Publicidade

Estado de Minas

Blocos de rua de BH mandam recado a Bolsonaro

Alguns dos principais grupos da capital mineira vão deixar clara a sua posição a favor de bandeiras como feminismo e direitos da população LGBT, entre outras. Eles prometem contestar políticas do governo federal


postado em 24/02/2019 06:00 / atualizado em 24/02/2019 11:03

Gritos de
Gritos de "Fora, Temer" foram uma constante no desfile do bloco Então, Brilha no ano passado (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS/ 10/2/18)

Nascidos de um movimento político de ocupação das ruas da cidade, alguns dos maiores blocos de rua de Belo Horizonte preparam desfiles que contestam posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e prometem ir para a avenida para deixar seu recado contra o atual governo. Apesar do momento sensível na política, que deixou o país dividido entre apoiadores e críticos de Bolsonaro, eles reforçam que a festa é democrática e participa quem quer, independentemente de partido.

No ano passado, a tônica da festa momesca na capital mineira foi a crítica ao ex-presidente Michel Temer (MDB). Uma das cenas que marcaram a folia foi uma multidão gritando “Fora, Temer” na manhã do sábado de carnaval, no desfile do bloco Então, Brilha, na Avenida dos Andradas, no Centro. De lá pra cá, o bloco também participou de atos “Ele, não” e se posicionou abertamente contra Bolsonaro.

“Somos a favor das mulheres, contra o racismo, tudo pautado na ideia de que gente é pra brilhar. Vamos fazer vários posicionamentos, porque acreditamos sim, no carnaval político e que, através da alegria, conseguimos lutar contra as opressões”, diz a cantora do Brilha Michelle Andreazzi. Não está no roteiro puxar um “Ele, não”. “Mas, se acontecer, não temos receio. Vivemos numa democracia e todos têm liberdade de expressão”.

Todos são bem-vindos no bloco. “Se eleitores do Bolsonaro puderem vir para abrir o coração e plantar uma sementinha de amor... Só não é bem-vindo quem não respeita os direitos dos outros”, afirma.

Um dos maiores blocos do carnaval de BH, o Chama o Síndico mudou de horário, dia e endereço e este ano sai no domingo pela manhã, em frente ao estádio Mineirão, na Pampulha. O que não muda é a defesa de um carnaval “de luta e reflexão”. Sem partido, mas com tom político, este ano o Síndico leva pra avenida o tema “A incrível história de um país tropical”.

“Estamos contra esse projeto político do governo atual, contra esse mar de lama que se instaurou no Brasil, que não respeita a soberania popular, a pluralidade e a diversidade”, afirma um dos fundadores do grupo, o percussionista Paulo “PG” Rocha.

Segundo ele, a rua é pública e a festa do povo. “Mas, se quem votou no Bolsonaro for, pode se sentir incomodado porque vamos deixar o nosso recado mais claro ainda a favor das chamadas minorias, que, na verdade, são maioria, quilombolas, LGBT+ e as mulheres”, diz. “Somos contra o conservadorismo, contra quem acha que ambientalistas são ecochatos e que família é só heterossexual”, cita.

O bloco Juventude Bronzeada, que desfila na terça-feira de carnaval, publicou uma nota em sua página do Facebook com o posicionamento político do grupo. “Gostamos sempre de reafirmar que nos posicionamos abertamente contra o atual governo. A Juve sempre foi e sempre será um bloco que luta a favor da democracia e da liberdade de expressão, por isso nos opomos a qualquer governo que ameace o bem-estar daqueles que amamos”, informa o texto.

O cortejo será também uma contestação ao atual governo. “Festejamos juntos com a consciência de que carnaval e política podem e devem se cruzar, por isso, durante o cortejo convocamos todos para que gritemos contra o fascismo, contra o extremo conservadorismo, contra o machismo, racismo, sexismo, LGBTfobia e a favor da democracia sempre!”, aponta.

REPÚDIO, COM RESPEITO

Regente do Garotas Solteiras e Alô Abacaxi, blocos LGBT, Jhonatan Melo reforça que os dois grupos não têm qualquer problema de assumir o repúdio ao governo Bolsonaro. “Ele representa tudo que a gente teme”, diz. “O que a gente está discutindo não é a opção político-partidária, o discurso evoluiu, tem a ver com a pauta humana do carnaval. Não queremos deixar de ir pra rua por medo de violência, queremos respeito e não vamos tolerar o discurso de ódio”, afirma. “As pessoas que votaram em Bolsonaro são bem-vindas, desde que respeitem o espaço das outras pessoas”, diz.

“A gente é contra o Bolsonaro, mas democracia é isso, saber dialogar com o diferente. Seja de direita ou de esquerda, desde que a pessoa não seja violenta, não vejo problema de participar. O diálogo também se dá através da música”, afirma o mestre de bateria Unidos do Samba Queixinho, Gustavo Caetano. O Samba Queixinho, que desfila no domingo, traz este ano o tema “O corpo na rua”, um espetáculo que comemora os 10 anos da escola de samba e ainda homenageia o Grupo Corpo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade