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Estado de Minas ELEIÇÕES

Comandos da Câmara e Senado antecipam disputa paralela a da presidência

Pré-candidatos à sucessão no Planalto já negociam apoios a presidentes das casas do Congresso, movidos pela estratégia de garantir governabilidade


14/02/2022 04:00 - atualizado 14/02/2022 07:40

Trajetória de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é considerada em articulações do PT
A reeleição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pode ser defendida pelo ex-presidente Lula, caso a legenda se alie à frente que ele tenta costurar para voltar ao governo (foto: Pedro Gontijo/Senado - 9/7/21)
Brasília – Todos os olhares se voltam para os pré-candidatos à sucessão no Palácio do Planalto, mas, nos bastidores, há uma outra campanha em curso e ainda distante das redes sociais e das declarações dos presidenciáveis. Ela mira outras duas cadeiras também essenciais para quem sair eleito das urnas, as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha abertamente para fechar uma federação partidária de esquerda e também busca viabilizar um bom trânsito com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Caso venha a trazer o PSD para o seu arco de alianças, como vem negociando, Lula pode defender a reeleição de Pacheco na chefia do Senado. Sem o apoio formal do PSD, o petista teria como opção o aliado de primeira hora do MDB, Renan Calheiros (MDB-AL).

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), o bloco parlamentar batizado de Centrão tem entre seus expoentes o presidente da Câmara, Arthur Lira, que tem garantido tramitação de projetos de interesse do Planalto e dificultado temas que desagradam o governo. A aliança é considerada fundamental como sustentação política de Bolsonaro.

Na semana passada, mais um encontro entre Lula e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, foi realizado em São Paulo. Entre os pontos discutidos, foi abordada a possibilidade de a legenda apoiar a candidatura petista já no primeiro turno. Lula afirmou, em outra ocasião, que esse seria o cenário ideal para sua candidatura, o que poderia envolver, inclusive, a vice-presidência entregue ao partido aliado.

Para o deputado federal Sérgio Britto (PSD-BA), o diálogo de Kassab com Lula é “muito importante” e vem sendo conduzido “com maestria”. “Eu particularmente, se apoiarmos o presidente Lula na Bahia, sou muito favorável a esse diálogo. O Kassab precisa ter muita tranquilidade, porque nós sabemos que dentro do próprio PSD ainda há pessoas divididas. Tem estados que apoiam o presidente atual, e outros que apoiam o presidente Lula”, afirmou.

O parlamentar vê com bons olhos a busca pelos partidos de centro que Lula faz. “Ele é um homem experiente, preparado. Eu consigo separar o Lula do PT. Eu acho que o Lula tem mais habilidade de dialogar do que o próprio partido dele, tem outra visão de estado, de país, do que o PT”, avaliou o deputado.

Os emedebistas admitem possibilidade de conversas. O deputado federal João Marcelo (MDB-MA) diz que o “namoro é para depois”, mas que negociações sempre ocorrem. “Não é hora de falar de aliança. De conversar, com certeza, Lula tem todo o nosso respeito.  Nós temos a nossa presidenciável (a pré-candidata é a senadora Simone Tebet), mas claro que as conversas sempre continuam porque tudo pode acontecer”, afirmou o parlamentar.

O deputado federal Hercílio Diniz (MDB-MG) acredita que essa construção de Lula mais ao centro é necessária, e não descarta uma aproximação maior do PT com a agremiação. “Já teve no passado, depois houve um afastamento. Mas aí o Lula vai ter que ceder, vai ter que aceitar a construção. Não podemos destruir o que foi feito, só aperfeiçoar”, defendeu.

Arthur Lira (PP-AL) é um dos principais caciques do Centrão, bloco parlamentar aliado do presidente Jair Bolsonaro
Apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) tem sido considerado fundamental para sustentação das propostas do presidente Jair Bolsonaro (foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 10/8/21)

Tais diálogos com os partidos de centro são decisivos para a aprovação de projetos e mudanças efetivas. “Todo presidente quando eleito precisa pensar na maioria. Historicamente no Brasil, desde 1988 até a última eleição, nenhum presidente conseguiu conquistar sozinho a maioria das cadeiras”, explicou a doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP).“Todo partido que for eleito, independente se for de esquerda ou de direita, vai precisar negociar com o centro. Só partidos de direita ou esquerda não formam maioria legislativa”, ressaltou.

Cobiça


A movimentação de Lula passa também pelo controle das casas legislativas. A professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV Graziella Testa destaca dois motivos para definir o porquê desse domínio ser importante para o chefe do Executivo: estar próximo de quem fiscaliza o governo e manter o trânsito para aprovação de projetos de governo.


''Está na mão do presidente da Câmara dos Deputados decidir se vai ser aberto ou não o processo do impeachment. A segunda dimensão é a de projeto de governo''

Gaziella Testa, professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV




“O primeiro e mais flagrante, que é o que acho que mais motivou o presidente Jair Bolsonaro que, no primeiro momento não tinha grandes ambições de apoio parlamentar, mas em certo ponto do mandato ele decidiu, é que é pelo Congresso que ocorre a cobrança e fiscalização do Poder Executivo. Está na mão, por exemplo, do presidente da Câmara dos Deputados decidir se vai ser aberto ou não o processo do impeachment. A segunda dimensão é a de projeto de governo. É preciso apoio do Congresso para passar uma série de regulamentações e leis”, detalhou a professora.

Racha no PSDB

Aliados, hoje, ao presidente Bolsonaro, caciques importantes e que integram a linha de frente do centrão, – o bloco parlamentar de apoio ao governo – também admitem se sentar para conversar com o ex-presidente Lula, que também almeja ampliar a bancada do PT de 53 para 80 deputados a partir das articulações nos estados. A federação poderia eleger entre 180 e 220 deputados.

Em meio à confusão, o PSDB começou a rachar e parte da legenda ameaça não apoiar o governador de São Paulo, João Doria, que venceu as prévias partidárias para concorrer ao Palácio do Planalto pela agremiação. Grupos aliados de Geraldo Alckmin, ex-tucano e ainda sem legenda, ameaçam seguir o ex-governador paulista para apoiar o PT.

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB/RJ), confirmou o racha e a disputa interna declarada. “O PSDB não é de desistir de nada, mas temos um partido rachado atualmente, confuso, que precisa voltar a ser protagonista. Porém, para isso, algumas coisas precisam mudar”, disse.

O parlamentar ainda afirma que, além de Lula, existem aqueles que defendem união com Bolsonaro. “Se tem desistência não sei, mas existem os que não aceitam a derrota ou a vitória do Doria. Ele foi escolhido democraticamente nas prévias e isso é o que vale. Mas tem a ala PSDB Bolsonarista que vota e gosta do Bolsonaro. Não posso fazer nada. Em rio de piranha, jacaré nada de costas”, disse. Frota ironizou a aliança tucana com o PT. “Deve ser muito difícil para o 'dr' Alckmin morrer no PT, mas não vejo outra alternativa para ele. Mas Lula não precisa do Alckmin”, ressaltou.



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