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Estado de Minas

Lava-Jato, maioridade penal, armas e Marielle: o que disse Sérgio Moro em sua primeira entrevista após aceitar o Ministério da Justiça

"Não existe a menor chance de usar o ministério para perseguição política". Confira as principais declarações do juiz durante coletiva de imprensa em Curitiba


postado em 06/11/2018 18:00 / atualizado em 06/11/2018 20:00

Sérgio Moro falou por quase duas horas na sede da Justiça Federal em Curitiba(foto: Reprodução da internet)
Sérgio Moro falou por quase duas horas na sede da Justiça Federal em Curitiba (foto: Reprodução da internet)
Seis dias depois de se reunir com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), encontro no qual aceitou o convite para comandar o superministério da Justiça, o juiz Sérgio Moro concedeu na tarde desta terça-feira (7) sua primeira coletiva de imprensa, na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.

Durante quase duas horas, falou sobre os reflexos de sua indicação ao ministério, ações que pretende adotar no governo a partir de 2019, flexibilização da maioridade penal, da posse de armas de fogo e a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes. Confira abaixo algumas das principais frases do próximo ministro da Justiça.

Convite de Bolsonaro

"Isso não tem nada a ver com o processo do ex-presidente Lula. Ele foi condenado e preso por que ele cometeu um crime e não tem nada a ver com as eleições."

"Não posso pautar minha vida com base numa fantasia ou em um álibi falso."

"Disse a ele que para integrar governo tem de ter certa convergência. Ainda que não haja concordância absoluta de ideias entre nós, há a possibilidade de um meio-termo."

"Sei que alguns eventualmente interpretaram a minha ida como uma espécie de recompensa. É algo absolutamente equivocado, porque minha decisão foi tomada em 2017, sem qualquer perspectiva de que o então deputado federal fosse eleito presidente da República."

"É um pouco estranho dizer isso, mas não existe a menor chance de usar o ministério para perseguição política."

Ação no ministério

"Tenho consciência de que vou assumir uma posição subordinada, mesmo sem convergência absoluta, podemos conversar. A palavra final é dele, mas se houver divergência, eu decido se continuo ou não."

Democracia

"Não vejo risco à democracia e ao Estado de direito e minha presença no governo pode reforçar isso. Sou um homem de leis."

Combate ao crime

"Ameaça do crime organizado no Brasil é real e crescente. É preciso um tratamento mais rigoroso, que passa pela estratégia de desmantelamento, foco, recursos, investigação, prisão dos líderes, isolamento dos líderes e confisco do patrimônio."

"A corrupção nunca vai se encerrar, nem os crimes, mas os níveis de corrupção e de crimes no Brasil são muito altos."

"Acho que se barateia a vida quando se tem progressão (de pena) muito generosa."

Lava-Jato

"Todo histórico da Lava-Jato foi no sentido de sempre dar aos fatos a máxima publicidade."

Vaga no Supremo Tribunal Federal

"Não existe uma vaga no momento. Não acho apropriado (discutir agora). Quando no futuro existir vagas, isso tem que ser discutido nesse novo contexto."

Caso Marielle

"O caso Marielle é um crime que tem de ser solucionado."


Maioridade penal

"O menor de 18 deve ser protegido, mas, acima de 16 anos, ele tem a percepção de que não pode matar."

Armas de fogo

"Uma flexibilização excessiva (da lei sobre posse de armas) pode ser utilizada como armamento para organizações criminosas."

Movimentos sociais

"Classificar os movimentos sociais como terroristas não é consistente, se houver ivnasão, com lesão de direitos, os responsáveis não devem ser inimputáveis."

Defesa de minorias

"Crimes de ódio não podem ser admitidos. Em última instância, até a Polícia Federal pode ser acionada."

"Tenho plena convicção de que a partir de janeiro de 2019 essas minorias vão poder exercer sua liberdade normalmente, sem risco para elas."


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