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Estado de Minas

Em palestra na UFMG, Ciro diz que Bolsonaro é 'despreparado absoluto'

Ex-ministro disparou críticas aos 100 dias da atual gestão que segundo ele tem execução abaixo dos governos anteriores


postado em 12/04/2019 17:15 / atualizado em 12/04/2019 17:23

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )

O ex-ministro e candidato derrotado pelo PDT nas últimas eleições para a Presidencia, Ciro Gomes, desembarcou nesta sexta-feira em BH com a metralhadora de críticas calibrada, especialmente voltada ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Em palestra na Faculdade de Direito da UFMG, onde foi ovacionado - em sua esmagadora maioria -, pelo público de estudantes, ele afirmou que nos primeiros 100 dias a administração de seu adversário no pleito foi “muito ruim”.

Ciro ainda destacou a baixa execução orçamentária da atual gestão principalmente nas áreas de educação, ciência e tecnologia e até segurança pública, principal pauta adotada pelo presidente durante a campanha.


“Ele (Bolsonaro) é um despreparado absoluto, usando palavras moderadas”, afirmou Ciro. Ainda de acordo com ele, que anunciou a criação de uma espécie de observatório do governo que vai atualizar os dados a cada três meses e “fazer uma análise crítica”, o presidente tem tido a mais baixa execução orçamentária.

“O que se gastou em educação nesses 100 dias é menos do que se gastava em todo o período dos governos que nos antecederam. Portanto estamos caindo em um buraco”, disse.

O pedetista chamou o presidente de “encantador de serpentes” que usa frases e posturas polêmicas para retirar o foco dos problemas. Ele apontou os problemas de segurança pública como exemplo dessa postura da atual gestão.

“Se eu digo que minha prioridade é segurança e o dinheiro que eu gasto em segurança é o menor que todo mundo gastou, eu tô mentido, não tô dando prioridade nenhuma”, disparou. A falta de posicionamento de Bolsonaro sobre o fuzilamento do músico e da família dentro de um carro com 80 tiros, feito por militares do Exército, no Rio de Janeiro, foi lembrado por Ciro como a falta de comprometimento real do presidente dom o assunto.


Sobraram críticas também para outros integrantes e apoiadores do governo e também para a oposição. Sobre o considerado “guru” de Bolsonaro, o filósofo Olavo de Carvalho, Ciro o classificou como “gozador” e que em breve se rebelará contra o governo.

“Eu conheço Olavo de Carvalho há muito tempo. Ele é basicamente um gozador. E, neste momento, ele deve estar se desdobrando de rir para além de ter sua vaidade saciada por ser reconhecido como guru. Mas, logo mais, vocês vão ver que o Olavo de Carvalho, que acima de tudo, e antes de mais nada, um grande deboche, um gozador, esculhambar o governo Bolsonaro ao tempo próprio e não demora”, afirmou.


Ciro Gomes ainda chamou o ministro das Relações Exteriores de “tresloucado” por declarações que colocam em risco parcerias com outros países, por ter ideias tortas.


Em relação a oposição, segundo Ciro, representada principalmente pelo PT, age como “patinho” e cai na “conversa fiada” do presidente. Ele colocou na conta do partido o fenômeno que levou a eleição de Bolsonaro e que reduz o debate ao juntar no mesmo balaio todos os eleitores como pessoas fascistas, misóginas e homofóbicas.

Segundo ele, não possível dizer que todos os mieniros que optaram por Bolsonaro se enquadram nesses conceitos. “O Bolsonaro é produto das contradições dessa burocracia do PT , que não perceberam e nem tiveram o mínimo de humildade de perceber a grave contradição que o povo deu a eles a oportunidade por 13 anos”, analisou.


Ele ainda citou como exemplo da falta de foco da oposição do episódio envolvendo o ministro da Economia, Paulo Guedes, que acabou saindo como “semi-vitorioso” da sessão da Comissão de Cosntituição e Justiça (CCJ) da Câmara no dia em que foi dar explicações sobre a reforma da Previdência, que tramita da Casa.

A reunião terminou em bate-boca, após o ministro ser chamado de “Tchutchuca” pelo deputado Zeca Dirceu (PT). “Foi maravilhoso e fez muito bem para o fígado de todo mundo e ele (Paulo Guedes) saiu de lá como um pseudo vitorioso porque na média do pensamento brasileiro ele foi simplesmente desrespeitado numa palavrinha engraçada”, disse.


Previdência


Sobre a Previdência, Ciro Gomes disse que o modelo adotado na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma ainda mantém os privilégios ao não atacar de forma profunda os “provilégios” do setor público e principalmente dos militares.

“Quando você olha o deficit por cabeça dos trabalhadores comuns, do comércio, indústria, construção civil o buraco é de R$ 1.400 reais por cabeça. Quando você vai olhar os funcionários públicos dos poderes Legislatvo e Judiciário o buraco vai em R$ 26 mil (...). Quando você vai para os militares o buraco é de R$ 125 mil por cabeça”, disse.


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