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Estado de Minas

Irmã de Fernando Santa Cruz relatou desaparecimento em documentário: ''interminável''

No filme ''Que bom te ver viva'', a professora universitária e militante política Rosalina Santa Cruz conta a experiência após a perda do irmão


postado em 30/07/2019 10:17 / atualizado em 30/07/2019 10:51

Rosalina Santa Cruz em painel com a foto do irmão Fernando, desaparecido durante a ditadura militar (foto: Reprodução/Facebook)
Rosalina Santa Cruz em painel com a foto do irmão Fernando, desaparecido durante a ditadura militar (foto: Reprodução/Facebook)

No filme “Que bom te ver viva”, de 1989, a professora universitária e militante política Rosalina Santa Cruz conta a experiência dela após a perda

“A busca pelo Fernando foi uma coisa enorme e interminável”, desabafa Rosalina Santa Cruz, professora universitária e militante política em um trecho do documentário “Que bom te ver viva”, da cineasta brasileira Lúcia Murat, de 1989. No filme, ela relata o período quando o irmão, o estudante Fernando Santa Cruz, morto por agentes do Estado brasileiro durante a ditadura militar, desapareceu.

Durante o depoimento, “Rosa”, como é chamada, relata que se envolveu com a luta armada durante a ditadura, mas que o irmão não fez parte dos movimentos mais radicais. “Uma das coisas que eu não me conformava na morte dele era eu estar viva. Por que eu sobrevivi e ele não? Eu tinha uma militância maior do que a do fernando. Por que eu vivi?”, conta.

Rosalina Santa Cruz em trecho do documentário de 1989
Rosalina Santa Cruz em trecho do documentário de 1989 "Que bom te ver viva", da cineasta brasileira Lucia Murat (foto: Reprodução/Youtube)

Rosalina afirma ainda que o desaparecimento do irmão foi “a invenção mais terrível da repressão” e diz que foi pior do que as torturas que sofrera durante o regime. “É uma morte que a gente não tem o corpo, não tem o sentimento, sempre havia esperança de vida”, relata. “Era tão enlouquecedor que eu comecei a ver o Fernando na rua, seguia pessoas achando que era ele”, conclui.

O assassinato de Fernando Santa Cruz voltou à discussão pública nessa segunda-feira, quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) atacou o atual presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, ao afirmar que “ele não vai querer ouvir a verdade" sobre a morte do pai.

Depois, em transmissão ao vivo no Facebook, o chefe do Executivo tentou diminuir a declaração e disse que militares não foram responsáveis pelo assassinato de Fernando Santa Cruz, mas “grupos de esquerda”.

Apesar disso, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao governo, reconheceu que o estudante faleceu "em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro".

Em resposta às declarações do presidente, o advogado Felipe Santa Cruz, que tinha dois anos quando o pai morreu, afirmou que “o mandatário da República deixa patente seu desconhecimento sobre a diferença entre público e privado” e que o chefe do Executivo demonstrou “mais uma vez traços de caráter graves em um governante: a crueldade e a falta de empatia”.

O presidente nacional da OAB também defendeu o pai, disse que ele era estudante de Direito, parte da juventude católica de Pernambuco e funcionário público. Ainda, Felipe classificou a declaração de Bolsonaro como um deboche “do assassinato de um jovem aos 26 anos”.


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