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Estado de Minas

Afastamento de executivos da Caixa será definitivo

Os quatro vice-presidentes em princípio, seriam afastados provisoriamente, mas a avaliação do governo e do Conselho do banco é de que o retorno aprofundará desgaste da imagem da instituição. Partidos que indicaram ameaçam se rebelar


postado em 17/01/2018 16:38 / atualizado em 17/01/2018 16:51

O afastamento dos quatro vice-presidente interinos da Caixa tende a ser definitivo. Interlocutores do Palácio do Planalto consideram que, se em princípio a intenção era que fossem afastados provisoriamente, por 30 dias, foi uma saída política para evitar atritos com a base aliada responsável pelas indicações, agora forma-se consenso de que não há ambiente político para o retorno aos cargos. Inclusive,  com a mudança das regras na escolha dos vice-presidentes, o Conselho de Administração da Caixa vai afastar em definitivo os executivos, alvo de investigações. Os partidos responsáveis pelas indicações - o PR, o PP, o PMDB e o PRB ameaçam se rebelar e reivindicam manter a prevalência da indicação.

 

Foram afastados,  Deusdina dos Reis Pereira, vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias; Roberto Derziê de Sant'Anna (Governo); Antônio Carlos Ferreira (área Corporativa) e José Henrique Marques da Cruz, chefe da área de Clientes, Negócios e Transformação Digital. A avaliação de integrantes do conselho é de que a volta desses executivos compromete a imagem da Caixa, que passa por ajustes para se adequar às novas regras internacionais de solidez bancária.Além disso, a manutenção dos executivos poderá motivar ações do Banco Central e da Procuradoria da República no Distrito Federal, porque já havia recomendado as exonerações.


Segundo a Lei 4.595, de 1964, que dispõe sobre instituições financeiras, diretores de bancos públicos têm de ter reputação ilibada e, sobre eles, não deve pesar notícias de envolvimento em corrupção. or suspeitas de irregularidades na Caixa, o Ministério Público Federal havia recomendado ao presidente da República Michel Temer que afastasse os 12 vice-presidente do anco. Num primeiro momento, a Casa Civil e a a Caixa rejeitaram a recomendação. Os procuradores, porém, reforçaram o pedido ao encaminhar ao presidente um ofício, no qual afirmaram que Temer poderá ser responsabilizado, na esfera cível, por ilícitos que eventualmente venham a ser cometidos pelos vice-presidentes da Caixa. Após esse ofício, Temer optou por afastar os quatro que já são investigados.

 

Cemig

 

Ligada ao PR, Deusdina dos Reis Pereira, é suspeita de intermediar interesses do ex-deputado Eduardo Cunha na Caixa. Além disso, ela é acusada de ter tentado negociar a liberação de um crédito do banco em troca de um cargo para ela própria na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), segundo reportagem do jornal “Folha de São Paulo”.

Entre os documentos da investigação da própria Caixa Econômica Federal, está um ofício encaminhado pelos procuradores ao chefe da Casa Civil, ministro Eliseu Padilha.

O ofício cita uma troca de e-mails que teria ocorrido em 2015, entre Deusdina e o então presidente da Cemig, Mauro Bortes, cujo assunto era o pedido de Deusdina para "um posto no Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais, mediante a insinuação de troca de interesses diante da operação finaneira da Companhia na Caixa Econômica".

Segundo o  MPF, Deusdina chegou ao posto depois de trabalhar com Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa e que fechou acordo de colaboração premiada. Ele é um dos alvos a Operação Sépsis, que investiga esquema de propinas envolvendo financiamentos do FI-FGTS, administrado pelo banco público.

A Cemig informou que Deusdina não foi indicada para qualquer função na empresa. Tanto a Caixa quanto a Cemig se recusaram a informar se o crédito citado por Deusdina foi concedido ou não. Em sua defesa, Mauro Borges,  disse que o pedido de Deusdina foi educadamente recusado e que não há nenhuma relação entre a operação de crédito e o pedido feito por ela.

 

Investigações

 

As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal apontam irregularidades cometidas no banco, como corrupção e o favorecimento de grupos políticos e de empresas. anto o MPF quanto a PF afirmam que dirigentes indicados por partidos atuavam para atender a interesses de políticos e de empresários em operações financeiras da Caixa.

Embora sejam funcionários de carreira da Caixa, os quatro vice-presidentes afastados foram indicados para os cargos por partidos políticos da base governista (PR, PRB, PP e PMDB). O próprio presidente da Caixa, Gilberto Occhi, é indicado por um partido, o PP. Mas, para Occhi, não se pode "satanizar" as indicações políticas. m troca de acolher indicados políticos, o Planalto espera que parlamentares desses partidos votem a favor de matérias de interesse do governo no Congresso.

Um dos vice-presidente afastados, Antonio Carlos Ferreira, disse aos investigadores que sofria pressão do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso, que exigia dele prestação de contas semanal informações semanais sobre operações do banco superiores a R$ 50 milhões que ajudariam a "rentabilizar" seu mandato


 

É a seguinte a relação dos nomeados para substituírem, interinamente, os executivos afastados:

Veja qual interino vai para cada função
Vice-presidência de Corporativo
Afastado: Antônio Carlos Ferreira
Entra: Luiz Gustavo Silva Portela (diretor de Banco Corporativo)
Vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias
Afastada: Deusdina Pereira
Entra: Valter Gonçalves Nunes (diretor de Fundos de Governo)
Vice-presidência de Cliente, Negócios e Transformação Digital
Afastado: José Henrique Marques da Cruz
Entra: Ademir Losekann (diretor de Clientes e Canais)
Vice-presidência de Governo
Afastado: Roberto Derziê de Sant'Anna
Entra: Roberto Barros Barreto (diretor de Serviços de Governo)

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