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Estado de Minas

Por que Eduardo Azeredo ainda não será preso? Entenda

Ex-governador é acusado de ter desviado R$ 3,5 milhões em recursos de três estatais mineiras para sua campanha à reeleição


postado em 24/04/2018 17:30 / atualizado em 24/04/2018 19:42

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve nesta terça-feira a condenação do ex-governador Eduardo Azeredo pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro durante o período em que era chefe do Executivo mineiro.

A pena é de 20 anos e 1 mês de prisão. O resultado, favorável ao Ministério Público de Minas Gerais, foi apertado e ficou em 3 a 2.

O relator do processo Júlio César Lorens destacou que a prisão pode ocorrer somente depois que a sentença transitar em julgado na segunda instância. A defesa ainda pode apresentar um recurso, o embargo declaratório, no prazo de dois dias.

De acordo com o advogado de Azeredo, Castellar Modesto Guimarães Filho, a defesa vai recorrer. Também já entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

No pedido de habeas corpus, a defesa aponta que a condenação tem vício de nulidade, que levaria o processo de volta à primeira instância. "O habeas corpus aponta essa nulidade. Acredito piamente que o STJ vai entender e será necessário voltar à primeira instância para corrigir essa decisão", afirmou Castellar.

A contestação, segundo o advogado, diz respeito ao número de crimes de peculado, que inicialmente, foram considerados sete e depois delimitados a três. 

 

O procurador de Justiça Antônio de Padova reconheceu que a vitória foi apertada em favor do Ministério Público e, por isso, torna a prisão em segunda instância desconfortável. Apesar da declaração, o procurador reitera que o pedido do MP é pela prisão de Azeredo.

"O MP fica até constrangido com um julgamento tão apertado. Mas tem o outro lado de que o processo se arrastou por 20 anos. A sociedade tem que debater isso melhor", disse.

O ex-governador tucano é acusado de ter desviado R$ 3,5 milhões em recursos de três estatais mineiras para sua campanha à reeleição em 1998. Azeredo teve a condenação confirmada pela 5ª Câmara Criminal do TJ em agosto de 2017. Na ocasião, com dois votos pela condenação e um pela absolvição, os desembargadores reduziram em nove meses a pena da primeira instância.


No julgamento desta tarde, o procurador de Justiça Antônio de Padova Marchi Júnior pediu aos desembargadores a confirmação da condenação de Azeredo nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. "Sua campanha funcionou como um laboratório de um esquema de corrupção que se alastrou no meio político",

A tese adotada pela defesa do tucano é de que não houve crimes de peculato. "Todos os dirigentes eximem o governador de qualquer responsabilidade. Não aparece o governador em nenhum momento", afirma Castellar.

O advogado cita o ex-secretário de comunicação de Azeredo, Eduardo Guedes, e o agora secretário de Estado da Fazenda, José Afonso Bicalho, então presidente do Bemge, também condenados. "E, se não há o que se falar em peculato, cai por terra o crime precedente de lavagem de dinheiro", afirmou.


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