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Estado de Minas PARTIDOS

PSL deixa portas abertas para Bolsonaro retornar à legenda

Bancada mineira do PSL aprova volta do presidente à legenda, mas "namoro" ainda esbarra em divisões internas entre bolsonaristas e aliados a Luciano Bivar


14/03/2021 04:00 - atualizado 14/03/2021 07:40

Presidente Jair Bolsonaro está sem legenda desde que abandonou o PSL e tentou criar o Aliança pelo Brasil(foto: Agência Brasil)
Presidente Jair Bolsonaro está sem legenda desde que abandonou o PSL e tentou criar o Aliança pelo Brasil (foto: Agência Brasil)


Deputados federais mineiros do Partido Social Liberal (PSL) veem com bons olhos o eventual retorno do presidente Jair Bolsonaro à legenda. A volta, porém, depende de conversas que passam, sobretudo, por conceder a Bolsonaro “carta branca” para montar diretórios estaduais.

A desfiliação do presidente, em novembro de 2019, ajudou a evidenciar a divisão da bancada federal: enquanto parte dos 53 parlamentares é alinhada ao bolsonarismo, outro grupo tem raízes estabelecidas na ala ligada a Luciano Bivar, congressista pernambucano que comanda a direção nacional da agremiação. Apesar dos problemas internos, o partido concentra forças na reunificação de seus quadros

Empossado presidente do PSL mineiro em fevereiro deste ano, o delegado Marcelo Freitas, deputado federal em primeiro mandato, diz que o partido recebe Bolsonaro se esse for o desejo do chefe do Executivo nacional. “Nosso partido está de portas abertas para o retorno do presidente Bolsonaro. Então, só depende dele retornar ou não ao PSL. O diálogo nunca nos faltou”, garantiu ao Estado de Minas.

Na quinta-feira, o presidente afirmou, em sua live semanal, que conversa com diversas legendas – entre elas, o PSL. A ideia dele é decidir o futuro até o fim do mês. Presente à transmissão, o líder pesselista na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), falou que a agremiação tem dado “piscadas” para o capitão.

Vice-líder do partido no Legislativo, Charlles Evangelista crê que a resolução de problemas vistos na passagem anterior pode fazer a relação reatar. “Duvido que alguém vá querer rejeitar um presidente da República com prestígio que tem para formar bancadas. Obviamente, tem que acertar algumas coisas para que não ocorram as confusões que aconteceram. Há vários deputados com interesses diferentes, mas, na minha opinião, a chance é grande de caminhar para o retorno”, afirma.

Ligado a Bolsonaro, o também mineiro Cabo Junio Amaral tem opinião semelhante. “Não sei o que está pensando, neste momento, o presidente, mas não acho impossível o retorno dele ao PSL. Na minha visão, Bolsonaro não voltaria se não fossem dadas a ele condições claras de autonomia na condução do partido, principalmente na montagem dos diretórios estaduais. É pouco provável, mas não impossível”.

A reboque de Bolsonaro, o PSL multiplicou por seis o número de representantes na Câmara — partido terminou a legislatura passada com oito deputados. Parte deles, porém, pode seguir o presidente se ele optar por outro partido — a Aliança pelo Brasil, sonho inicial, ainda não saiu do papel.

Junio Amaral é um dos que pretendem voltar a ser correligionário do presidente. Ele crê que metade da bancada federal deve seguir o mesmo caminho. “A outra metade não vai ‘largar o osso’. O PSL, hoje, é o partido mais rico no fundo partidário. Por mais que os deputados que queiram permanecer no PSL saibam da credibilidade que têm junto ao eleitorado por causa do presidente, vão assumir esse risco”, vislumbra.

Marcelo Freitas e Charlles Evangelista, por seu turno, pretendem continuar no partido. “Sem dúvida alguma, permaneço no partido em quaisquer circunstâncias. Sou partidário. Defendo as ideias do PSL”, assegura o presidente da legenda em Minas. Tido como integrante do grupo mais próximo a Luciano Bivar, Marcelo refuta a existência de “racha” nos quadros pesselistas.

“Basta observar o histórico de votações de cada deputado. No meu caso, embora seja considerado da ala bivarista, o que é motivo de satisfação, tenho votado a favor das pautas governistas muito mais do que alguns ditos bolsonaristas. Bolsonarista ou bivarista é apenas um ponto de vista. Somos todos do PSL. Após muito diálogo e acordos internos, vejo o partido mais unido do que nunca”.

Pacificação

Neste ano, o PSL enfrentou grande estresse por conta da eleição da Câmara. O partido aderiu ao bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), mas uma reviravolta puxada por bolsonaristas levou a legenda à coalizão em torno de Arthur Lira (PP-AL). Para resolver o imbróglio, um acordo de pacificação foi feito. A 1° secretaria do Parlamento ficou com Luciano Bivar.

Charlles Evangelista é otimista ao tratar do tema. “Alguns deputados do ‘PSL raiz’ não ficaram satisfeitos, até por conta de perda de espaço. Mas a coisa está sendo construída. Major Vitor Hugo está fazendo um trabalho muito bom de conciliação, para tentar apaziguar. Ainda temos arestas para aparar, o grupo ainda está dividido, mas a gente está caminhando. Acredito que tem tudo para dar certo”, projeta.

Evangelista era o presidente estadual antes de Marcelo Freitas. Ele garante que a mudança foi feita sem deixar mágoas e diz que o novo comandante é de sua confiança. “Não há absolutamente nenhum desentendimento em Minas Gerais. Muito pelo contrário. Estamos unidos e coesos na defesa das pautas essenciais para a nação”, corrobora o novo dirigente.


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