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Estado de Minas CRÍTICAS

Expulso por infidelidade

PSL exclui Alexandre Frota por críticas ao partido e a Bolsonaro. O deputado estava insatisfeito com veto às suas indicações para a Ancine e com perda de poder em diretório


postado em 14/08/2019 04:00

O deputado federal Alexandre Frota apoiou a eleição de Jair Bolsonaro, mas passou a criticá-lo depois da posse (foto: dida sampaio/estadão conteúdo)
O deputado federal Alexandre Frota apoiou a eleição de Jair Bolsonaro, mas passou a criticá-lo depois da posse (foto: dida sampaio/estadão conteúdo)

O PSL expulsou ontem, por unanimidade (oito votos a zero), o deputado federal Alexandre Frota (SP), que passou a fazer críticas à legenda e ao governo Bolsonaro, seu correligionário. Uma das peças mais atuantes em favor da votação da reforma da Previdência, Frota estava insatisfeito com o veto do Palácio do Planalto a indicações dele para cargos na Agência Nacional de Cinema (Ancine) e com a perda de poder do diretório municipal de Cotia, região metropolitana da capital paulista. A decisão expõe um racha dentro do diretório estadual da sigla em São Paulo, hoje comandado pelo filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
 
Oficialmente, a executiva nacional do PSL justificou a saída afirmando que Frota demonstrou "infidelidade" ao atacar o governo e colegas de bancada nos últimos meses. O deputado foi criticado, sobretudo, por se abster na votação do segundo turno da Previdência, o que foi considerado uma "traição" à legenda. A proposta foi aprovada por 370 votos a favor, 124 contra e uma abstenção, a do parlamentar. "Já estávamos em cima das declarações dele que haviam ocorrido em relação aos fatos negativos, que eu não vou repetir aqui, no que diz respeito ao presidente da república, no que diz respeito aos companheiros parlamentares, com respeito à avaliação que ele fazia do governo. Então, achamos e não concordamos com aqueles argumentos dele”, afirmou Bivar.  Nas últimas semanas, a situação do parlamentar na sigla piorou mais após ele afirmar que o presidente Jair Bolsonaro é a sua "maior decepção" e que a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington representa a "velha política".
 
Na semana passada, Frota compartilhou reportagem crítica ao presidente e seus filhos, que relatava os laços familiares de empregados nomeados por eles desde 1991. No mesmo dia, atacou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) por uma postagem dela criticando-o pela aproximação com o governador de São Paulo, João Doria, do PSDB.
 
Os controles dos diretórios municipais no estado viraram disputa entre o grupo político do senador Major Olímpio (PSL-SP) e parte dos parlamentares não ligados à bancada militar, como Junior Bozella e o próprio Frota. O senador articulou o processo de expulsão endossando o pedido feito por Carla Zambelli e subscrito pelos também deputados Caroline di Toni (SC), Bia Kicis (DF) e por Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP).
Frota afirmou publicamente que o senador instalou uma "milícia de ex-PMs" no PSL. Irritado, Olímpio pediu a sua expulsão. Os dois brigavam por espaço na estrutura do partido. No sábado, o parlamentar desativou seus perfis nas redes sociais A medida foi vista como uma "prevenção" aos ataques que poderá vir a sofrer com a expulsão, confirmada há pouco. No Facebook, Frota tinha 1,1 milhão de seguidores. No Twitter, soma 170 mil seguidores.

“Muda de opinião como troca de blusa”

Brasília – O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS), reagiu às declarações da senadora Katia Abreu (PDT-TO), de que "os agricultores que estão alegres hoje vão chorar amanhã". Em entrevista na terça-feira, Kátia se referiu aos impactos da política ambiental do governo Bolsonaro, que, em sua avaliação, ameaça o acesso de produtos brasileiros no exterior e pode causar prejuízos ao agronegócio. Líder da bancada ruralista na Câmara, Moreira disse ontem que a senadora "muda de opinião muito rápido, como troca de blusa". "Kátia Abreu, neste momento, expressa uma posição política de oposição. Aliás, se a Kátia Abreu estivesse falando na condição de presidente da CNA (a senadora foi presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária), ela diria completamente o inverso", comentou o deputado. "É que a Kátia Abreu muda de opinião muito rápido, como troca de blusa."
 
Questionada sobre a declaração de Alceu Moreira, a senadora voltou a mencionar o risco de as políticas atuais repercutirem das negociações externas do país. "Prefiro mudar de opinião pelo amor, que é a ciência e o bem-estar dos consumidores, do que pela dor, que é a perda de mercados internacionais", declarou. A ex-ministra da Agricultura, que já foi um símbolo da retórica antiambiental, afirmou que "evoluiu" e que o discurso atual do setor é "antimercado" e representa atraso. Para ela, cabe ao Congresso atuar como "aceiro". Alceu Moreira, no entanto, afirmou que há uma campanha da Europa para derrubar a competitividade do agronegócio brasileiro, mesmo movimento que, segundo ele, já é feito há anos pelos Estados Unidos.
 
"A Europa quer nos atingir quando diz que estamos fazendo desmatamento desordenado. Não é a mata amazônica [que a incomoda]. É a economia, é a nossa competitividade de mercado. Eles estão querendo, na verdade, que a gente se transforme numa Argentina", disse Moreira. "A gente não vai ficar na condição de vítima. Vamos agir com inteligência, fazer um plano de comunicação externa a partir das embaixadas brasileiras."
 
De acordo com o parlamentar, os europeus querem ter controle da produção nacional. "É o que eles querem. Os americanos dizem há muito tempo, 'florestas lá, lavouras aqui'. Não é uma coisa inusitada. Adianta nós ficarmos fazendo esse belo discurso? Não. Temos que agir e mostrar para o mundo. Não são só eles que são clientes no mundo. A Ásia não pensa assim com relação à questão ambiental, os países árabes não pensam assim", disse Moreira. Quando fazem esses controles, querem fazer a lei de mercado. Eu criminalizo meu concorrente para poder vender livre e solto. Nós não podemos ficar calados, nos queixando", comentou.



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