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Estado de Minas Pandemia

Maia prevê abertura de CPI para investigar omissão do governo Bolsonaro

Presidente da Câmara Rodrigo Maia acusa falta de planejamento de Bolsonaro e sua equipe para enfrentar a pandemia do novo coronavirus


19/01/2021 04:00 - atualizado 19/01/2021 08:56

''O presidente coloca narrativa de que o Supremo tirou o poder do governo de agir nos estados, e não foi nada disso. O Supremo deixou claro que a coordenação do SUS é do governo federal'' - Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO - 5/10/20)
''O presidente coloca narrativa de que o Supremo tirou o poder do governo de agir nos estados, e não foi nada disso. O Supremo deixou claro que a coordenação do SUS é do governo federal'' - Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO - 5/10/20)
Brasília – A duas semanas de deixar a presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que será inevitável que o Congresso crie uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as mortes e a falta de planejamento do governo federal durante a pandemia do novo coronavírus.

Outro tema que, segundo ele, deverá surgir no plenário é o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A declaração do parlamentar foi feita depois de reunião da Mesa Diretora, que confirmou a eleição para o comando do Congresso na noite de 1º de fevereiro.

Maia também criticou o ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, escolhido para o cargo por ser especialista em logística, por não ter conseguido se antecipar ao colapso do sistema de saúde de Manaus.

A Advocacia Geral da União informou ao Supremo Tribunal Federal que notificou Pazuello sobre o risco de colapso na capital amazonense em 3 e 4 de janeiro, e novamente seis dias depois.

“Não tem planejamento no governo federal. O presidente mesmo coloca dessa forma, uma narrativa de que o Supremo tirou o poder do governo federal de agir nos estados, e não foi nada disso. O Supremo deixou claro que a coordenação do SUS é do governo federal”, disse Maia. “Eu sei de laboratório que mandou e-mail durante várias semanas no ano passado para vender vacina, e não foi nem respondido. E essa vacina está imunizando os EUA, a Grã-Bretanha. Não há planejamento e não se acreditava na importância da vacina”, continuou.

O parlamentar afirmou ainda: “O que me estranha é que quando o ministro Pazuello foi escolhido, acho que ele é um bom militar, o motivo que o levou ao ministério era ser bom de logística, o que se provou um fracasso. Pelo menos até o momento. Se ele fosse bom de logística, teria organizado e planejado, acompanhando os indicadores de crescimento do problema em Manaus e outras regiões, de forma a não faltar insumos para o trabalho dos profissionais de saúde”, criticou Maia.

De acordo com Maia, essa postura do governo “vai virar uma grande investigação”. “É inevitável que a gente tenha, pelo menos, uma grande CPI, que seja da Câmara ou do Congresso, a partir de um pouco mais na frente, e certamente essa investigação vai chegar aos responsáveis pelo não atendimento ao e-mail de uma indústria farmacêutica querendo vender vacina para o Brasil, e que agora já não tem mais essas vacinas para vender. Toda essa desorganização, toda essa falta de capacidade de logística e de entrega de equipamentos e insumos aos estados e municípios, isso tudo vai ficar claro mais na frente”, criticou.

IMPEACHMENT 


Questionado, especificamente, sobre um processo de impeachment, Maia destacou que é preciso ter cuidado para não retirar o foco do enfrentamento à pandemia. “Nesse momento, acho que, com tantas vidas perdidas pelo Brasil, e com o caso dramático de Manaus, acho que esse tem que ser o nosso foco. Não que o tema do impeachment não deva entrar na pauta, ou uma CPI para investigar tudo que aconteceu na área de saúde na pandemia. Mas, se neste momento a gente tira o foco do enfrentamento à COVID, a gente transfere para o Parlamento uma crise política, e deixa de focar no principal, que é tentar salvar vidas”, argumentou.

Maia parabenizou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o Instituto Butantan pela vacina. Destacou que o governador paulista chegou a sofrer ataques nas redes, por planejar e garantir a compra e a vacinação da população do estado, enquanto Jair Bolsonaro afirmava que não compraria a vacina e trabalhava contra a distribuição do imunizante no país. Para o parlamentar, Doria foi desrespeitado por causa da parceria com o laboratório chinês que produziu a CoronaVac.

ELEIÇÃO 

Rodrigo Maia confirmou que a eleição para o comando da Casa será realizada de forma totalmente presencial em 1º de fevereiro. A decisão foi tomada pela Mesa Diretora da Casa, com o voto contrário de Maia. A Casa estudava a possibilidade de voto virtual ao menos para os deputados do grupo de risco da COVID, mas o bloco do candidato Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, era contra. O Progressistas já havia questionado oficialmente a Câmara, inclusive, levantando suspeitas sobre ataques hackers.

Para resolver o imbróglio, a Mesa Diretora da Câmara foi convocada para reunião ontem para deliberar e definir o formato da eleição. "Decidiu-se por maioria, contra meu voto, não haver flexibilidade na votação presencial", disse Maia. Ele era a favor da flexibilização para os idosos e para parlamentares com comorbidades. De acordo com Maia, em razão dessa decisão, 513 deputados e um total de ao menos 3 mil pessoas terão que comparecer à Câmara no dia da votação.

Ele lembrou a posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Fux, em que vários convidados, incluindo Maia, se contaminaram com a covid-19. "Vamos trazer parlamentares de 27 estados em um momento de crescimento da pandemia", disse, destacando que a nova variante do vírus é mais contagiosa e letal. A Mesa Diretora adiou a terceira decisão que deveria ter tomado sobre a validade das assinaturas de deputados suspensos do PSL, o que pode tirar o partido do bloco de Baleia Rossi (MDB-SP) e colocar a sigla no de Lira. A legenda é a segunda maior bancada da Casa. 



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