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Estado de Minas

Bolsonaro vai indicar Moro para o Supremo Tribunal

Presidente confirma indicação do ministro para vaga na corte no ano que vem, diz que governo vai brigar no Congresso para manter o Coaf na Justiça e promete corrigir o IR


postado em 13/05/2019 05:05 / atualizado em 13/05/2019 11:32

Com o ministro em evento no Palácio do Planalto: Presidente prestigia Sérgio Moro após derrota do governo em comissão da Câmara(foto: Marcos Correa/PR %u2013 4/4/19)
Com o ministro em evento no Palácio do Planalto: Presidente prestigia Sérgio Moro após derrota do governo em comissão da Câmara (foto: Marcos Correa/PR %u2013 4/4/19)
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confirmou ontem que vai indicar o ministro da Justiça e Segurança Púlbica, Sérgio Moro, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal no ano que vem, quando o decano da corte Celso de Melo se aposenta por completar 75 anos. Em meio a uma ação do Congresso Nacional para retirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ex-magistrado, ele afirmou ainda que o ex-magistrado continuará tendo poder sobre os serviços que auxiliam o combate à corrupção e a lavagem de dinheiro, mesmo se o órgão migrar para o Ministério da Economia.

Ao confirmar que vai cumprir a promessa feita ao ex-juiz – que largou a magistratura após ganhar notoriedade por conduzir a Operação Lava-Jato – para compor seu governo, Bolsonaro afirmou que o indicado será um aliado “do Brasil”. “Fiz um compromisso com ele, porque ele abriu mão de 22 anos de magistratura, e falei que a primeira vaga que tiver está à sua disposição. Ele vai ter que passar por sabatina técnica e política, mas vou honrar esse compromisso com ele caso queira ir” afirmou o presidente em entrevista ao jornalista Milton Neves, transmitida pela TV e Rádio Bandeirantes.

O presidente disse acreditar que a indicação de Moro, que foi responsável em primeira instância pela condenação que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão, será bem recebida pelos brasileiros. “Acho que a nação toda vai aplaudir um homem desse perfil no Supremo”, disse. Bolsonaro também defendeu a aprovação do pacote anti-crime do ministro e disse acreditar que ela esteja sendo dificultada no Congresso porque “poderia retardar a saída do Lula da cadeia”, disse, desconsiderando o princípio constitucional pelo qual as leis criadas não podem retroagir, a não ser em benefício do réu.

Conselho Questionado sobre a mudança no Coaf, Bolsonaro disse que vai trabalhar para que o órgão fique no ministério de Moro, mas admitiu a possibilidade de o Legislativo concretizar a mudança. O presidente disse que o seu partido, PSL, vai defender a manutenção e pedir votação nominal. Com isso, segundo ele, os parlamentares que insistirem na migração da pasta vão ter que arcar com o desgaste. “Vamos supor que (o Coaf) vá para o Paulo Guedes (ministro da Economia): Ele vai ter linha direta com o Ministério da Justiça, então é uma medida inócua e um desgaste desnecessário porque, precisando de informações, o Moro vai ter, ele vai ter gente no Coaf”, disse.

Bolsonaro, no entanto, defendeu mais controle sobre o Coaf para evitar o vazamento de informações. Recentemente, o órgão tornou pública a movimentação financeira suspeita de R$ 7 milhões do ex-motorista da família. Ele é investigado pelo Ministério Público por suspeita de participar de um esquema de rachadinha que teria sido feito pelo senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual.

Imposto de Renda Em conversa descontraída com o apresentador esportivo, Bolsonaro também afirmou que seu governo vai corrigir a tabela do Imposto de Renda ainda neste ano. Segundo ele, a orientação já foi passada ao ministro Paulo Guedes.

Bolsonaro também voltou a defender a Reforma da Previdência e o decreto de ampliação do porte de armas. “Sou homem e tenho que defender minha esposa. Se o cara entra na minha casa vai levar chumbo mesmo”, disse. Segundo ele, as mudanças foram propostas por ele por confiar nas pessoas e porque vão ajudar o Brasil a “diminuir a violência”.

Questionado se estariam tentando desgastá-lo para tomar seu lugar, Bolsonaro entendeu a pergunta como uma referência ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, e disse que só quem está no cemitério não quer ascensão, mas que acredita que o vice não tenha essa pretensão. “Que tem gente que busca maneira de te minar para ganhar algo lá na frente, sempre existiu e existe no meu governo. A gente vai se preparando e tem que tomar as vacinas para progredir”, ponderou.

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