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Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida

É melhor correr para o aeroporto e voar para bem longe para não tratar de assunto que atinge um de seus colegas. Vai que a fila anda...


postado em 10/08/2018 12:00 / atualizado em 10/08/2018 08:23



O nome disso é locaute e tinha que ser vetado mesmo. O termo vem de lock out, em inglês: an action taken by an employer to stop workers from going into their place of work until they agree to particular conditions given by the employer. Ou seja, uma ação tomada por um empregador para impedir que os trabalhadores entrem em seu local de trabalho até concordarem com as condições particulares dadas pelo empregador.

O registro bilíngue não é pra inglês ver. Épara os brasileiros. Trata-se do veto do presidente Michel Temer (MDB) ao perdão das multas dos empresários que pegaram carona na greve dos caminhoneiros em causa própria. E que durou mais tempo – 11 dias com caminhões parados e bloqueando as estradas – exatamente porque os empresários pressionaram.

Para ficar mais claro, melhor colocar em ação a Polícia Federal (PF), que ficou encarregada de investigar se houve locaute das empresas de transporte. O objeto da investigação era a associação para a prática de crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de transporte e outros serviços públicos.

Em tradução simultânea, é uma prática pela qual as companhias impedem seus próprios empregados de trabalhar para defender os seus próprios interesses e não por causa da reivindicação dos seus próprios trabalhadores.

O assunto está de volta por causa de o Congresso ter incluído, na votação esta semana da medida provisória que tratava dos caminhoneiros, anistia de multas aos empresários por causa da greve. Só para lembrar, melhor dar uma passada no Judiciário.

Durante a greve, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU), e decretou que fosse cobrada multa de R$ 100 mil por hora às empresas que estivessem estimulando as interdições de estradas. E aplicou também multa de R$ 10 mil por dia para o motorista que obstruísse a pista.

Deixando caminhões pra lá, melhor tratar de aviões. Ontem, estava marcado o depoimento do assessor predileto de Lúcio Vieira Lima (MDB-MA) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Só que foi adiado.

O motivo é que, em lugar das estradas, boa parte dos integrantes do conselho preferiu correr para o aeroporto e voar para bem longe para não tratar de assunto que atinge um de seus colegas. Vai que a fila anda...

Nova linha
Ele chegou de surpresa, de forma espontânea, o que demonstra interesse de vários segmentos da sociedade, principalmente empresarial. Presidente da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, o deputado João Leite (PSDB), educado que é, óbvio que permitiu. Para ficar claro, trata-se de José Roberto Barbosa, diretor-geral da Petrocity Portos, sediada no Espírito Santo com capital nacional e estrangeiro. Ele apresentou a proposta de implantar uma rede ferroviária ligando Sete Lagoas/Confins, em Minas, à capixaba São Mateus, quase divisa com a Bahia.

Minas agradece
Para ficar claro, o empresário detalhou que a ferrovia será totalmente independente e multissetorial. “A meta é a diversidade de operação e criar um canal de escoamento das riquezas brasileiras, garantindo redução de custos operacionais e o aumento da segurança na movimentação de cargas.” O Centro Portuário de São Mateus (CPSM) está em fase final de aprovação ambiental.

Sem perguntas
“A pré-candidata Dilma Roussef concederá coletiva à imprensa, às 14h30. Local: Hotel Dubai.” Às 9h16: “Comunicamos o cancelamento da entrevista coletiva da pré-candidata Dilma Rousseff, agendada para esta quinta (9/8), às 14h30, em Montes Claros. Agenda do ato de lançamento permanece. 17h: Ato de lançamento das pré-candidaturas Lula presidente, Pimentel governador, Dilma senadora, Paulo Guedes deputado federal, Virgílio Guimarães deputado estadual e Leninha deputada estadual. Local: Portal Eventos – Rua Tupinambás, 535, Bairro Melo, Montes Claros. Credenciamento de imprensa no local.”

Efeito cascata
“O Brasil vive um conflito entre o justo e o possível. Pode até existir justiça no reajuste, o que me preocupa é o possível.” E perguntou: “É possível isso ser feito neste momento? Em relação a isso, eu não sei”. Frases do ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun (MDB). Ele falou do efeito cascata e o impacto bilionário diante do reajuste dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, os ministros da corte recebem R$ 33.763. Se o reajuste for incluído no Orçamento da União de 2019, a ser analisado no Congresso, passarão a receber R$ 39.293.

Foi por pouco
Muito pouco, pouco mesmo para que os deputados Iran Barbosa e João Magalhães, ambos do MDB, trocassem socos no plenário esta semana. Muita gente ficou assustada, sem saber o que acontecia. Iran começou a xingar o que chamava de “manobras”, e Magalhães, cotado para ser o novo líder do governo, não se fez de rogado. Caminhou em direção ao colega. A turma do “deixa disso” entrou em ação, até que o microfone de pé do plenário ajudou. No empurra-empurra, ele caiu e tudo voltou à normalidade. Aconteceu quando seria votado o projeto sobre a securitização da dívida estadual.

PINGAFOGO

Em tempo: para deixar claro o “efeito cascata” citado pelo ministro Carlos Marun, diante do reajuste do Supremo Tribunal Federal (STF), é que o aumento atinge também os juízes país afora.

“Anarquia jurídica”, caro candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad? Então, chama o Bakunin, o anarquista que pulava de trem para espalhá-la. Bem, regra-três do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vale de tudo e um pouco mais, né Haddad?

Falando em Lula, o ex-presidente queria até participar do debate de ontem na TV Bandeirantes. Óbvio que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que o condenou e mandou para a cadeia em Curitiba, negou.

Se amanhã o senador Paulo Paim (PT-RS) fará audiência pública com o tema “Reforma da Previdência com foco na ameaça aos direitos dos brasileiros”, o melhor a fazer é aposentar as notícias por hoje.

Afinal, se ela será interativa, com direito até ao Alô Senado (0800-612211) para perguntas, pelo jeito, a audiência deve passar longe da sala 6 da Ala Senador Nilo Coelho, Anexo 2 do Senado.

 

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