irregularidades, mas conselheiros se movem por renúncia(foto: TÚLIO SANTOS/EM/D.A PRESS - 27/5/19)
Wagner Pires de Sá e Itair Machado sob fogo cruzado: dirigentes negam irregularidades, mas conselheiros se movem por renúncia (foto: TÚLIO SANTOS/EM/D.A PRESS - 27/5/19)


O vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, foi suspenso ontem pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por 90 dias e recebeu multa de R$ 10 mil por ter violado o artigo 223 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CJDB) – deixar de cumprir ou retardar o cumprimento de decisão, resolução, transação disciplinar desportiva ou determinação da Justiça Desportiva. Impedido de ter acesso ao estádio depois de ter atacado a Federação Mineira de Futebol (FMF), o dirigente compareceu ao jogo entre Ceará e Cruzeiro (vitória celeste por 1 a 0), em 1º de maio, no Mineirão. Cabe recurso da decisão. Ele está entre os dirigentes celestes envolvidos em várias denúncias de irregularidades. 

Também ontem, a diretoria do Cruzeiro se mobilizou para tentar frear o movimento que pode resultar em afastamento de sua cúpula. O presidente Wagner Pires de Sá emitiu ofício solicitando ao Conselho Deliberativo reunião extraordinária em que se defenderá de acusações que ligam ele e seus principais cartolas a corrupção e a lavagem de dinheiro, reveladas pelo programa Fantástico, da TV Globo, em 26 maio. O documento é direcionado ao presidente do conselho, Zezé Perrella, e pede que a assembleia seja realizada em 8 de julho, dois dias antes do primeiro clássico com o Atlético pelas quartas de final da Copa do Brasil.

A intenção de Pires de Sá seria apresentar documentos que comprovariam não ter ocorrido desvios desde que assumiu a Raposa, no fim de 2017. O pedido extraordinário ocorreu dois dias depois de Perrella convocar reunião para decidir em 5 de agosto sobre o afastamento do dirigente, de Itair Machado e do diretor-geral Sérgio Nonato, nomes envolvidos na série de denúncias que agitaram o clube no mês passado.

Ainda na terça-feira, num outro caso, Wagner prestou depoimento na sede da Polícia Federal, no Bairro Gutierrez, para esclarecer fatos sobre a Operação Escobar, que investiga vazamento de documentos sigilosos da PF. Ontem, foi a vez de o diretor jurídico do clube, Fabiano Oliveira Costa, ser interrogado. Ambos têm negócios com os advogados Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira, presos em 5 de junho na Operação Capitu, junto com Márcio Antônio Camillozzi Marra e Paulo de Oliveira Bessa, ambos servidores da PF. Márcio e Paulo são suspeitos de retirar documentos sigilosos do sistema da corporação. Já os advogados Carlos e Ildeu são acusados de repassá-los a interessados.

Num processo diferente, a Justiça também está investigando Itair. O juiz Daniel Cordeiro Gazola, titular da 1ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano, determinou o bloqueio de recebíveis do vice-presidente de futebol por causa de ação trabalhista movida por ex-funcionário do Ipatinga. O valor da causa é de R$ 325.719,21. O magistrado considerou a chance de o dirigente ter o vínculo rescindido com o Cruzeiro e direcionaria como depósito judicial parte dos R$ 2 milhões de indenização a que o cartola teria direito. Itair deve recorrer da sentença.

O Cruzeiro está envolvido também em outra polêmica. O clube firmou contrato de formação com Henrique Richard de Almeida Machado, filho do empresário Cristiano Richard Machado dos Santos, que teve o nome envolvido nas investigações por ter emprestado R$ 2 milhões ao clube e recebido percentuais de direitos econômicos de atletas como garantia – prática proibida pela Fifa. O jogador de 15 anos teve o vínculo assinado em março de 2018 (validade de um ano) e foi incluído no time Sub-15 celeste 20 dias depois de Cristiano ter emprestado o recurso.

NEGATIVAS Depois da reportagem do Fantástico, o Cruzeiro convocou a imprensa em 27 de maio para se defender das denúncias de corrupção. Wagner Pires, Itair Machado e outros dirigentes participaram. Itair negou irregularidades: “Aqui no Cruzeiro não tem desonesto. Estamos sendo perseguidos (...) O processo da Polícia Civil já existia e não se chama processo, se chama procedimento, dura meses, começou por denúncia anônima, foi fogo amigo, concluído e arquivado”. Um dia depois, Valter Batista e Daniel Faria entregaram pedido de renúncia aos cargos no Conselho Fiscal. Eles fizeram parte do grupo de conselheiros que autorizou a diretoria a captar empréstimo de R$ 300 milhões com um fundo estrangeiro para pagar dívidas do clube.

Já a CBF pediu esclarecimentos ao clube sobre os escândalos, cobrando explicações sobre 10 atletas cujos direitos pertenciam a Cristiano Richard Machado dos Santos, que não é reconhecido pela entidade. O escândalo levou grupo de 100 conselheiros – incluídos o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares e o ex-candidato à presidência Sérgio Rodrigues – também a reagir e a pedir o afastamento de toda a diretoria em 31 de maio. Para deixar o clube, a multa rescisória de Itair seria de R$ 2 milhões. Em junho do ano passado, ele recebeu procuração de Wagner Pires de Sá garantindo plenos poderes para contratar e negociar jogadores.



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