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Estado de Minas

Bolsonaro: 'ministros vão gravar vídeos pró-cloroquina'

Presidente afirmou que, para se contrapor à CPI, 22 ministros vão gravar depoimentos dizendo que tomaram medicação comprovadamente ineficaz para tratar a COVID


08/05/2021 13:37 - atualizado 08/05/2021 13:44

Bolsonaro voltou a tecer críticas contra governadores e prefeitos que aderiram ao lockdown e toque de recolher(foto: EVARISTO SA / AFP)
Bolsonaro voltou a tecer críticas contra governadores e prefeitos que aderiram ao lockdown e toque de recolher (foto: EVARISTO SA / AFP)
O presidente Jair Bolsonaro caracterizou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid como um "vexame". Declaração foi dada a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada neste sábado (08/05). Além disso, disse que ministros farão um vídeo junto a ele nesta semana informando quem se tratou com hidroxicloroquina. Objetivo é servir como propaganda a respeito da droga que não possui comprovação científica.
 
"Eu sempre perseverei, sempre lutei por aquilo que achava que está certo e continuo dizendo: só Deus me tira daquela cadeira. Não vai ser... aquela CPI é um vexame, só se fala em cloroquina. Mas o cara que é contra, não dá alternativa. Tenho certeza que alguém aqui tomou hidroxicloroquina", apontou. 
 
 
 
"Ontem eu estava retornando de Rondônia. No avião tinham alguns ministros. A gente vai fazer um vídeo nessa semana, 22 ministros, todos aqueles que tomaram hidroxicloroquina vão falar: eu tomei. É a alternativa no momento", destacou o presidente.
 
Críticas a governadores
 
Bolsonaro voltou a tecer críticas contra governadores e prefeitos que aderiram ao lockdown e toque de recolher na tentativa de conter o aumento de casos de covid-19 no país. Até o momento, o Brasil registrou mais de 419 mil óbitos causados pelo vírus. Segundo o presidente, "quem destruiu empregos não foi ele". O chefe do Executivo também ironizou diagnósticos da doença, afirmando que "tudo é covid".
 
"Não está fácil emprego no Brasil. E quem destruiu emprego não fui eu. Foram governadores e prefeitos que fecharam tudo. Deixar bem claro isso aí. Por mim, nada seria fechado porque se não trabalhar vai morrer de fome. E o vírus, tem que enfrentar. Lamento as mortes, dificilmente alguém não tem um amigo ou parente que não morreu de covid, né? Ou de suspeita de covid. Tudo é suspeita de covid", disse.
 
Ele destacou que o país "sofreu um baque na economia, mas que não foi grande". "Sofremos um baque na economia. Quer dizer, não foi um baque grande, mas sofremos. Porque a política do "fique em casa", estão vendo, aumento de inflação, escassez de alguns produtos, mas dá para vencer. Já estamos vencendo isso daí", alegou.
 
Por fim, Bolsonaro disse indiretamente que os líderes estaduais e municipais possuem "sede de poder". "Agora, existem aquelas pessoas que tem sede de poder. Aquela minha cadeira, para quem quer trabalhar com honestidade, não é fácil. Para quem quer trabalhar na base pilantragem como praticamente em quase todos os governos anteriores aconteceu, é mais tranquilo", concluiu.
 

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).

Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

O que a CPI da COVID investiga?


O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.



Saiba como funciona uma CPI

Após a coleta de assinaturas, o pedido de CPI é apresentado ao presidente da respectiva casa Legislativa. O grupo é oficialmente criado após a leitura em sessão plenária do requerimento que justifica a abertura de inquérito. Os integrantes da comissão são definidos levando em consideração a proporcionalidade partidária — as legendas ou blocos parlamentares com mais representantes arrebatam mais assentos. As lideranças de cada agremiação são responsáveis por indicar os componentes.

Na primeira reunião do colegiado, os componentes elegem presidente e vice. Cabe ao presidente a tarefa de escolher o relator da CPI. O ocupante do posto é responsável por conduzir as investigações e apresentar o cronograma de trabalho. Ele precisa escrever o relatório final do inquérito, contendo as conclusões obtidas ao longo dos trabalhos. 

Em determinados casos, o texto pode ter recomendações para evitar que as ilicitudes apuradas não voltem a ocorrer, como projetos de lei. O documento deve ser encaminhado a órgãos como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGE), na esfera federal.

Conforme as investigações avançam, o relator começa a aprimorar a linha de investigação a ser seguida. No Congresso, sub-relatores podem ser designados para agilizar o processo.

As CPIs precisam terminar em prazo pré-fixado, embora possam ser prorrogadas por mais um período, se houver aval de parte dos parlamentares

O que a CPI pode fazer?

  • chamar testemunhas para oitivas, com o compromisso de dizer a verdade
  • convocar suspeitos para prestar depoimentos (há direito ao silêncio)
  • executar prisões em caso de flagrante
  • solicitar documentos e informações a órgãos ligados à administração pública
  • convocar autoridades, como ministros de Estado — ou secretários, no caso de CPIs estaduais — para depor
  • ir a qualquer ponto do país — ou do estado, no caso de CPIs criadas por assembleias legislativas — para audiências e diligências
  • quebrar sigilos fiscais, bancários e de dados se houver fundamentação
  • solicitar a colaboração de servidores de outros poderes
  • elaborar relatório final contendo conclusões obtidas pela investigação e recomendações para evitar novas ocorrências como a apurada
  • pedir buscas e apreensões (exceto a domicílios)
  • solicitar o indiciamento de envolvidos nos casos apurados

O que a CPI não pode fazer?

Embora tenham poderes de Justiça, as CPIs não podem:

  • julgar ou punir investigados
  • autorizar grampos telefônicos
  • solicitar prisões preventivas ou outras medidas cautelares
  • declarar a indisponibilidade de bens
  • autorizar buscas e apreensões em domicílios
  • impedir que advogados de depoentes compareçam às oitivas e acessem
  • documentos relativos à CPI
  • determinar a apreensão de passaportes

A história das CPIs no Brasil

A primeira Constituição Federal a prever a possibilidade de CPI foi editada em 1934, mas dava tal prerrogativa apenas à Câmara dos Deputados. Treze anos depois, o Senado também passou a poder instaurar investigações. Em 1967, as CPMIs passaram a ser previstas.

Segundo a Câmara dos Deputados, a primeira CPI instalada pelo Legislativo federal brasileiro começou a funcionar em 1935, para investigar as condições de vida dos trabalhadores do campo e das cidades. No Senado, comitê similar foi criado em 1952, quando a preocupação era a situação da indústria de comércio e cimento.

As CPIs ganharam estofo e passaram a ser recorrentes a partir de 1988, quando nova Constituição foi redigida. O texto máximo da nação passou a atribuir poderes de Justiça a grupos investigativos formados por parlamentares.

CPIs famosas no Brasil

1975: CPI do Mobral (Senado) - investigar a atuação do sistema de alfabetização adotado pelo governo militar

1992: CPMI do Esquema PC Farias - culminou no impeachment de Fernando Collor

1993: CPI dos Anões do Orçamento (Câmara) - apurou desvios do Orçamento da União

2000: CPIs do Futebol - (Senado e Câmara, separadamente) - relações entre CBF, clubes e patrocinadores

2001: CPI do Preço do Leite (Assembleia de MG e outros Legislativos estaduais, separadamente) - apurar os valores cobrados pelo produto e as diretrizes para a formulação dos valores

2005: CPMI dos Correios - investigar denúncias de corrupção na empresa estatal

2005: CPMI do Mensalão - apurar possíveis vantagens recebidas por parlamentares para votar a favor de projetos do governo

2006: CPI dos Bingos (Câmara) - apurar o uso de casas de jogo do bicho para crimes como lavagem de dinheiro

2006: CPI dos Sanguessugas (Câmara) - apurou possível desvio de verbas destinadas à Saúde

2015: CPI da Petrobras (Senado) - apurar possível corrupção na estatal de petróleo

2015: Nova CPI do Futebol (Senado) - Investigar a CBF e o comitê organizador da Copa do Mundo de 2014

2019: CPMI das Fake News - disseminação de notícias falsas na disputa eleitoral de 2018

2019: CPI de Brumadinho (Assembleia de MG) - apurar as responsabilidades pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão
 


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