Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

O cerco se fecha

Aumenta a pressão no Cruzeiro, com pedido de afastamento da cúpula por parte de um grupo de conselheiros e racha dentro da diretoria. Em campo, time tenta interromper longo jejum


postado em 01/06/2019 04:10

Presidente Wagner Pires de Sá na berlinda: em carta endereçada ao presidente do Conselho Deliberativo celeste, Zezé Perrella, 117 conselheiros pedem o afastamento dele e dos diretores contratados em sua gestão(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Presidente Wagner Pires de Sá na berlinda: em carta endereçada ao presidente do Conselho Deliberativo celeste, Zezé Perrella, 117 conselheiros pedem o afastamento dele e dos diretores contratados em sua gestão (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)


Não bastassem as investigações da Polícia Civil e a possibilidade de punição por CBF e Fifa, a diretoria do Cruzeiro vem sendo pressionada também internamente. Ontem, um grupo de 117 conselheiros, que se autodenominam “Pró Cruzeiro Transparente”, enviou carta ao presidente do Conselho Deliberativo Zezé Perrella solicitando o afastamento do presidente Wagner Pires de Sá e do vice-presidente executivo de futebol celeste, Itair Machado. Na própria diretoria há quem entenda que o momento exige atitude mais enérgica, e Itair seria o principal alvo por tomar decisões que levaram o clube a ser denunciado por falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Com a situação cada vez mais complicada e temendo que a crise administrativa prejudique a equipe, que precisa reagir no Campeonato Brasileiro (amanhã enfrenta o São Paulo, no Pacaembu) e que na quarta-feira decide vaga nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Fluminense, alguns integrantes da diretoria teriam pedido a renúncia de Itair Machado. Se o presidente decidir demiti-lo antes de 31 de dezembro, o clube terá de pagar multa rescisória de R$ 2 milhões, prevista em contrato.

A saída de Itair seria uma forma de trazer um pouco de paz ao ambiente celeste, que, desde domingo, quando surgiram as denúncias no programa Fantástico, da TV Globo, vive turbulências. Os conselheiros também querem o afastamento do diretor-geral Sérgio Nonato. Uma das irregularidades seria o Cruzeiro ter dado percentual dos direitos econômicos de jogadores, inclusive um de 11 anos, como garantia para empréstimo de R$ 2 milhões.

Publicamente, porém, os dirigentes tentam mostrar coesão. Pelo menos até quarta-feira, não deve haver mudança na composição da cúpula.

ESTATUTO Os conselheiros que pedem o afastamento dos mandatários baseiam o pedido no Artigo 30, inciso III, do Estatuto do Cruzeiro: “Será afastado imediatamente e se tornará inelegível, pelo período de no mínimo cinco anos, o dirigente ou administrador que praticar o ato de gestão irregular ou temerária”.

No documento, assinado, entre outros, pelo ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, o ex-vice-presidente Biagio Peluso e o ex-presidente do Conselho Deliberativo José Ramos, o grupo justifica seu pedido: “Não há sombra de dúvidas quanto ao fato de o Cruzeiro Esporte Clube estar sendo vítima de gestão que não tem se portado com atenção aos regulamentos internos e aos preceitos legais correlatos. Isso já é motivo clarividente para o imediato afastamento dos responsáveis por essa sangria, por essa covardia de usar a torcida e a imagem do Cruzeiro como escudo”.

Também fazem parte Sérgio Santos Rodrigues, candidato derrotado por Wagner Pires de Sá nas últimas eleições do clube, em 2017, e Celso Luiz Chimbida e Geraldo Luiz Brinati, que pediram renúncia do Conselho Fiscal no mês passado por não receberem os documentos pedidos à diretoria.

Zezé Perrella, por sua vez, aguarda que o documento seja protocolado no Conselho Deliberativo. Ele já nomeou uma comissão, formada por três conselheiros, para acompanhar as denúncias envolvendo a diretoria. Também deu prazo de cinco dias para que os dirigentes entreguem os documentos solicitados. A sindicância terá 30 dias para concluir o trabalho.

Perrella já afirmou que não quer pré-julgar os dirigentes, porém, garante que não vai “passar a mão na cabeça de ninguém”. “Montei uma comissão de sindicância que vai ter em mãos todos os documentos e vamos fazer um trabalho sério. Quem tiver culpa, vai pagar”, disse, em áudio enviado a conselheiros.



Publicidade