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Estado de Minas

Moro diz que ministros do governo vão apoiar reeleição de presidente Bolsonaro

Em entrevista ao Roda Viva, ministro Sergio Moro critica Congresso por aprovar criação do juiz de garantias: 'fez de maneira açodada'


postado em 21/01/2020 00:10

(foto: TV Cultura/Divulgação)
(foto: TV Cultura/Divulgação)
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, classificou como problemática e “feita de maneira açodada” a decisão do Congresso de criar a figura do juiz de garantias. Moro comemorou a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de suspender por seis meses a implantação da medida.

O ministro considerou positivo o primeiro ano do governo Bolsonaro e afirmou que não tem ambição de disputar o Palácio do Planalto. “Sou ministro do governo. Evidentemente, os ministros vão apoiar o presidente (na reeleição)”, afirmou Moro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (20). 

O texto que cria o juiz de garantias, aprovado pelo Congresso e sancionado por Bolsonaro, é alvo de críticas de Moro desde o fim do ano passado. Na noite desta segunda-feira (20), o ministro subiu o tom das críticas ao Parlamento e disse que era necessário que deputados e senadores tivessem estudado melhor sobre o tema.

“Minha avaliação é que a questão sobre o juiz de garantias está sendo feita de forma errada: você é contra ou a favor. Os problemas são os detalhes. A Câmara, com todo respeito, inseriu essa figura e fez essa reforma de maneira açodada. Quantas comarcas de primeira instância têm um juiz? 40%? 20%? Na verdade, ninguém sabe. Nós nem sequer sabemos o impacto disso nas comarcas. Foi feito de maneira apressada, sem que houvesse um estudo. Não se tem resposta se vai melhorar ou piorar o sistema. Se é ou não viável. São perguntas que o legislador deveria ter feito antes de aprovar a legislação”, afirmou Moro.

Ele minimizou revezes no ano passado com projetos desidratados no Congresso, como o pacote anticrime, e considerou normal que parlamentares façam mudanças nas propostas apresentadas pelo Executivo.

“Como juiz, por 22 anos, tive decisões que prevaleceram e outras que foram alteradas, isso faz parte do sistema judicial. Como ministro existe a mesma situação, nem tudo que se pretende se consegue”, admitiu

Segundo ele, os bons números obtidos no combate à criminalidade em 2019 deve ser divididos com os governos estaduais e municipais, mas mostram que o trabalho do Ministério da Justiça com o isolamento de lideranças do crime organizado e apreensões ao tráfico de drogas têm surtido efeito positivo.

“Existe um trabalho mais próximo nas fronteiras e um trabalho de investigação nas capitais feito pela Polícia Federal. O resultado são recordes de apreensões de drogas”, disse.

CONSELHOS PARA BOLSONARO

Perguntado sobre não ter se manifestado sobre o caso do ex-secretário da Cultura Roberto Alvim – que fez vídeo com referências nazistas e foi demitido por Bolsonaro – Moro afirmou que a decisão do presidente foi acertada e que se manifestou internamente com o governo de que considerava a “situação insustentável”.

“Não cabe ao ministro da Justiça ser um comentarista político. Nesse caso, foi um episódio bizarro. Dei minha opinião ao presidente. E ele tomou a decisão correta. Minha opinião era que a situação era insustentável. O presidente, como chefe do Executivo, tomou a decisão e agiu com rapidez. Dei minha posição, mas para dentro”, disse o ministro da Justiça.

O ministro defendeu sua atuação à frente da Operação Lava-Jato a classificou como “monte de bobajadas” as denúncias do site The Intercept, que trouxeram à tona mensagens trocadas entre Moro e procuradores da força-tarefa do Ministério Público.

“Nunca dei muita importância. É um monte de bobajada. Usadas politicamente para soltar criminosos presos. Tenho consciência tranquila do que fiz como juiz. Houve várias condenações de pessoas que se corromperam ou lavaram dinheiro e houve absolvições. Nem tudo foi sancionado pelo juiz”, analisou Moro. Sobre uma possível indicação para o Supremo Tribunal Federal – este ano o ministro Celso de Melo se aposentará –, Moro desconversou e disse que sua intenção é aprofundar o trabalho à frente da pasta da Justiça.

Ele descartou desavenças com o Bolsonaro por sua popularidade ser maior do que a do presidente. “Tenho uma ótima relação com o presidente. O que existe muitas vezes é uma rede de boatos”, afirmou.


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