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Estado de Minas ESCUTE O AÚDIO

Na CPI, Marcelo Blanco toca áudio 'suspeito' de Cristiano Carvalho; confira

No áudio, Cristiano diz que o CEO da Davati Medical Supply no Brasil não confiava no PM Luiz Paulo Dominguetti, representante da empresa


04/08/2021 15:13 - atualizado 04/08/2021 15:44

Tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa em depoimento na CPI da COVID(foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa em depoimento na CPI da COVID (foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa, ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, mostrou um áudio de Cristiano Carvalho, vendedor da empresa Davati Medical Supply no Brasil, durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, realizada nesta quarta-feira (4/8).

Blanco, exonerado em janeiro, era subordinado do então diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, e participou de jantar em restaurante em Brasília onde teria sido feita a proposta de pagamento de propina de US$ 1 por dose na comercialização da vacina da AstraZeneca.
 

O áudio foi tocado durante os questionamentos do senador governista Jorginho Mello (PL-SC). O senador questionou se Blanco não percebeu que caiu em um golpe na aquisição de vacinas. 

O tenente-coronel pede, então, para mostrar um áudio onde ele percebeu que estaria, sim, lidando com charlatões.

No áudio, Cristiano disse que o policial militar de Minas Luiz Paulo Dominguetti (representante da empresa Davati Medical Supply) não conhecia Herman (CEO da Davati), por isso preferiu mandar a carta de representação por ele.

Por isso, Blanco diz que foi neste momento que percebeu que estava sendo enganado. Logo em seguida, segundo ele, os dois não o procuraram mais.
 
 

Confira o aúdio

 
 

O dia da CPI


O tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa depõe nesta quarta-feira (4/8), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, do Senado.

O ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, exonerado em janeiro, era subordinado ao então diretor de Logística da pasta Roberto Ferreira Dias, e participou de jantar em restaurante em Brasília onde teria sido feita a proposta de pagamento de propina de US$ 1 por dose na compra da vacina da AstraZeneca.

O pedido de convocação foi feito pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Segundo o PM Luiz Paulo Dominguetti, representante da empresa Davati Medical Supply, que fez a denúncia ao jornal Folha de S. Paulo, o encontro ocorreu em 25 de fevereiro deste ano, no restaurante Vasto, em um shopping em Brasília.

Na ocasião, ele apontou que o coronel Blanco estava presente e que o teria apresentado a Roberto Dias. O ex-diretor de Logística confirmou que o jantar aconteceu, mas negou as acusações sobre o pedido de propina em 7 de julho, quando foi ouvido pela comissão.

Cristiano Carvalho, outro vendedor da empresa Davati Medical Supply no Brasil, também citou o militar durante seu depoimento aos parlamentares, em 15 de julho. “A informação que veio a mim não foi 'propina'. Ele (Dominguetti) usou 'comissionamento'". Se referiu ao comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Marcelo Blanco e da pessoa que o tinha apresentado a Blanco, de nome Odilon”, declarou Carvalho. 

Os senadores aprovaram ainda requisições ao Comando do Exército Brasileiro de todos os relatórios e informações de inteligência, com as correspondentes cópias, a respeito do tenente-coronel Blanco, assim como de Antônio Élcio Franco (ex-secretário-executivo da Saúde), Alexandre Martinelli Cerqueira (ex-subsecretário de Assuntos Administrativos da Saúde) e do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.
 
Instalada em 27 de abril deste ano, a CPI da COVID apura possíveis ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e repasses de verbas a estados e municípios.  
 
*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz
 

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).

Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

O que a CPI da COVID investiga?


O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.



Saiba como funciona uma CPI

Após a coleta de assinaturas, o pedido de CPI é apresentado ao presidente da respectiva casa Legislativa. O grupo é oficialmente criado após a leitura em sessão plenária do requerimento que justifica a abertura de inquérito. Os integrantes da comissão são definidos levando em consideração a proporcionalidade partidária — as legendas ou blocos parlamentares com mais representantes arrebatam mais assentos. As lideranças de cada agremiação são responsáveis por indicar os componentes.

Na primeira reunião do colegiado, os componentes elegem presidente e vice. Cabe ao presidente a tarefa de escolher o relator da CPI. O ocupante do posto é responsável por conduzir as investigações e apresentar o cronograma de trabalho. Ele precisa escrever o relatório final do inquérito, contendo as conclusões obtidas ao longo dos trabalhos. 

Em determinados casos, o texto pode ter recomendações para evitar que as ilicitudes apuradas não voltem a ocorrer, como projetos de lei. O documento deve ser encaminhado a órgãos como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGE), na esfera federal.

Conforme as investigações avançam, o relator começa a aprimorar a linha de investigação a ser seguida. No Congresso, sub-relatores podem ser designados para agilizar o processo.

As CPIs precisam terminar em prazo pré-fixado, embora possam ser prorrogadas por mais um período, se houver aval de parte dos parlamentares

O que a CPI pode fazer?

  • chamar testemunhas para oitivas, com o compromisso de dizer a verdade
  • convocar suspeitos para prestar depoimentos (há direito ao silêncio)
  • executar prisões em caso de flagrante
  • solicitar documentos e informações a órgãos ligados à administração pública
  • convocar autoridades, como ministros de Estado — ou secretários, no caso de CPIs estaduais — para depor
  • ir a qualquer ponto do país — ou do estado, no caso de CPIs criadas por assembleias legislativas — para audiências e diligências
  • quebrar sigilos fiscais, bancários e de dados se houver fundamentação
  • solicitar a colaboração de servidores de outros poderes
  • elaborar relatório final contendo conclusões obtidas pela investigação e recomendações para evitar novas ocorrências como a apurada
  • pedir buscas e apreensões (exceto a domicílios)
  • solicitar o indiciamento de envolvidos nos casos apurados

O que a CPI não pode fazer?

Embora tenham poderes de Justiça, as CPIs não podem:

  • julgar ou punir investigados
  • autorizar grampos telefônicos
  • solicitar prisões preventivas ou outras medidas cautelares
  • declarar a indisponibilidade de bens
  • autorizar buscas e apreensões em domicílios
  • impedir que advogados de depoentes compareçam às oitivas e acessem
  • documentos relativos à CPI
  • determinar a apreensão de passaportes

A história das CPIs no Brasil

A primeira Constituição Federal a prever a possibilidade de CPI foi editada em 1934, mas dava tal prerrogativa apenas à Câmara dos Deputados. Treze anos depois, o Senado também passou a poder instaurar investigações. Em 1967, as CPMIs passaram a ser previstas.

Segundo a Câmara dos Deputados, a primeira CPI instalada pelo Legislativo federal brasileiro começou a funcionar em 1935, para investigar as condições de vida dos trabalhadores do campo e das cidades. No Senado, comitê similar foi criado em 1952, quando a preocupação era a situação da indústria de comércio e cimento.

As CPIs ganharam estofo e passaram a ser recorrentes a partir de 1988, quando nova Constituição foi redigida. O texto máximo da nação passou a atribuir poderes de Justiça a grupos investigativos formados por parlamentares.

CPIs famosas no Brasil

1975: CPI do Mobral (Senado) - investigar a atuação do sistema de alfabetização adotado pelo governo militar

1992: CPMI do Esquema PC Farias - culminou no impeachment de Fernando Collor

1993: CPI dos Anões do Orçamento (Câmara) - apurou desvios do Orçamento da União

2000: CPIs do Futebol - (Senado e Câmara, separadamente) - relações entre CBF, clubes e patrocinadores

2001: CPI do Preço do Leite (Assembleia de MG e outros Legislativos estaduais, separadamente) - apurar os valores cobrados pelo produto e as diretrizes para a formulação dos valores

2005: CPMI dos Correios - investigar denúncias de corrupção na empresa estatal

2005: CPMI do Mensalão - apurar possíveis vantagens recebidas por parlamentares para votar a favor de projetos do governo

2006: CPI dos Bingos (Câmara) - apurar o uso de casas de jogo do bicho para crimes como lavagem de dinheiro

2006: CPI dos Sanguessugas (Câmara) - apurou possível desvio de verbas destinadas à Saúde

2015: CPI da Petrobras (Senado) - apurar possível corrupção na estatal de petróleo

2015: Nova CPI do Futebol (Senado) - Investigar a CBF e o comitê organizador da Copa do Mundo de 2014

2019: CPMI das Fake News - disseminação de notícias falsas na disputa eleitoral de 2018

2019: CPI de Brumadinho (Assembleia de MG) - apurar as responsabilidades pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão
  


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