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Estado de Minas POLÍTICA

Sem nome ou sombra: o que fazem os snipers, novos personagens da guerra no Rio

Governador eleito do estado, Wilson Witzel quer formar time de atiradores para abater quem for visto portando fuzis em meio às favelas e comunidades


postado em 02/11/2018 07:50 / atualizado em 02/11/2018 08:43

(foto: RICARDO MORAES/AFP)
(foto: RICARDO MORAES/AFP)

Os novos personagens que o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), quer levar para as zonas conflitadas da cidade e do Estado são figuras discretas. Atiradores de elite, os snipers, na denominação em inglês, não têm nome, não devem ser vistos e quase sempre agem como sombras, confundidos com o cenário. Ainda assim são eficientes em seu trabalho: eliminar ameaças, matar pessoas. Podem atingir a cabeça de um homem a meio quilômetro de distância, de tal forma que o alvo caia imóvel.

Nesse caso, o objetivo é impedir a reação nervosa espontânea do dedo no gatilho de uma arma apontada para um refém ou da mão que segura o disparador de uma bomba, explica um especialista do Centro de Instrução de Operações Especiais do Exército, em Niterói, onde são formados os caçadores, a tropa do tiro de precisão.

Homem calmo e de fala mansa, ele diz que não há a menor dificuldade em fazer o trabalho para o qual a seleção é rigorosa e o treinamento, severo. Marinha, Aeronáutica, PF e as polícias estaduais mantêm quadros próprios dedicados a esse tipo de ação letal. Pouco se sabe a respeito de sua folha de serviços.

Witzel quer formar times de atiradores para abater quem for visto portando fuzis em meio às favelas e às comunidades. Não é tão simples. Pela legislação, a posse do rifle não autoriza o disparo letal - embora exija prisão.

Criminalistas ouvidos pela reportagem acreditam que isso só seria possível em uma situação de exceção, como a declaração de estado de sítio ou de defesa, quando há a supressão dos direitos constitucionais. Claro, em um confronto, vale o princípio da legítima defesa e da destruição da ameaça. Juiz federal, Witzel diz que se trata de uma questão de interpretação da lei, que prefere "defender o policial (que atirar para matar) no tribunal do que ir ao funeral dele".

Os snipers das Forças Armadas atuam em situações de conflagração, apoiando a segurança da tropa e de autoridades, obtendo informações e neutralizando alvos selecionados. Os times policiais acrescentam "outro objeto" à lista, eventuais sequestradores que mantenham reféns sob risco. O tiro é feito quase sempre em duplas: o atirador e o observador, que fornece as informações de apoio.

O disparo deve ser feito na faixa de 300 metros para que a posição não seja detectada. A incidência de luz precisa ser considerada para evitar o reflexo na lente do sistema de mira. A dupla usa traje camuflado e às vezes uma cobertura para confundir o olheiro. As Forças empregam cinco diferentes tipos de fuzis, entre os quais os imensos Barrett M82A1 .50, americanos.

Os militares e policiais candidatos à função são voluntários. Eles têm entre 25 e 35 anos. Precisam ter passado por outros níveis de qualificação nas forças de operações especiais. O condicionamento físico é exigente. Alimentação balanceada, peso ideal e pressão arterial normal são pré-requisitos.

No momento do disparo, só o dedo indicador deve se movimentar; a respiração precisa estar no ritmo do batimento cardíaco e o acionamento do gatilho deve ser suave - tudo isso para evitar desvios de trajetória, explica o especialista do Exército.

O abandono durante o ciclo de instrução é alto. Em um dos cursos de três semanas do Batalhão de Infantaria Especial da Aeronáutica, em 2005, foram formados 14 atiradores. Houve quatro desligamentos.

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