Publicidade

Estado de Minas

Prefeito acusa vereador de homofobia; vereador acusa prefeito de bullying

Em Caeté, na Grande BH, vereador Claudinei do Vale e o prefeito Lucas Coelho trocam acusações


05/08/2021 17:18 - atualizado 05/08/2021 19:51

"Conheço o prefeito e sei como ele gosta, sempre gostou da linguiça, sempre foi chegado, literalmente falando, na linguiça, né, prefeito?", disse o vereador Claudinei do Vale (foto: Redes Sociais/Reprodução)
Na última reunião ordinária da Câmara Municipal de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), realizada na terça-feira (3/8), um discurso realizado pelo vereador Claudinei do Vale (Cidadania) levantou polêmica. A Corregedoria da Câmara considerou as frases direcionadas ao prefeito da cidade, Lucas Coelho (Avante), homofóbicas. Nesta quinta-feira (5/8) Claudinei emitiu nota se explicando. 

Na reunião, Claudinei contou a respeito de uma enquete feita pelo prefeito em sua rede social para que as pessoas votassem se o chefe do Executivo deveria comer um pão com linguiça ou uma coxinha. Na ocasião, o prefeito estava em viagem e fez a brincadeira com seus seguidores. 

O vereador contou à reportagem que essa enquete foi realizada em forma de provocação, já que o prefeito e seus servidores o chamam constantemente de “coxinha”, por ele ser obeso, e que desde que pediu a CPI da COVID para apurar possíveis irregularidades ou desvios de recursos da pandemia (que não foi aprovada) vem sofrendo o bullying.  

"Votei, é claro, no pão com linguiça, sabendo do passado do prefeito, que é meu contemporâneo. Votei porque, desde criança, conheço o prefeito e sei como ele gosta, sempre gostou da linguiça, sempre foi chegado, literalmente falando, na linguiça, né, prefeito? Então, não teve como eu não votar no pão com linguiça, né? O que me admirou, nos seus mais de 50 anos, (foi) continuar gostando da linguiça, e não só da linguiça, como da cenoura, por isso que chama Lucas Coelho, né?", afirmou Claudinei do Vale em seu discurso na Câmara, deixando claro, também, a "insatisfação" com o prefeito por ele estar fazendo "ataques covardes" contra os parlamentares.

Nessa quarta-feira (4/8), a Corregedoria da Câmara Municipal de Caeté emitiu nota na qual considerou o discurso homofóbico.

“Como representante da população e corregedor da Câmara, entendo que a todo e qualquer governo cabem críticas em suas diversas áreas de atuação. Mas usar de ataques pessoais e discurso homofóbico como instrumento para ridicularizar um homem público, ou qualquer ser humano, é inaceitável. Principalmente se este discurso de ódio for proferido na tribuna da casa legislativa. Local destinado apenas à defesa dos interesses públicos e do bem comum”, disse o corregedor, Fúlvio Avalonny Ratto Brandão (Avante), que relata, também, que houve crime.

Vereador tem uma série de prints feitos nas redes sociais no qual garante ser provocações a ele(foto: Redes Sociais/Reprodução)
Vereador tem uma série de prints feitos nas redes sociais no qual garante ser provocações a ele (foto: Redes Sociais/Reprodução)

“O vereador, em meu entendimento, cometeu um crime e uma desonra a esta casa. Espero que os pares entendam que ele precisará ser severamente repreendido na esfera legislativa, bem como também pelas outras instituições de justiça. Eu, como parlamentar, não posso compactuar com essa falta de compostura de um homem investido pelo voto em um cargo público e, farei o que a lei possibilitar para que a imagem e credibilidade dessa casa não sejam manchadas pela ignomínia deste parlamentar”, disse o corregedor.

Homofobia e transfobia é crime no Brasil desde junho de 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em favor da criminalização.  

O prefeito de Caeté, Lucas Coelho, se manifestou dizendo que a ofensa não foi proferida somente a ele, mas a todos os cidadãos.

“É lamentável a fala proferida pelo vereador Claudinei do Vale que, além de caluniosa, é preconceituosa. Em um momento de tamanha intolerância que vivemos no país, a atitude do parlamentar é um mau exemplo de conduta e respeito. Certamente, não foi com este objetivo que uma parcela da população caeteense o elegeu para exercer o seu mandato, tampouco a tribuna de uma Câmara Municipal, onde políticos tão importantes na história da nossa cidade já se manifestaram em defesa do povo. Com tal ato, o vereador cometeu o crime de homofobia e não ofendeu somente ao prefeito Lucas Coelho Ferreira, mas a todos os caeteenses”, lamenta o prefeito.

Vereador nega homofobia e diz que sofre bullying por parte dos servidores e prefeito


O vereador Claudinei do Vale disse por nota que a acusação de crime de homofobia não é verdadeira e que vem “sendo sistematicamente atacado e vítima de bullying por parte de servidores comissionados da Prefeitura de Caeté e pelo próprio prefeito municipal, pois tentam apelidar o vereador de coxinha por este ser 'gordinho'".

"O vereador jamais foi homofóbico e ainda desabafou dizendo sua insatisfação com todos os ataques sofridos. Pode não ter sido o discurso mais educado, nem palavras gentis, mas jamais usou da expressão para ofender ou ser homofóbico. Sob forte emoção, o vereador reagiu ao bullying sofrido por semanas e meses", disse a nota. 

 

Confira a nota do vereador Claudinei do Vale

“Embora as falas propositalmente editadas possam chocar ou trazer a alusão a possível ação discriminatória e ou de ofensa, na realidade foi uma contextualização de fato protagonizado pelo próprio prefeito municipal em suas redes sociais. O que parece fútil, sem sentido, toma forma quando se analisa o histórico de ataques sofridos pelo vereador ao longo das semanas, este, vem sendo sistematicamente atacado e vítima de Bullying por parte de servidores comissionados da Prefeitura de Caeté e pelo próprio Prefeito Municipal, pois tentam apelidar o vereador de coxinha por este ser 'gordinho'. 

Como nada acontece por acaso, tais apelidos e ataques começaram logo após o vereador tentar uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar possíveis irregularidades e ou desvios de finalidade dos recursos da COVID-19. 

Um diretor de Departamento na secretaria de governo, escreve: ‘Claudinei, máscara não é coxinha. Para de mastigar!’, ‘Léo Burguês de Caeté, o Vereador Coxinha’, ‘Se Luquinha oferecer coxinha ele vai lá tomar café será?’. O Secretário de Governo em uma das reuniões da Câmara escreve: ‘CPI é código para Catupiry’, ‘CPI Coxinha Para Impanturrar’. Um chefe de Divisão também ridiculariza em uma das reuniões e escreve: ‘CPI Claudiney Peso Improprio’ e uma diretora de departamento da Saúde escreve: ‘Peito de Coxinha fede pra cacete kkk’. Nas redes sociais o corregedor da Câmara e líder de governo escreve: ‘Hoje vi alguns ônibus rodando nossa cidade, todos com bom movimento mostrando o sucesso da tarifa zero. Para quem votou contra, vale bem lembrar que o custo será de 2 reais por habitante, mais barato que uma COXINHA. #ficaadica’ como se não bastasse, as ofensas dos servidores de confiança do prefeito, das indiretas do corregedor da Câmara e do próprio prefeito, um perfil falso foi criado e desferindo diversos tipos de ataques contra o vereador, inclusive associando sua imagem a coxinha. 

Há um boletim de ocorrência e solicitação de inquérito na Delegacia da Polícia Civil de Caeté para apurar a origem do perfil falso. O vereador jamais foi homofóbico e ainda desabafou dizendo sua insatisfação com todos os ataques sofridos. Pode não ter sido o discurso mais educado, nem palavras gentis, mas jamais usou da expressão para ofender ou ser homofóbico. Sob forte emoção, o vereador reagiu ao Bullying sofrido por semanas e meses”.

 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade