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Estado de Minas Senadores aproveitam

CPI da COVID vira ''palanque'' nas redes sociais em ano pré-eleitoral

Levantamento do EM mostra desempenho dos senadores da CPI em sites e aplicativos com milhares de seguidores, com interação e divulgação de fatos e opiniões


21/06/2021 04:00 - atualizado 21/06/2021 07:16

(foto: QUINHO)
(foto: QUINHO)
Transcendendo as paredes do Senado Federal, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID vem chamando a atenção dos brasileiros, que, atentos às atualizações políticas, procuram respostas e responsáveis pelas mais de 500 mil mortes pela COVID-19 no Brasil.

Nas redes sociais, os senadores que participam da comissão se conectam cada vez mais com os eleitores e disponibilizam documentos, informações e questionamentos para olhares curiosos. Além da boa repercussão, os políticos transformam os likes e compartilhamentos em palanques para crescer em suas bases eleitorais.

O Estado de Minas analisou as redes sociais dos 11 membros da CPI e dos senadores mais ativos na comissão. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), vem sendo procurado pelos brasileiros nas redes. Com posicionamentos fortes e falas contundentes sobre o estado do Amazonas, Aziz vem sendo considerado pelos bastidores da política como uma verdadeira incógnita. Isso porque, apesar de não ter posicionamento igual ao do governo Bolsonaro, Aziz vem cedendo alguns posicionamentos para a base governista da comissão.

Nas redes sociais, o senador vem sendo um dos membros mais ativos. Publicando atualizações e questões discutidas na CPI, o senador já acumula mais de 100 mil seguidores no Twitter. Cerca de 11 mil pessoas seguem ele no Instagram e 96 mil o curtem no Facebook. Na página oficial do senador, 98 mil pessoas o seguem. “Estamos aqui para ouvir e questionar todos os lados, esclarecer fatos e chegar aos culpados por tanta omissão durante a crise sanitária que estamos vivendo”, escreveu Aziz no Twitter.

Outro nome bem ativo nas redes é o do vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele chegou até mesmo a entrar na onda dos jovens e começar a publicar vídeos no aplicativo Tik Tok. Lá, o senador mostra seu dia a dia e publica como são os minutos antes de as sessões da comissão começarem. Em um vídeo, ele aparece tomando café, dando entrevistas e se dirigindo à CPI da COVID. “Ícone das redes”, como é chamado pelos seus apoiadores, Randolfe já coleciona 327 mil seguidores no Twitter. Ele tem mais de 180 mil seguidores no Instagram e 200 mil curtidas no Facebook. Mais de 200 mil pessoas o seguem na página oficial. Randolfe inclusive utiliza as redes para anunciar que protocolou requerimentos para convocação de depoimentos na CPI. “Estou convocando o Sr. Osmar Terra e o Sr. Paolo Zanotto para comparecer à CPI da COVID”, escreveu Randolfe.

O nome mais polêmico da CPI é do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Muito se discutiu se o ex-presidente do Senado era apto para o cargo, já que seu filho, Renan Júnior (MDB), é governador de Alagoas. A comissão, além de investigar as ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), também investiga os repasses do governo a estados e municípios. Em contrapartida, o senador é sucesso nas redes sociais. No Instagram, Renan usa a “caixa de perguntas" para receber sugestões de questionamentos para depoentes da CPI. Nas sessões, ele chega a citar que a pergunta, feita por ele, foi enviada via redes sociais. “Essa é a CPI mais conectada da história, contamos com a participação de todos os brasileiros”, disse na sexta-feira atrasada.

Renan tem mais de 207 mil seguidores no Twitter e é o membro da comissão mais seguido. No Instagram, o senador coleciona 238 mil seguidores. No Facebook, a página oficial de Renan tem mais de 312 mil curtidas e 314 mil seguidores. Além de pedir a opinião popular, Renan também opina sobre os assuntos da CPI nas redes sociais. Na tarde de quinta-feira, o senador falou sobre a “imunidade de rabanho”, teoria defendida por Bolsonaro. “Só vacinas salvam e imunizam. Imunidade de rebanho por contágio, como novamente defendeu Bolsonaro, é criminoso. Não dá mais para continuarmos a ver o chefe de governo escarnecer de vidas quando perdemos 500 mil brasileiros. Muitas perdas causadas por sua pulsão de morte”, escreveu o senador.

O lado Bolsonarista

Derrotado na articulação política, aliados de Bolsonaro acabaram sendo minoria e indicaram apenas quatro titulares na CPI. Na ala governista, muito ligada nas redes, está Ciro Nogueira (PP-PI), que utiliza as redes para promover o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e as ações do governo. Ciro tem mais de 19 mil seguidores no Twitter e mais de 67 mil no Instagram, onde ele posa ao lado de ministros do governo e compartilha as ações realizadas em seu estado, o Piauí. Nogueira tem mais de 70 mil seguidores no Facebook.

Além dele, Eduardo Girão (Podemos-CE) também é bem ativo nas redes. O senador tem mais de 55 mil seguidores no Twitter, 87 mil no Instagram e 55 mil curtidas no Facebook. Mais de 73 mil pessoas seguem o senador na página oficial. Na maioria dos “posts”, Girão publica notícias sobre a CPI. Ele também compartilha trechos de suas falas e faz “stories” sobre seu dia a dia. Na quarta-feira, o senador foi até as redes falar sobre a convocação de cientistas que defendem o uso de remédios sem eficácia comprovada contra a COVID-19. “Por que tanto medo de ouvir cientistas e médicos renomados a favor do tratamento precoce? CPI só quer apenas uma narrativa e o relator já está com relatório pronto”, escreveu.

Outro membro da ala governista é Jorginho Mello (PL-SC). O senador é muito ativo no Twitter, sempre ponderando as ações da CPI e comentando os últimos acontecimentos. Ele tem cerca de 23 mil seguidores na página. No Instagram, Jorginho Mello também faz muitas postagens. Nas fotos, ele posa ao lado de membros do governo e em uma postagem aparece ao lado do dono da Havan, o empresário Luciano Hang. Jorginho também posta diversos vídeos ao lado do chefe do Executivo, a quem chama de “amigo”. Ele tem mais de 35 mil seguidores na página. No Facebook, o governista tem 35 mil curtidas e 56 mil seguidores.

Presidente do Democratas em Rondônia e vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, o senador Marcos Rogério (DEM) acumula mais de 74 mil seguidores no Twitter. No Instagram, ele acumula mais de 127 mil seguidores. Marcos Rogério também utiliza ferramenta dos stories. Lá, ele mostra o dia a dia como senador, compartilha ideias e vídeos da CPI. “O que aconteceu em Manaus foi grave e pode representar um crime de responsabilidade! A oposição mente ao tentar atribuir ao presidente Bolsonaro uma responsabilidade que compete ao governo estadual e à prefeitura! A oposição terá que virar a página e trabalhar com outra narrativa”, postou no Twitter.

Mulheres? Presente!

Apesar de não serem membros, a bancada feminina está presente na CPI da COVID. Algumas senadoras fazem questão de participar e fazer questionamentos aos depoentes. Entre as mais ativas estão a líder da bancada, senadora Simone Tebet (MDB-MS), Leila Barros (PSB-DF) e Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Tebet tem mais de 192 mil seguidores no Twitter, 32 mil no Instagram, 148 mil curtidas e 150 mil seguidores no Facebook. Leila tem 23 mil no Twitter, 41 mil no Instagram, 35 mil curtidas e  46 mil seguidores no Facebook. Já Eliziane, 29 mil seguidores no Twitter, 41 mil no Instagram,  34 mil curtidas e 45 mil seguidores no Instagram.

‘Independente’, sim, mas não desconectado

Além do presidente da CPI, Omar Aziz, e do relator, Renan Calheiros, outros três senadores são considerados “independentes”. São eles: Otto Alencar (PSD-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Médico, ex-professor e 48º governador do estado da Bahia, Otto Alencar vem chamando a atenção por seus posicionamentos contra o uso do “tratamento precoce”, sem eficácia comprovada contra a COVID-19. O senador, que não era tão conhecido nas redes sociais antes da CPI, tem mais de 58 mil seguidores no Twitter e 70 mil no Instagram. Nas redes, Alencar é uma clara oposição ao presidente Jair Bolsonaro.

Otto é um dos senadores que compartilham os documentos da CPI pelas redes sociais. Além disso, compartilha um quadro chamado de “Resumão da semana”, onde o vídeo mostra os pontos mais importantes discutidos na comissão. Além dos documentos, Otto também vem usando as redes para falar sobre os posicionamentos de Bolsonaro durante a pandemia. “Todos os atestados de óbito por COVID são assinados por médicos. Bolsonaro acusa que tem menos mortes. Onde estão o CFM e os conselhos regionais que não apuram? Nenhum médico daria um atestado que não fosse compatível com a doença. O presidente, como sempre, mente.” No Facebook, o senador baiano tem 56 mil curtidas e 61 mil seguidores na página oficial.

Tasso Jereissati tem 44 mil seguidores no Twitter. No Instagram, ele compartilha suas ideias com mais de 40 mil seguidores. No Facebook, a página oficial do senador tem 87 mil curtidas e 88 mil seguidores. Já Eduardo Braga compartilha suas ideias com mais de 82 mil pessoas no Twitter. O senador utiliza muito o Instagram, onde tem mais de 40 mil seguidores e mais de 5 mil posts. Senador pelo Amazonas, onde a saúde sofreu colapso durante a pandemia, ele compartilha diversas ações realizadas no estado para o combate à COVID. “Quanto mais apuramos os fatos na CPI da Pandemia, mais espalham mentiras e notícias falsas a meu respeito”, escreveu no Twitter. No Facebook, onde ele compartilha vídeos, tem 307 mil curtidas e 311 mil seguidores.

Outros nomes, apesar de não serem membros oficiais da CPI, estão chamando a atenção nas redes sociais. De um lado, o policial federal Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Do outro, o agrônomo Luis Carlos Heinze (PP-RS). Na última terça-feira, Vieira anunciou pelo Twitter que entrará com uma representação contra Heinze no Conselho de Ética do Senado, em razão das “informações falsas” apresentadas pelo parlamentar do Rio Grande do Sul durante a CPI. Heinze é defensor do tratamento precoce. As falas do senador acabaram virando meme nas redes sociais. Ele já compartilha mais de 38 mil seguidores. No Instagram, ele fala sobre suas ideias para mais de 22 mil pessoas e posta sobre a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. Alessandro Vieira também vem aumentando os números nas redes. O policial tem 111 mil seguidores no Twitter e 83 mil seguidores no Instagram. Na página, o senador fala sobre o combate à pandemia e alerta para as notícias falsas. 



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