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Estado de Minas PELO 'IMPEACHMENT'

Manifestantes protestam contra ministro Gilmar Mendes em BH

Em número bem menor que o de protestos anteriores a favor da Lava-jato, o grupo se concentrou na Praça da Liberdade para pedir o impeachment do ministro do STF


postado em 17/11/2019 16:21 / atualizado em 18/11/2019 11:21

(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)
(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)

A Praça da Liberdade foi palco de manifestação pelo impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na tarde deste domingo (17). Simpatizantes do governo do presidente Jair Bolsonaro se concentram no entorno do coreto, de onde lideranças discursavam e conclamavam os presentes a entoar palavras de ordem contra o Supremo.

Vestidos de verde e amarelo e com faixas pedindo, entre outras medidas, o fim da vitaliciedade e a instituição de concursos públicos para os cargos de ministros do STF, os manifestantes gritaram várias vezes  "fora Gilmar" e o chamaram de corrupto. Também bradaram contra o comunismo e o ativismo do Judiciário.

A psicóloga Valéria Imaculada, 52 anos, se fantasiou de Hulk e veio com o cachorro Estelar, vestindo uma roupa do Brasil.  "Estou verde de raiva com a corrupção no país. Tirar só o Gilmar não resolve o golpe do Judiciário", afirmou. Segundo Imaculada, o país vive uma ditadura da toga. "Tirar só ele não impede de soltar 200 mil bandidos".

A psicóloga Valéria Imaculada, fantasiada de Hulk, com seu cachorro Estelar(foto: Tulio Santos/EM/D.A Press.)
A psicóloga Valéria Imaculada, fantasiada de Hulk, com seu cachorro Estelar (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press.)
A psicóloga disse estar "um tanto frustrada" com o governo Bolsonaro que, segundo ela, está sendo "politicamente correto demais da conta". "Uma coisa é negociar com a China e a outra é liberar para estudantes de lá vir para cá sem visto.  Estamos tendo os mesmos direitos lá?", questiona a manifestante, que disse ser a favor de uma intervenção e de uma nova constituinte no país. "A constituição já não representa a realidade do país", disse. 

Já aposentada Alda de Oliveira Frade Rios, 67, diz ser contra Gilmar, a favor de Sérgio Moro, e pela reeleição de Jair Bolsonaro em 2022."Ele (Gilmar) é injusto, só faz justiça para quem é poderoso. E a nossa Constituição é socialista, dá margem a interpretações, não deveria ser assim. É o cúmulo do absurdo isso", avalia.

Entre um discurso e outro, os manifestantes cantaram o hino nacional e ouviram músicas de apoio a Bolsonaro. Além de Gilmar Mendes, o aposentado Miguel Vilela, 69, criticou o ministro Dias Toffoli pelo pedido que fez para ter acesso a dados sigilosos de 600 mil pessoas, produzidos pelo antigo Coaf. "Os que estão lutando contra o Brasil tem de sair fora, o Bolsonaro tinha que ter tirado à força, invadido e trocado (os ministros), porque eles são contra o Brasil", disse.

A professora Helane Diniz Pereira, 53, argumentou que o STF está impedindo o país de sair do buraco  por gerar insegurança jurídica. "Isso faz com que os investidores deixem de trazer dinheiro para o Brasil, porque não há Justiça no país."

Com menor público em comparação com outros protestos, os manifestantes também repetiram cantos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.  "Lula ladrão, seu lugar é na prisão" e "a nossa bandeira jamais será vermelha" foram algumas das palavras de ordem.  Não faltaram, ainda, gritos de apoio a Bolsonaro e recados contra a "ameaça do comunismo".
 
(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press )
(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press )


No coreto da praça,  os manifestantes também foram convidados a assinar, a partir de quinta- feira, a lista pela criação do novo partido do presidente Jair Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil. O grupo aplaudiu e respondeu com gritos de "mito", quando o nome do presidente foi exaltado.

Outro recado passado a quem foi à Praça da Liberdade foi para usar o celular e as redes sociais para pressionar o presidente do Senado Davi Alcolumbre (Dem) a pautar o pedido de impeachment de Gilmar Mendes apresentado ao Senado.

Entenda o protesto

Gilmar Mendes foi um dos seis ministros do STF que votaram contra a possibilidade de prisão em segunda instância, decisão que já levou à liberdade políticos condenados como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu, do PT, e o ex-governador Eduardo Azeredo, do PSDB.

Mendes se tornou alvo preferencial dos bolsonaristas por ter mudado seu voto no julgamento. Na sessão, afirmou que a nova posição se deu por causa do “desvirtuamento que as instâncias ordinárias passaram a perpetrar em relação à decisão do STF em 2016 (quando a corte autorizou a execução provisória da pena)”. O ministro também se tornou um dos mais críticos à Operação Lava-Jato.

Apesar de ser alvo dos bolsonaristas, Gilmar Mendes também proferiu uma decisão recente que beneficiou um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Foi dele a ordem para que o Ministério Público e a Justiça do Rio de Janeiro parassem as investigações contra Flávio Bolsonaro até o julgamento de uma liminar concedida pelo colega Dias Toffoli, que mandou suspender os casos envolvendo dados do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A decisão do plenário sobre as liminares que paralisaram o caso Fabrício Queiroz está prevista para esta semana, na quinta-feira (21).

Os atos contra Gilmar Mendes espalhados pelo país, que ocorreram desde a manhã deste domingo, foram programados em mais de 20 cidades. No Twitter, os militantes virtuais colocaram a hashtag “BrasilContraGilmarMendes” entre os assuntos mais comentados do dia.


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