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Estado de Minas 'GRITO DOS EXCLUÍDOS'

'Grito dos Excluídos' inicia concentração em ato contra Bolsonaro, em BH

Vendedores estampam camisas e produtos de 'Lula 2022', 'Fora Bolsonaro' e bandeiras LGBT em manifestação da oposição


07/09/2021 09:57 - atualizado 07/09/2021 11:19

Concentração na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte
Concentração na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 
Se por um lado, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)  se concentram na Praça da Liberdade , em Belo Horizonte, por outro, militantes do tradicional Grito dos Excluídos se organizam na Praça Afonso Arinos, também na capital. Os atos dos dois grupos agitam o feriado desta terça-feira de Independência (7/9).

A concentração, marcada para começar às 10h, teve início mais cedo. Às 9h já havia início de gritos "Fora Bolsonaro" e tendas com artigos de luta esquerdista. Até mesmo a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve enfrentar o atual presidente nas urnas em 2022, foi garantida. Um boneco do petista chegou a passear pela faixa contra o governo.
 
 
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(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 
O grupo de manifestantes do Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos chegou de ônibus para a manifestação contra Bolsonaro, vindo da Pedreira Pedro Lopes. "Somos um grupo da favela e da ocupação Pátria Livre. que faz aniversário de 4 anos hoje. A gente veio em número menor pelas regras sanitárias. Hoje o grito é  de Fora Bolsonaro e contra o preço de tudo, a política econômica do governo. Pelos direitos da população negra e favelada. Contra o Governo Bolsonaro. É indispensável que ele saia o quanto antes porque ele representa o oposto de tudo que a gente defende", diz o jornalista Walace Oliveira, 38, integrante do movimento. 
 
 
 
Melisa Oliveira, 64, aposentada. Carrega cartaz escrito "Satanaro a besta do apocalipse" e se posicionou na esquina onde bolsonaristas passam a cada instante. "Quem causa mal aos outros ou zombando da desgraça alheia é, biblicamente o satanás. O cafajeste no governo representa Satanás", explica o cartaz, sem medo de confronto. "Estou aqui de propósito. Lá no meio da manifestação contra o governo não vai resolver. Quero dar o recado pra eles. Estou me contendo aqui pra não provocar tanto. Mas são todos covardes, bolsonarista só age em grupo. Deus colocou ele (Bolsonaro) lá e Deus vai tirar." 
 
 
 
A Polícia Militar fechou a Avenida João Pinheiro para tentar impedir a passagem de manifestantes que saem da Praça da Liberdade em apoio ao Presidente da República. Mesmo com a segurança reforçada, uma ciclista em direção a Praça da Liberdade passou próximo aos manifestantes contrários ao governo, mostrou o dedo do meio e xingou os protestantes que pedem a saída de Bolsonaro do poder. 
 
 
 
Pelo encontro dos manifestantes, alguns foram até mesmo confundidos. Iracema de Moura, 58, aposentada, com máscara preta escrito "Fora Bolsonaro" e com bandeira do Brasil. Uma bolsonarista passou por ela e pediu para fazer foto junto.

"Eu venho todo dia de cores do Brasil, acho que temos que retomar os símbolos e as cores porque apropriaram das cores do Brasil e isso é inaceitável. É um governo trevoso que tentou demolir e não vai conseguir. É impeachment ou renúncia.

Ela (a bolsonarista) chegou e não sei se ela estava enganada ou quis mesmo a foto. Quando viu que eu era contrária, começou a xingar. Eu mando ir com Deus e pronto. Não tem o que discutir. Cada um em paz sem luta e sem morte"  
 
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(foto: Déborah Lima/EM/D.A Press)
 
 

Vendas 

Manifestação é sempre boa oportunidade para "fazer dinheiro". Quando militantes se reúnem, comerciantes também marcaram a presença logo cedo no protesto. Erodes Barbosa, de 59, garantiu seu varal às 8h. Faixas com dizeres "Lula 2022" e "Fora Bolsonaro", bandeira LGBT, bandanas e até bandeira do Brasil.

"Toda vez que tem protesto a gente trabalha. Trabalho em eventos, festa de rodeio, essas coisas. Mas tá tudo parado e a gente tem que correr atrás do pão de cada dia", conta, com esperança de voltar pra casa sem produto nenhum. "Se vender bastante dá pra arrumar um dinheirinho, uns 300 conto."

Erodes Barbosa, de 59 anos
Erodes Barbosa, de 59 anos (foto: Déborah Lima/EM/D.A Press)
 

Para Erodes, trabalhar com a venda desses artigos é uma forma de pagar as contas. "No dia a dia também vendo pano de prato e outras coisas. Às pessoas acham que estamos velhos pra empregar a gente. Não tem emprego nem pra jovem, imagina pros velhos", lamenta.

Acostumada em trabalhar em protestos de pautas diversas, ela conta que, mesmo apoiando o ex-presidente Lula, na hora de fazer dinheiro, não importa o comprador. "Vendo o que comprar. Eu sou Lula. Sou atleticana, mas trabalho no meio da torcida do Cruzeiro. Meu sentimento fica só pra mim", diz.

A vendedora tem certeza de seu posicionamento e ainda reclama da gestão do governo atual. "O Lula foi o melhor presidente que tivemos. Tudo que tenho em casa consegui no mandato de Lula. Bolsonaro trabalhou 28 anos como deputado e só ouvi falar quando levou a facada. Ele não tem nenhum projeto. Ele é estúpido é só liga pros ricos", protestou.
Ver galeria . 13 Fotos 'Grito dos Excluídos' inicia concentração em ato contra Bolsonaro, em BHLeandro Couri/EM/D.A Press
'Grito dos Excluídos' inicia concentração em ato contra Bolsonaro, em BH (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )

VENDA SOCIAL

Do outro lado da praça, uma tenda com camisetas e bandanas chama atenção dos militantes. Antes mesmo da concentração já havia clientes interessados nos artigos de militância. A preferência dos clientes: o rosto do ex-presidente Lula.

"A nossa preocupação vai além da questão meramente comercial, se não vender hoje tem mais atos, nossa intenção é estar presente", conta o vendedor Ademilson Ferreira, 58. Também professor de história, ele diz que as vendas da barraca são para financiar o projeto Educação e Cidadania na Região do Barreiro.
 
Ademilson Ferreira, 58 anos
Ademilson Ferreira, 58 anos (foto: Déborah Lima/EM/D.A Press)
 

"A gente atende estudantes em preparação para o Enem. Estamos retomando agora porque na pandemia ficamos parados. Nossas produções são voltadas para ajudar nesse projeto", acrescenta Ademilson. educador há  quase 30 anos é coordenador da pastoral da educação de uma igreja católica. 

Além disso, o grupo que divide a tenda com o professor não esconde a condição de militante. "Somos de esquerda. Estar aqui é um pouco também da memória das lutas dos trabalhadores. Só trabalhamos com material de movimentos da esquerda", reforçou.


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