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Estado de Minas CASSAÇÃO

Em menos de 30 dias, cai o segundo vereador em Patos de Minas

Lásaro Borges (PSD) perdeu o mandato após acusação de estelionato eleitoral contra um idoso de 69 anos


18/11/2021 19:45 - atualizado 18/11/2021 19:51

Lásaro Borges
Lásaro Borges (PSD) falou que sua cassação foi uma injustiça e que retornará à Câmara (foto: Lélis Félix/Esp. EM)
Os vereadores de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, voltaram a se reunir para julgar um colega. Nesta quinta-feira (18/11), Lásaro Borges (PSD) foi cassado por quebra de decoro parlamentar devido à acusação de estelionato eleitoral. Foram 13 votos pela cassação, dois contra e uma ausência.
Esse é o segundo julgamento em menos de 30 dias. Em 4 de novembro, Marcos Antônio Rodrigues, o Marquim das Bananas, perdeu o mandato por quebra de decoro parlamentar devido a acusação de assédio sexual.
 
Lásaro Borges é acusado de enganar Francisco Gonçalves, de 69 anos. A acusação argumenta que o vereador ofereceu um cargo de motorista em troca dos serviços de cabo eleitoral.

Após a vitória, Lásaro teria contratado e reincidido (ao mesmo tempo) o contrato de trabalho. Durante os depoimentos, o denunciante também citou que recebeu dinheiro para comprar votos, mas essa parte não foi indicada na conclusão da comissão.
 
O agora, ex-vereador nega todas as acusações. Durante as duas oitivas, ele argumentou que a denúncia seria infundada e de cunho político.

Segundo Lásaro Borges, nunca houve oferta de emprego em troca do serviço de cabo eleitoral, tampouco pedido de compra de votos. Além disso, citou que só contratou Francisco Gonçalves após grande insistência.
 

Como votou cada vereador

Pela cassação: Elisabeth Nascimento (DEM), Cabo Batista (CIDADANIA), José Eustáquio (PODEMOS), Ezequiel Macedo (PP), Carlito (DEM), Vicente de Paula (DEM), Willian de Campos (PATRIOTA), Vitor Porto (DEM), Mauri da JL (MDB), Gladston Gabriel (PODEMOS), José Luiz (PODEMOS), Daniel Gomes (PDT) e Nivaldo Tavares (PSD)

A favor de Lásaro Borges: Bartolomeu Ferreira (DEM), Itamar André (PATRIOTA)

Faltoso: João Marra (PATRIOTA)
 
O próximo suplente do Partido Social Democrático (PSD) é o professor Wanderlei Rodrigues Resende (551 votos).
 

“Eu me chamo Lásaro Borges, voltarei sim”

Após o resultado, Lásaro Borges fez um discurso na tribuna e deixou o plenário sem falar com a imprensa. Ele pediu que o advogado de acusação levasse o troféu para o cliente dele. Na sequência, chamou o Francisco de falso e de mentiroso.

Também mencionou que a decisão foi política e que a Câmara não tinha competência para julgá-lo.
 
"Estou saindo de cabeça erguida. Às vezes, alguns estão achando que eu estou derrotado. Não. Tive o prazer de ficar aqui nesta casa por nove anos com honestidade. Muitos queriam estar aqui no meu lugar. Gladston, Beth e Daniel, que fez um excelente trabalho. Reconheço que quiseram formar aqui uma casa de cassação de vereadores. Hoje, mais um erro, porque não conseguiram mostrar a quebra de decoro parlamentar."
 
E continuou: “Aqueles que acharam que iam me ver chorando, me ver derrotado, que iam me ver caído na sarjeta, estão enganados. Eu me chamo Lásaro Borges, voltarei, sim, que seja daqui um tempo, não sei”.
 

O que disseram os advogados?

O advogado de defesa, Abelardo Medeiros Mota, destacou que não houve quebra de decoro, já que Lásaro fez a contratação de Francisco enquanto pessoa física.

"O relatório da comissão não conseguiu apontar o que Lásaro fez, enquanto vereador, que configurasse quebra de decoro parlamentar".

Sobre recurso, o advogado disse que isso dependerá da vontade do cliente. "Estávamos convictos que seria arquivado. Agora é sentar com o vereador e ver qual a intenção dele, se ele pretende discutir isso judicialmente."
 
Thiago Queiroz, advogado do denunciante, afirmou que ficou satisfeito com o resultado e que durante as investigações ficou evidente que Lásaro Borges enganou Francisco.

"Todos os documentos foram levados e assinados num único momento, inclusive a rescisão, enganando o idoso".
 

E os vereadores, o que alegaram?

Alguns vereadores conversaram com a imprensa após o fim do julgamento. O presidente da Câmara, Ezequiel Macedo (PP), afirmou que o julgamento seguiu conforme esperado.

Ele não quis justificar o voto dele pela cassação de Lásaro Borges. Ele também explicou o motivo da acusação não ter sido ouvida no julgamento. "Porque o denunciante não fazia parte do processo, simplesmente a denúncia."
 
O relator da denúncia, Gladston Gabriel (Podemos), disse que o trabalho de apuração foi intenso e que está satisfeito com o resultado.

"A nova Câmara Municipal está aqui para trabalhar e não para colocar nada debaixo do tapete. Estamos aqui para ir ao encontro do que a população patense quer".
 
Bartolomeu Ferreira (DEM), que votou contra a cassação, justificou a posição.

"O voto é pautado no que o vereador ouviu. O trabalho foi muito bem instruído pela defesa. O relatório da comissão também. Porém, é uma palavra contra a outra. Eu acho que enquanto não houver a acusação na Justiça, a Câmara não poderia julgar".


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