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Estado de Minas

PF desautoriza delegado que defendeu prisões de políticos

O delegado Milton Fornazari Jr. postou em seu perfil no Facebook que, após a prisão de Lula, chegou a hora de efetuar a detenção de outros políticos de viés ideológico diferente


postado em 10/04/2018 06:00 / atualizado em 10/04/2018 07:52

o delegado Milton Fornazari Jr.(foto: Reprodução/facebook)
o delegado Milton Fornazari Jr. (foto: Reprodução/facebook)

Brasília – A Polícia Federal (PF) desautorizou o delegado Milton Fornazari Jr., que, em seu perfil no Facebook, postou mensagem na noite de sábado, logo após a prisão de Lula. “Agora é hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio etc)”, escreveu o delegado.

Em nota divulgada ontem, a direção da PF informou que “as declarações proferidas são de cunho exclusivamente pessoal e contrariam o normativo interno referente a manifestações em nome da instituição”. A PF anunciou medidas administrativo-disciplinares em relação ao caso.

“Lula preso. Objetivamente recebeu bens, valores, favores e doações para seu partido indevidamente por empresas que se beneficiaram da corrupção em seu governo”, escreveu Fornazari Jr.. “Por isso merece a prisão.”

O delegado conclui sua manifestação afirmando que se as investigações futuras chegarem aos outros líderes que ele elencou “teremos realmente evoluído muito como civilização”. “Se não acontecer e só Lula ficar preso, infelizmente, tudo poderá entrar para a história como uma perseguição política.”

Delegado experiente, Fornazari tem em seu currículo a investigação sobre o cartel do metrô e as fraudes no sistema metroferroviário de São Paulo em governos do PSDB. Ele também foi responsável pelo inquérito que apurou supostos desvios de recursos nas obras bilionárias do Rodoanel, também em São Paulo, e é especialista em cooperação internacional para identificação de lavagem de dinheiro e ocultação de valores.

O post de Fornazari contrariou a cúpula da PF. “O mencionado servidor não faz parte do corpo diretivo da PF em São Paulo e tampouco é porta-voz desta instituição. A PF jamais se manifesta oficialmente por meio de perfis pessoais de seus servidores”, diz a nota.

Diante da repercussão do caso, o delegado fez um novo post. “Ontem, externei minha opinião exclusivamente pessoal como cidadão em relação à minha indignação com a corrupção na política brasileira em geral. Citei o caso transitado em julgado em 2ª instância do ex-presidente Lula e os de outros políticos notoriamente investigados em Brasília, nas instâncias superiores, como os motivos da minha indignação pessoal. Vamos todos manter a serenidade e sigamos em frente. Abraços”, afirmou.

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