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Estado de Minas INQUÉRITO

Servidores da ALMG em home office foram vacinados para reforçar atendimento

Em depoimento à CPI dos fura-filas, diretor da área de Saúde do Legislativo explicou os motivos para a decisão e garante que vacinação teve respaldo técnico


25/03/2021 13:56

Vacinação de servidores da gerência de Saúde do Parlamento também está na mira de CPI(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press )
Vacinação de servidores da gerência de Saúde do Parlamento também está na mira de CPI (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press )
Cinco dos 55 servidores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vacinados contra o novo coronavírus estavam em teletrabalho quando foram imunizados. A informação foi dada nesta quinta-feira (25/3) pelo diretor do setor de Saúde do Parlamento mineiro, o médico Marcus Vinicius Pereira. A ideia, segundo ele, foi apressar o retorno dos profissionais para encorpar o atendimento aos casos que chegam ao ambulatório do prédio do poder Legislativo.

Marcus Vinicius depôs à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada por deputados estaduais para apurar possíveis irregularidades na imunização de servidores públicos. Entre os casos analisados, está a situação envolvendo trabalhadores da Assembleia. 

Foram imunizados médicos, dentistas, psicólogos, enfermeiros, recepcionistas do setor, uma assistente social e a responsável por higienizar o espaço. Eles receberam a primeira dose em fevereiro e foram contemplados com a injeção definitiva neste mês. Do grupo de cinco trabalhadores em home office convocados, dois são médicos; outros três, responsáveis por auxiliar dentistas nos atendimentos, fazendo funções como a esterilização de equipamentos.

“Nossa preocupação foi fazer a imunização desses profissionais tendo em vista a escassez dos nossos recursos humanos no momento em que a demanda por esse tipo de atendimento é imensa. Fizemos questão de vaciná-los para trazê-los presencialmente o quanto antes. Isso já se deu. Esses profissionais, hoje, estão na Assembleia trabalhando”, explicou Marcus Vinicius.

O chefe da área de saúde da Assembleia garantiu que a vacinação do grupo recebeu o aval da Prefeitura de Belo Horizonte, que tem comitê para regulamentar a distribuição das doses que chegam à cidade.

Estagiários também foram vacinados. O médico da Assembleia, porém, explicou que os aprendizes são responsáveis por aferir a temperatura das pessoas que circulam pelas dependências da Casa. Segundo o diretor, os jovens também atuam em outros locais de saúde, como unidades de terapia intensiva (UTIs) de hospitais. Ele assegurou que o grupo imunizado está de acordo com as diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde.

Marcus Vinícius Pereira entregou a João Vítor Xavier (Cidadania), presidente da CPI, listagem detalhando as funções dos 55 imunizados. “(O documento) comprova que essas pessoas contribuem — e muito — para a saúde da nossa Assembleia Legislativa”, pontuou.

Listas sob sigilo

A CPI também se debruça sobre a vacinação de funcionários da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). O grupo apura a imunização de mais de 800 trabalhadores que davam expediente na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, e de cerca de 1.500 assessores da pasta no interior.

A ALMG já apresentou, à imprensa, as listas de vacinados. Nesta quarta, entretanto, os parlamentares solicitaram que os documentos ganhem sigilo de 100 anos

Governo investiga servidores da SES vacinados

A Controladoria-Geral do Estado (CGE) mantém investigação preliminar do caso dos servidores vacinados pelo poder Executivo. Por ora, o inquérito corre em sigilo. Se irregularidades forem detectadas, sindicâncias serão instauradas.

“Primeiro a gente tem que confirmar todos os elementos, (como) autoria e materialidade. No caso da CGE, pela legislação imposta, também temos que avaliar consistência, nexo causal e outros elementos. Aí sim, depois, caso seja verificada a necessidade, a gente abre os processos administrativos disciplinares”, afirmou, nesta quinta, também em depoimento à CPI, o controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle Miranda.

A Ouvidora-Geral de Minas Gerais, Simone Deoud, e a ouvidora de Saúde do estado, Thamiris Aguiar, falaram sobre as denúncias que receberam.

Os deputados pediram relatório detalhado das viagens feitas pelo ex-secretário Carlos Eduardo Amaral e seu adjunto, Luiz Marcelo Cabral Tavares, desde o início da vacinação em MG. A lista deve conter os locais visitados e os a relação dos gastos empenhados nas agendas.

Pedidas, também, as cópias de conversas mantidas pelo governo em negociações para a produção de vacinas no estado. Em janeiro, o Estado de Minas mostrou que a gestão de Romeu Zema (Novo) viu as tratativas com a farmacêutica chinesa Sinopharm naufragarem após gafe diplomática e diálogo lento.


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