Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Os jogadores são os grandes responsáveis por fracasso ou sucesso

Não existe varinha de condão no futebol. Não é simples assim. Quando se administra um clube em condições financeiras ruins, a coisa se complica


postado em 25/04/2019 05:04


O Atlético perdeu o título mineiro. Está eliminado da Libertadores. O mundo está desabando na cabeça do presidente, Sérgio Sette Câmara. O Galo é um barril de pólvora. Como analista, tenho que usar sempre a razão. Sei que tem atleticanos na imprensa que usam o coração e a paixão, como se fossem torcedores. Isso não é correto. Tenho um atenuante ainda maior: não sou atleticano, nem cruzeirense. Torço, profissionalmente, pelas duas equipes e pelo América. Por isso mesmo, posso ter toda a tranquilidade do mundo para analisar o momento. Não vou eximir o presidente de culpa, pois foi ele quem montou sua equipe de trabalho. Entretanto, com seriedade e a lisura que o caracterizam. Ninguém erra porque quer. As coisas não dão certo por vários fatores. A contratação de Alexandre Gallo para diretor de futebol foi um erro. Mas quem estava disponível naquele momento para assumir tal função? Várias contratações foram feitas de forma equivocada. Ok! Mas o diretor de futebol tem essa prerrogativa e foi ele, e não o presidente, quem escolheu o grupo a ser contratado. E, para piorar tudo, a contratação de Levir Culpi foi um desastre. Um técnico ultrapassado em todos os seus conceitos, que deixou terra arrasada no clube. Insistiu com Patric – se bem que Guga é um horror –, Fábio Santos, Luan e tantos outros jogadores medíocres. A conta chegou.

Réver e Leo Silva têm inúmeros serviços prestados ao Atlético, mas não dá mais. São lentos, pela idade, e não conseguem acompanhar os jovens atacantes adversários. Fábio Santos foi referência no Corinthians há 7 anos. Hoje, não tem condições de vestir a camisa alvinegra. Elias parece estar com a cabeça no Inter. Por que não deixaram-no ir? Cazares, que tem qualidade e é tecnicamente excelente, não tem comprometimento com o clube. Ricardo Oliveira, que começou voando com gols contra equipes de qualidade duvidosa, voltou ao normal e não faz os gols necessários em decisões. Por tudo isso, o Galo se encontra nessa situação. E olha que eu tenho colocado o Atlético no patamar de outras 15 equipes do país. Porém, não se pode compará-lo com os que estão na prateleira de cima: Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e Grêmio. Esses, por terem mais dinheiro – exceto o Cruzeiro, que está devendo uma boa grana, mas que conseguiu um baita empréstimo – e por conseguirem contratar melhores jogadores, são as referências do país, sem demonstrar futebol bonito. São times equilibrados, com banco e grupo, mas devendo um futebol arte. Jogam para o gasto, são eficientes e vencedores.

Vejam, senhoras e senhores, quantos jogadores do Galo eu citei que não estão em condições de vestir a camisa alvinegra. E, para piorar tudo, não há treinador disponível no mercado. Os poucos que existem estão empregados e não saem dos clubes. A situação é dramática, no momento em que o Brasileirão vai começar, e o torcedor está apavorado com uma possível queda. Vale lembrar que esse mesmo grupo, ano passado, ficou nas primeiras colocações a competição inteira, brigou pela taça num determinado período e garantiu vaga na Libertadores. Viram como o futebol prega peças. Esse mesmo time e grupo, criticados por mim e pelos torcedores, figurou entre os melhores na competição passada. Falta um pouco mais de comprometimento, de qualidade, de amor à camisa. É sabido que os jogadores de hoje têm amor ao dinheiro. Pagar R$ 400 mil, R$ 600 mil a jogadores medianos ou medíocres é mesmo uma irresponsabilidade. E quem fez isso foi o ex-diretor de futebol, Alexandre Gallo, que renovou contratos absurdos, como o de Luan, jogador que a torcida idolatra porque corre igual a uma barata tonta em campo. Torcedor também se equivoca. Quatro anos de contrato, como um prêmio acumulado da Mega-Sena. Ele não tem nada com isso. Se o empregador quer pagar esse absurdo que ele ganha, o problema é dele.

Não quero aqui eximir o presidente de culpa, pois, como mandatário maior, é ele quem responde pelo clube. Porém, é um atleticano roxo, apaixonado, íntegro, ímpar, de caráter e de berço. Critiquem-no por não ter conseguido ganhar títulos ainda, mas, jamais, por sua lisura e caráter. Ele erra e acerta como qualquer outro dirigente e está apenas há um ano e cinco meses no cargo. Não existe varinha de condão no futebol. Não é simples assim. Quando se administra um clube em condições financeiras ruins, a coisa se complica. Acho que ele cometeu um erro ao sair do Independência para o Mineirão. No Horto, o Galo teve suas mais recentes conquistas. Mas o torcedor apoiou e agora tem que dividir essa conta com o presidente. Não acho que o Atlético seja terra arrasada, mas é preciso uma conversa cara a cara com os jogadores para que digam o que querem de verdade. Entrar para a história do clube, com campanha de campeão na Copa do Brasil e Brasileiro, ou ficar na página ao lado daqueles que sujam a sua história? A decisão é deles, pois quem ganha e quem perde no futebol são os jogadores. E vale lembrar que na hora de cobrar salários em dia, eles fazem com uma maestria tremenda. Mas, na hora das decisões, em campo, se omitem, com futebol pífio. Dirigente não põe a bola no fundo do gol. Ajuda quando tem um grupo e um time bons em mãos. Sem isso, nada feito. Os jogadores são responsáveis por 90% de tudo de bom ou de ruim que acontece. Os outros 10% cabem ao treinador, e estamos conversados. Deem um crédito ao presidente. Ele é do bem!

 

 


Publicidade