Premiação: a UFMG é a primeira universidade federal no ranqueamento e a quarta entre todas as brasileiras, depois das estaduais paulistas
Leandro Couri/EM/D.A Press"A UFMG está em uma sucessão de premiações e avaliações positivas. Somos a melhor entre as federais do Brasil, reconhecimento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), estamos entre as sete universidades latino-americanas, enfim, o que no enche de orgulho. Mas digo que não nos envaidece, mas sim aumenta a reponsabilidade que temos com Belo Horizonte e o Brasil. Agora, sobre os 64 cientistas mais influentes no mundo, é muito importante. E olha que tem o recorte das áreas exatas e biológicas. Destaco que se a premiação também contemplasse as humanidade e as ciências sociais, que somos fortes, estaríamos ainda melhores colocados", destaca a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida.
Reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, diz que 'a UFMG é um patrimônio do Brasil' e que a instituição opera "milagre com resiliência'
Leandro Couri/EM/D.A PressMas o milagre que Sandra Almeida enfatiza é um milagre com muito trabalho, talento, luta e jogo de cintura para enfrentar os problemas e desviar dos obstáculos que a educação, formação e ciência encaram diariamente neste país: "Milagre que significa resiliência da comunidade, dos pesquisadores e da gestão. A UFMG leva à sério e é comprometida com sua missão, que é educar, ensinar e fazer pequisa de ponta".
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Sandra Almeida lembra que "a UFMG é um patrimônio do Brasil e vamos continuar lutando pelos recursos que, mesmo diante da escassez, conseguimos um crescimento de 30 a 40% maior que há 15 anos, ainda que o corte no orçamento o coloque com recursos de 15 anos atrás. Como fechar a conta? Mas não desistimos. Financiamento em ciência no Brasil é investimento no país".
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O valor da ciência e dos cientistas
Na primeira lista, divulgada em 2017, a UFMG contava com 18 cientistas com produção de alto impacto – cinco anos depois, esse número é 3,5 vezes maior.
Responsabilidade aumentada
A professora Deborah Carvalho Malta, da Escola de Enfermagem, é a pesquisadora da UFMG mais bem pontuada no ranqueamento atual e a décima no critério de carreira
Arquivo PessoalPara Deborah, o fundamental nesta conquista é que ela espera "incluir mais pesquisadores". A professora destaca que, ainda que a chamada 'fuga de cérebros" seja uma reparação a médio prazo, ao menos "em termos de financiamento já estamos revertendo com o governo atual, que tem valorizado mais as bolsa dos alunos e temos segurança de que o apoio vai ser progressivo. Só no meu departamento este ano abrimos cinco novas vagas para professores".
Deborah destaca ainda que há mais diálogo: "A premiação também nos dá mais voz e aumenta a capaciadade de negociar e influenciar. Assim, a UFMG e seus docentes têm mais espaço para verbalizar seja junto ao Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde (MS), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)".
De acordo com Deborah, "o destaque alcançado, mais uma vez, pela Universidade aumenta a responsabilidade, tanto para assegurar que o trabalho faça cada vez mais sentido para a sociedade quanto para continuar contribuindo com a formação de novas gerações de pesquisadores. Temos um longo caminho a percorrer e devemos lutar por mais verbas para a produção de ciência, que é fundamental para o Brasil”, diz a professora, que tem sido reconhecida no Brasil e no mundo.
Aprovada em quinto lugar no vestibular de medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Déborah conta que não foi apenas a primeira médica da família, mas também a primeira de Prados. Depois da graduação, cursou duas residências médicas: pediatria e medicina preventiva social. Esta última surgiu do desejo da recém-formada em atuar na saúde pública com epidemiologia, ciência que estuda o processo de saúde-doença e seus determinantes sociais.
"Vejo como uma trajetória emocionante e, de fato, não pensava em chegar neste lugar. Mas com humildade, sei que não é só mérito meu, mas de um grupo de pesquisadores, de um coletivo de parceiros, enfim, um grande esforço coletivo. E o principal é a busca da inclusão de novos pesquisadores com sustentabilidade", expõe a professora.

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