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Estado de Minas

Diretoria nega acusação, mas faz novo contrato

Em coletiva na Toca da Raposa II, cúpula celeste diz que negócio envolvendo uma criança e mais nove jogadores como garantia de empréstimo a empresário é legal


postado em 28/05/2019 04:08

Presidente Wagner Pires de Sá e vice-presidente executivo de futebol cruzeirense Itair Machado se defenderam das denúncias apresentadas na noite de domingo(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Presidente Wagner Pires de Sá e vice-presidente executivo de futebol cruzeirense Itair Machado se defenderam das denúncias apresentadas na noite de domingo (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)


Por mais que a diretoria do Cruzeiro tenha negado durante quase toda a coletiva ontem, na Toca da Raposa II, ficou claro que houve irregularidade no contrato de empréstimo de R$ 2 milhões firmado com o empresário Cristiano Richard e que foi uma das denúncias de matéria exibida no programa Fantástico, da TV Globo. Tanto que as partes firmaram novo acordo ontem, quando o documento original já havia se tornado de conhecimento público, tentando evitar possíveis punições.

Um dos problemas é a cessão de direitos de jogadores a terceiros, prática proibida pela Fifa desde 2015. Seis clubes já foram punidos por isso, inclusive o Santos, que em 2016 foi condenado a pagar multa de cerca de R$ 280 mil.

Entre os jogadores listados no contrato há alguns conhecidos da torcida, como os atacantes Raniel e David e o zagueiro Murilo. Para completar, até mesmo o nome de Estevão William, de 12 anos, está na lista, sendo que o garoto não pode nem sequer assinar contrato com o clube.

A Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem negociações envolvendo crianças. O primeiro contrato profissional só pode ser assinado por atletas aos 16 anos.

O presidente Wagner Pires de Sá não teme que o Cruzeiro sofra sanções da Fifa ou da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF por ter repassado direitos econômicos de atletas a um empresário. “Não terá penalidade. Não houve delito, nada diferente que possa prejudicar nossos contratos com CBF e Fifa”, disse.

Discurso parecido tem o vice-presidente executivo de futebol da Raposa, Itair Machado. Nem mesmo o fato de ter feito constar uma criança como garantia o preocupa. “Enquanto ele estiver vestindo o manto sagrado, é do Cruzeiro. Então, não tem problema. Tanto que o empresário falou que tinha certeza que vai receber em cima dele se seguir com a gente”, disse, irritado, ao ser questionado pela reportagem do Estado de Minas de como poderia dar algo que não tem como garantia.

Ele justificou o contrato pela urgência de recursos em um clube cuja dívida ultrapassa R$ 500 milhões. “Como a gente deve muito, temos de dar garantias para obter novos empréstimos. Para dar imóvel, teria de ter aprovação do Conselho. Como devíamos impostos e precisávamos pagar salário, iria demorar no mínimo 40 dias para ter esta aprovação. Outros clubes fazem isso. Demos garantia percentual dos atletas porque é o nosso maior patrimônio”, argumentou Itair Machado, que reconhece que o contrato firmado pode gerar dupla interpretação.

Justamente por isso, o clube procurou o credor e repactuou a dívida: depois de quitar R$ 600 mil, acertou o parcelamento em oito vezes de “pouco mais de R$ 190 mil”, nas palavras dos dirigentes. “Não há irregularidade. O que é proibido é ceder percentual a uma pessoa, mas não fizemos isso. Se vendêssemos algum jogador, parte ia para pagar a dívida. Foi o que ocorreu com as saídas de Vitinho (para o Brugges-BEL) e Gabriel Brazão (Parma-ITA)”, garantiu.

“O que não é permitido: a cessão do direito econômico para terceiros. Tem lei, regra, mas não houve cessão, em nenhum momento. Houve garantia”, afirmou o advogado do clube Edson Travassos, que reafirmou que o clube não cometeu irregularidade. “Tivemos palestra na CBF, em 2017. É permitido, posso fazer empréstimo, pois o atleta é um patrimônio”, afirmou Travassos durante a coletiva. O contrato, porém, é claro e fala que o credor aceita “receber e adquirir os percentuais de direitos econômicos de atletas de futebol profissional”.

NOTA OFICIAL Em nota, Cristiano Richard afirmou que “em nenhuma circunstância se pretendeu criar relação de parceria em direitos econômicos de atleta, mas apenas inserir cláusulas contratuais e condições que garantiriam o recebimento do empréstimo”. E confirma que novo contrato foi firmado.


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