Por Leonardo Godim

Uma pessoa foi vítima de violência política a cada 26 horas. Até 2018, casos desse tipo ocorriam a cada 8 dias. O número cresceu drasticamente a partir de 2019 – 136 ocorrências, uma a cada 2 dias; e chegou a 151 casos em 2020, a última vez que os eleitores brasileiros foram às urnas.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (10/10), na segunda edição da pesquisa Violência política e eleitoral no Brasil, elaborada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
A pesquisa analisou o período entre 1 de agosto e 2 de outubro, e leva em conta apenas candidatos, lideranças partidárias e assessores. Foram considerados apenas os casos divulgados na mídia, o que sugere que podem ter ocorrido ainda mais situações de violência.

São Paulo (23), Minas Gerais (17) e o Rio de Janeiro (15) despontam como os estados onde ocorreram mais situações de violência política.
Perfil das vítimas
A segunda edição da pesquisa indicou que 59% das vítimas de violência política são homens cisgêneros, que são ao mesmo tempo a maioria em representação em espaços em poder. Por sua vez, as mulheres, que representam 16% das pessoas eleitas em 2020, foram vítimas de 36% dos casos de violência política. Elas foram as maiores vítimas de ameaças e ofensas.
Mulheres trans e travestis foram alvo de 5% dos episódios de violência.
Apesar de serem minoria entre os eleitos, pessoas negras são 48% das vítimas de violência política onde foi possível identificar cor e raça.
Vereadores em exercício (14 casos) e candidatos ou pré-candidatos a deputado federal e estadual (77 casos) foram a maioria das vítimas na classificação por cargos eletivos.
Entre os partidos das vítimas, PT e PSOL representam mais de um quarto das ocorrências, com 38 casos de violência contra seus candidatos e lideranças. O terceiro partido com maior número de vítimas, o PL, teve 11 casos – 71% a menos que os outros dois partidos.
“Se na primeira pesquisa vimos que a violência política atingia todos os partidos de diferentes espectros políticos, nesta segunda edição, percebemos uma concentração de ataques a partidos de centro-esquerda e parlamentares que atuam na defesa de direitos humanos, da população LGBTQIA+ e na pauta antirracista”, apontou Glaucia Marinho, coordenadora da Justiça Global.
Eleitores e militantes
Apesar do foco da pesquisa, essa onda não se restringiu a candidatos e lideranças partidárias. Somando as violências cometidas contra militantes de movimentos sociais, eleitores, funcionários de campanha, cabos eleitorais, agentes de segurança e jornalistas, os casos de violência política nos dois últimos meses chegam a 189.
