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Estado de Minas Gestão de governo

Popularidade de Bolsonaro despenca, aponta pesquisa

Pesquisa do Instituto ideia, divulgada nesta sexta-feira (22/01), revela queda na gestão do governo do presidente Jair Bolsonaro


22/01/2021 09:09 - atualizado 22/01/2021 09:41

Pesquisa do Instituto Ideia aponta que a desaprovação ao governo Bolsonaro pulou para 45%(foto: Nelson Almeida/AFP)
Pesquisa do Instituto Ideia aponta que a desaprovação ao governo Bolsonaro pulou para 45% (foto: Nelson Almeida/AFP)

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (22/01) pelo Instituto de Pesquisa Ideia, e publicado pela revista Exame, registra queda na aprovação da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que caiu de 37% para 26%.

O declínio representa a maior queda semanal desde o início do governo de Bolsonaro, em janeiro de 2019.

Também de acordo com a pesquisa, a avaliação da gestão de Bolsonaro voltou ao mesmo nível da avaliação dos pesquisados em junho de 2020, mês que se revelou o mais crítico até aqui da pandemia do novo coronavírus.

Pesquisa do Instituto Ideia aponta que a desaprovação ao governo Bolsonaro pulou, portanto, para 45%. Veja pesquisa completa aqui

O levantamento foi realizado depois do caos no atendimento às vítimas da COVID-19 em Manuas, com mortes por asfixia por falta de oxigênio, e a aprovação pela Anvisa do uso emeregecial da vacina Coranavac.

Despencou


Com a crise de saúde pública em Manaus e desencontros sobre o cronograma de vacinação, a aprovação à gestão do presidente Jair Bolsonaro caiu de 37% para 26%, a maior queda semanal desde o início de seu governo.

Agora, está no mesmo nível de junho de 2020, um dos momentos mais críticos da pandemia. A queda acentuada fez com que a desaprovação ao governo saltasse para 45%.

Maior renda e escolaridade


A desaprovação do presidente é maior entre a população de maior renda e de escolaridade. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 58% não aprovam a gestão do presidente.

No grupo dos que têm ensino superior, 64% desaprovam o governo federal.

Centro-Oeste e evangélicos


Em relação à aprovação do presidente, ela segue maior entre os que moram no Centro-Oeste e os evangélicos. 

Entre os que moram no Centro-Oeste, 36% aprovam o governo Bolsonaro — nas outras regiões do Brasil, esse índice varia de 22% a 27%.

Entre os evangélicos, 38% apoiam o governo Bolsonaro, ante 20% dos católicos e 23% dos que declaram seguir outra religião.

Entrevistados

A pesquisa foi realizada por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 18 e 21 de janeiro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

“A dinâmica dos sérios problemas em Manaus junto a falta de perspectivas sobre um cronograma de vacinação e o fim do auxílio emergencial constituem os principais fatores que levam à queda de popularidade do presidente”, diz Maurício Moura, fundador do IDEIA.

Os dados de avaliação do governo  mostram um desempenho similiar: o percentual de pessoas que considera o governo ótimo ou bom passou de 38% para 27%. Do mesmo modo, o grupo que avalia a gestão Bolsonaro como ruim ou péssima subiu de 34% para 45%.

Manaus

A pesquisa também perguntou se a crise de saúde pública em Manaus, que vive uma deficiência no fornecimento de oxigênio para os hospitais e um aumento substancial de casos de COVID-19, poderia influenciar a avaliação do governo.

Para 60% dos entrevistados, o quadro atual na capital amazonense deve impactar o modo como analisam o trabalho do presidente. Para outros 22%, não deve fazer diferença.

Quando se observa o aspecto regional, 66% dos que moram no Nordeste dizem que a avaliação do governo deve ser influenciada pela crise em Manaus, enquanto que 57% dos que moram no Sudeste e no Norte – epicentro da atual crise – compartilham da mesma opinião.

O impacto dos acontecimentos em Manaus também repercute mais na população de alta escolaridade e renda: 71% dos que têm ensino superior dizem que a avaliação do governo deverá ser impactada, assim como 67% das pessoas com rendimentos superiores a cinco salários mínimos têm a mesma opinião.

“As classes média e alta, que poucas vezes usam o sistema público de saúde por ter plano particular, está insatisfeita porque as vacinas, a cargo do governo, não chegam e não há, até agora, uma definição sobre o calendário da campanha de imunização”, diz Moura. “Ao mesmo tempo, o fim do auxílio é visto negativamente por boa parte da população.”
 

Pazuello


A pesquisa também perguntou sobre como a população avalia o trabalho do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Enquanto 28% dos entrevistados consideram o trabalho do ministro como bom ou ótimo, outros 32% consideram a gestão de Pazuello ruim ou péssima. Outros 33% avaliam como regular.

Os dados mostram que a avaliação do ministro é melhor do que a do presidente Bolsonaro (27% consideram bom ou ótimo; 45% acham ruim ou péssima).

“A população com menos instrução geralmente não sabe quem são os ministros, mas conhecem o presidente. Por isso, o governo federal tende a ser mais responsabilizado em momentos de grave crise”, diz Moura, do Ideia.


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