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Estado de Minas

Ciro Gomes se aproxima de siglas da esquerda, após perder apoio do centrão

Depois que o blocão de partidos de centro-direita decidiu fechar com o tucano Alckmin, pedetista tenta confirmar a aliança com o PSB, o que daria tempo de TV e palanques estaduais. Convenção do PDT foi ação para sair do isolamento


postado em 21/07/2018 11:23 / atualizado em 21/07/2018 11:28

Ciro, na convenção do PDT:
Ciro, na convenção do PDT: "Vamos promover um debate fraterno, que basicamente começa por respeitar as diferenças. Acabar com essa ideia do brasileiro contra o brasileiro" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Oficializado como candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes faz movimentos para se aproximar da esquerda, após perder apoio do centrão. O blocão — formado pelo DEM, Solidariedade, PP, PRB e PR — fechou com Geraldo Alckmin (PSDB), deixando a briga pelo PSB ainda mais acirrada. Com um discurso que celebra as opiniões diferentes e ataca os “privilégios”, Ciro luta para conquistar aliados e romper o isolamento.

A convenção nacional do partido ocorreu ontem, em Brasília. Ao lado da família, o pedetista defendeu acabar com o ódio entre os brasileiros, principalmente a troca de insultos na internet. “Vamos promover um debate fraterno que, basicamente, começa por respeitar as diferenças. Acabar com essa ideia de brasileiro contra brasileiro, se ferindo pela internet. Porque é tão grave e complexa a situação, que precisamos de todas as ideias, porque ninguém é dono da verdade”, afirmou. E completou, sem citar nomes de outros pré-candidatos: “Alguns estão com simplificações grosseiras e frases de efeito prontas”. Esta é a terceira vez que o pedetista concorre ao Palácio do Planalto, as outras vezes foram em 2002 e 1998.

Sobre temas econômicos, Ciro defendeu um novo plano de desenvolvimento, com o apoio da indústria. Voltou a falar sobre a importância do combate à redução da pobreza e a necessidade de empregos formais dentro do país. Aliado às pautas de esquerda, o candidato também reforçou o discurso das minorias, defendendo o sistema de cotas para negros em universidades públicas, além de repudiar a violência contra o grupo. “A imensa maioria dos homicídios são de pobres, negros, pardos, caboclos. E para a nossa revolta aumentar, apenas uma quantidade minúscula desses casos no país foram investigados”, declarou. “Corrupção é um câncer, que destrói a crença na democracia”, acrescentou.

Sem o centrão, a tendência é de que Ciro se aproxime do PSB, partido no qual tenta fechar aliança desde o início da pré-candidatura. Uma eventual coalizão aumentaria o tempo de televisão e o fundo eleitoral do pedetista. Também presente no evento, o coordenador da campanha e irmão de Ciro, o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) comentou sobre as alianças. Questionado se o PT poderia atrapalhar uma coalizão entre o PDT e o partido socialista, Cid minimizou as investidas dos petistas: “É natural que, nesse processo político, todos queiram fazer alianças. Ao mesmo tempo em que o Ciro procura o PSB, é natural que outros partidos também o procurem”.

Presidente do partido, Carlos Lupi (SP) também discursou a favor do presidenciável, antes do primeiro discurso de Ciro como candidato. Após cantarem o hino nacional e o hino da independência, Lupi falou sobre a importância de continuar o trabalho no partido de Leonel Brizola, político exilado durante a ditadura militar, e elogiou o trabalho do candidato. “A maior crítica dos outros é de que Ciro é duro com as palavras, mas esse é um país que precisa de gente com coragem e ousadia”, acrescentou.

Análise


O cientista político Pedro Fassoni Arruda, professor da PUC de São Paulo, diz que a movimentação de Ciro é a última opção para que ele consiga musculatura suficiente para competir com os grandes. “Ciro é o candidato de um partido que não é muito grande, tem uma bancada menor que os concorrentes. Procura ganhar musculatura para competir com os grandes, mas precisa de capilaridade. Negociou com DEM, PRB, PTB e acabou isolado. Agora só resta correr para a esquerda.”

Fassoni acredita que o PSB e o PCdoB serão as próximas apostas do pedetista. “Diante de um cenário polarizado, o PSol apoiaria Ciro no segundo turno. Não existe nenhuma possibilidade de aliança no primeiro, e Ciro precisa conseguir tempo e dinheiro. Por isso, tem que negociar. O anúncio da candidatura envia um sinal para os partidos da esquerda de que ele quer se viabilizar.”

O cientista político Ivan Ervolino lembra que a campanha começará em agosto, será curta e sem dinheiro. “Estão todos avaliando e reavaliando o que fazer nesse momento. Ciro não tem muito mais para onde ir e, como as leis mudaram, o jeito de fazer campanha mudou. Ainda temos muitos candidatos colocados à mesa. Daqui para frente, Ciro deve acompanhar as movimentações diariamente e tentar ficar mais bem  posicionado para sair na frente.”

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