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Gustavo Nolasco: Que nunca nos falte o coração da Salomé

Salomé está em todas pelejas da máquina celeste. Seja num 6 a 1 contra um adversário regional ou numa das inúmeras conquistas nacionais


postado em 20/02/2019 05:04


Twitter: @gustavonolascoB

Anda faltando um pouco de Salomé ao time do Cruzeiro. Não existe espaço para ela no time, mas o início de ano do nosso escrete carece um pouco do espírito de alegria e devoção às cinco estrelas dessa senhora, moça iluminada. Diriam os mais protetores: “estamos apenas na Country Cup, a versão mineira dos famosos torneios de bairro. Campeonatos que não servem para nada além de justificar as falsas rivalidades em estados onde, de um lado, existe um multicampeão e, de outro, apenas adversários de história mediana. Embates artificiais e inventados para vender anúncios publicitários”.

Já os mais corneteiros (entre os quais, o pobre mortal aqui se coloca) cobrariam um Cruzeiro sempre em alta produtividade, retrucando: “Vivemos um período das seletivas sul-americanas, dos testes, dos reservas e, sendo assim, não podemos aceitar um time tão inconstante e claramente com buracos temerários, como a falta de velocidade”.

“Ok! Mas quem é essa tal Salomé?”

Para os poucos cruzeirenses que não conhecem esse ícone das arquibancadas azuis, uma sugestão: dediquem um dia de suas vidas a acompanhá-la numa partida do Cruzeiro. Será mágico!

Quem nunca lhe pediu uma foto? Quantos de nós não choraram ao escutar a história dessa mulher que saiu de Bom Despacho e, por gostar de um “lindo azul”, tornou-se o maior símbolo da paixão sem controle por algo chamado Cruzeiro Esporte Clube?

“Mas será que vou encontrá-la?”

Se você for à Toca da Raposa 3 ou nas caravanas “onde o Cruzeiro for” pelo mundo, óbvio que a encontrará! Salomé está em todos os jogos do Maior de Minas. Seja num 6 a 1 contra um adversário regional ou numa das inúmeras conquistas nacionais e continentais da máquina celeste.

Salomé é a síntese da onipresença da torcida do Cruzeiro no interior do estado, combinada com a metade da capital mineira acostumada aos títulos e à Série A.

Salomé é o sorriso, as unhas pintadas de azul e branco, da raposa sempre colada ao peito, das estrelas brancas estampadas no chapéu azul.

Salomé é esse nosso desejo inexplicável de viver com intensidade o Cruzeiro todos os dias, independentemente da importância da peleja.

O começo do nosso time em 2019, sejamos sinceros, marca-se pela falta de emoção.  Testes para cá, falta de concentração para lá. Certo é que, dos empates às indefinições dos “11 titulares”, o Cruzeiro não está nos empolgando às vésperas do início da Copa Libertadores.

Por coincidência ou sinal dos céus, nesse período, o coração de Salomé nos deu um doloroso sinal. Quase parou. Pediu um tempo. Na cama de um hospital, ela quase viu sua paixão azul virar estrelas.

Com nossas súplicas aos céus, Salomé se recuperou. Voltou a sorrir, a pintar suas unhas de celeste e, consequentemente, a estar ao lado do nosso Time do Povo. Como ela mesma diz: “Sou Cruzeiro e é o time que me mantém firme.”

Ganhamos o reforço dela para despertar o escrete do marasmo. A Copa Libertadores se iniciará logo após o carnaval. Vamos invadir a Argentina para a primeira peleja contra o Huracán. La Bestia levará sua legião de invasores, entre eles, esperamos, a nossa senhora da alegria, da devoção, porta-bandeira do estado azul de Minas Gerais, Salomé.

Portanto, rainha das arquibancadas, recupere-se com calma. Trate esse seu coração com cuidado, pois o espetáculo vai começar após o Rei Momo passar e o nosso time precisa se contagiar com sua história.

Até lá, professor Mano Menezes, coloque nossos guerreiros numa fila indiana. Mande que cada um deles arrume com destreza a gola do manto sagrado e lhes diga: “Vai lá, menino. Tire uma foto com a Salomé. Peça desculpas e prometa que depois do carnaval vai entregar sua alma em campo por um sorriso dela”.


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