O presidente Jair Bolsonaro citou 17 vezes cloroquina e/ou hidroxicloroquina durante a coletiva de imprensa na qual anunciou que foi contaminado pelo novo coronavírus. Ele aproveitou a ocasião para dizer que está fazendo uso do remédio, preventivamente, desde o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Suspeitas de que Bolsonaro tinha COVID-19 surgiram na noite de segunda-feira (6), quando o presidente apresentou sintomas do vírus, como febre alta, e realizou o teste no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília.
Leia Mais
Ministros e outras autoridades fazem teste após Bolsonaro confirmar COVID-19COVID-19: embaixador dos EUA que almoçou com Bolsonaro testa negativo Mandetta diz que Bolsonaro fará uso político do exameDeputado bolsonarista diz que cloroquina não funciona e pede que presidente 'obedeça a medicina'Após teste positivo de Bolsonaro, Eduardo defende uso de cloroquinaEntenda o que a tomografia mostrou sobre o estágio da COVID-19 em BolsonaroCoronavírus: governo registra 1.565 casos entre servidores públicos federaisBolsonaro teve contato recente com ao menos 40 pessoas; veja a listaA cloroquina e a hidroxicloroquina custaram o mandato do ex-ministro da Saúde Nelson Teich. Desde a posse, o médico aguardava que testes comprovassem a eficácia ou não dos medicamentos para decidir se eles deveriam ser indicados para o tratamento de pacientes com o coronavírus, posição desejada e cobrada pelo presidente Bolsonaro. Teich não concordava com a pressão vinda do presidente e, em 15/5, pediu demissão do Ministério, menos de um mês após ter assumido a pasta.
Mesmo com a falta de um parecer favorável ao medicamento por parte da comunidade científica internacional, Bolsonaro mandou, em março, que o Exército brasileiro produzisse cloroquina. Mais de 1,2 milhão de comprimidos do remédio foram fabricados pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército – normalmente são 250 mil a cada dois anos, para tratamento da malária.
Após a saída de Teich, o general Eduardo Pazuello se tornou o ministro interino da Saúde e aprovou a cloroquina para todos os pacientes com coronavírus. No protocolo, desenvolvido pelo Ministério, recomenda-se a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da COVID-19.
(*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves)